Shimano Alfine SG-S501

#1
Análise. Shimano Alfine SG-S501



Introdução

O cubo de 8 velocidade Shimano SG-S501 Alfine não é de longe uma novidade. Já se encontra no mercado há bem mais de um ano, como peça central do grupo de componentes Alfine, destinado ao uso citadino.

Os cubos traseiros com velocidades são também uma invenção muito antiga, surgida no início do Século 20. É um componente desde sempre associado a transmissões fiáveis e limpas. Milhões de bicicletas utilitárias ou de trabalho foram equipadas com cubos Sturmey Archer de 3 velocidades, Sachs, etc. Muitas delas continuam a rodar após décadas de funcionamento.

No entanto, no mundo do ciclismo desportivo o desviador ganhou rapidamente a preferência pela sua maior leveza, eficiência, amplitude de rácios e número de mudanças admissíveis. É um sistema inegavelmente muito engenhoso, quase exclusivamente particular ao mundo das bicicletas. As baixas potências em jogo permitem o uso de um sistema que empurra a corrente lateralmente sem grande dificuldade.

A tecnologia dos cubos de velocidades é mais fiável, resguardada e compacta, mas sofre de problemas de peso, de eficiência e de amplitude de rácios. É por isto que nunca se adaptou ao uso no ciclismo desportivo. O cubo Rohloff Speedhub veio colocar algumas cartas novas em cima da mesa, com a sua enorme aplitude, peso aceitável e eficiência muito a par com uma transmissão convencional. No entanto, a sua performance e fiabilidade vem com um preço extremamente elevado, fora das capacidades económicas de muitos potenciais compradores.

Face ao seu preço mais acessível, houve quem então tivesse experimentado o cubo Alfine para uso em fora de estrada na expectativa de uma transmissão de 8 velocidades muito fiável e rápida. Os resultados têm sido encorajadores, com performances e durabilidade muito satisfatórias e um alcance da desmultiplicação suficiente para vários tipos de utilização distintos.

Importa referir que a Shimano não têm este cubo aprovado para uso em BTT. Qualquer experimentação é feita por conta e risco do utilizador. No entanto, há que ressalvar o caso isolado da Shimano UK que aprovou a montagem deste cubo numa série de bicicletas de produção de BTT, essas sim com garantia completa. A Charge Duster Eight é o exemplo de uma delas. Isto dá alguma confiança sobre as capacidades do equipamento em análise.

A minha aplicação para este cubo assemelha-se bastante em conceito à Charge Duster Eight do link anterior. Farto de partir correntes e desviadores de baixo custo na minha bicicleta de treino (uma BH Sierra Nevada 2004 bastante modificada) decidi adquirir um kit Alfine para a tornar numa máquina que consiga fazer km após km, requerendo consistentemente pouca manutenção. O que vos apresento aqui é um review inicial, relativo a um mês de utilização do cubo. Mais updates virão, com notas mais concretas sobre fiabilidade.



O que está lá dentro e como funciona:

O cubo Alfine é uma variante mais refinada dos cubos Nexus da Shimano. Acrescenta apoios para travão de disco, embraiagens mais suaves e outros pequenos melhoramentos pontuais. Na foto seguinte podemos ver um cubo Nexus em corte.



O cubo recorre a engrenagens epicíclicas para obter os 8 rácios. Estas engrenagens são constituídas por uma engrenagem central e engrenagens satélites que rodam umas em redor das outras. É uma forma extremamente compacta de obter vantagem mecânica. Usando controlos para bloquear a rotação de um destes componentes, ou colocando novos níveis de engrenagens satélite em jogo, vamos ter os diferentes rácios de transmissão. O mecanismo de roda livre é feito com uma embraiagem de rolos ao invés do sistema de linguetas e rampas típicos dos cubos normais. Isto permite uma resposta ao engrenamento de mudanças bastante mais suave e é uma marca característica do Alfine, quando comparado com os restantes cubos de 8 velocidades da Shimano. Ainda falando em embraigens, o Shimano Alfine já vai na sua segunda versão, tendo o modelo SG-S500 sido substituído pela versão SG-S501, onde a embraiagem de rolos dupla foi trocada por uma embraiagem de rolos tripla. É esta versão SG-S501 que analiso neste texto.

A natureza do mecanismo de transmissão utilizado tem algumas nuances que importa referir. Por exemplo, a eficiência máxima é atingida na mudança nº 5, sendo esta uma mudança directa, com rácio 1:1. Outra questão prende-se com a existência de um pequeno choque de engrenamento durante a troca de 4ª para 5ª ou de 5ª para 4ª. Isto é causado pela activação da embraiagem que actua o segundo o nível de engrenagens.

Importa ainda referir que por norma as subidas de mudança são mais suaves que as descidas, embora ambas sejam sempre razoavelmente agradáveis.

O sistema completo para operar um cubo Alfine consiste num cubo SG-S501, num carreto para cubos de mudanças internas (várias marcas funcionam: Shimano, SRAM, Sturmey Archer), um anel porta-cabos e selector de mudanças, e o shifter Rapid-fire.

Embora o alcance total seja fixo, a relação de mudanças de entrada no cubo pode ser alterada mexendo no tamanho do carreto ou do prato do cranque, fazendo-se a translação do alcance total para mudanças mais pesadas, ou mais leves. Considerações detalhadas sobre este tema serão feitas mais à frente.

Em termos de manutenção, é necessário lubrificar o interior de forma regular, pelo menos uma vez por ano. O design deste cubo não é 100% estanque à entrada de água e outros contaminantes, pelo que a massa consistente acaba por sofrer degradação e deve ser substituída. Este procedimento é relativamente simples e a própria Shimano vende kits de lubrificantes e recipientes para a manutenção do cubo.

Notas sobre a montagem

A montagem é relativamente simples se o manual da Shimano for seguido religiosamente. Acho no entanto importante deixar aqui apenas algumas notas sobre a instalação que podem ser bastante úteis.

A primeira barreira que se pode encontrar é a montagem do carreto. Os carretos de cubos de mudanças são quase todos montados com um anel elástico metálico. Uma espécie de anilha plana com uma ranhura transversal, que entra à pressão no veio e prende o carreto ao cubo. A dificuldade de montagem destas anilhas é já notoriamente reconhecida e requer alguma paciência. Aconselho o uso de um alicate de pontas para primeiro alargar a anilha, uma chave de fendas na ranhura para manter a anilha aberta e uma outra chave de fendas para a empurrar para o seu encaixe no veio. Não é uma tarefa que garantidamente corra bem à primeira tentativa, pelo que requer alguma paciência ou outro par de mãos a ajudar. A imagem seguinte mostra o anel elástico (cinza escuro) devidamente assente contra o carreto ( prato prateado no fundo da imagem)



O segundo ponto, relaciona-se com as anilhas anti-rotação que o cubo usa e que impedem que o eixo acompanhe a rotação do cubo. A Shimano fornece uma folha técnica onde se podem escolher as anilhas mais apropriadas para cada quadro. Para um quadro normal de mudanças, com dropouts verticais, a Shimano indica a anilha verde no lado esquerdo e a anilha azul no lado direito. Caso o cubo seja montado com as anilhas nesta posição o porta cabos vai ficar horizontal ao chão, apenas capaz de receber cabos que venham pelas escoras inferiores (chainstays). Ora, grande parte dos quadros de BTT actuais fazem o routing do cabo pela escora superior (seatstay). Para que o porta-cabos fique alinhado com a escora superior basta trocar a posição das anilhas anti-rotação: -Verde na direita e azul na esquerda (lado do disco).



A foto seguinte mostra o alinhamento do porta cabos com a escora superior, possível devido ao uso da anilha 8L do lado direito.



Finalmente, é importante apertar as porcas do eixo com um binário muito elevado (30 a 45 N.m). Dado que poucos terão chave dinamométrica capaz de lidar com estas porcas (especialmente a reparar um furo no meio do trilho), fica a ideia de que não basta só dar um jeitinho para ficar no sítio. É preciso força nos braços. Em carga, o sistema das anilhas anti-rotação faz com que o eixo mal apertado se possa mover muito facilmente uns mm do lado da transmissão e desalinha a roda.

Como se comporta no trilho?

Pegando pela primeira vez na bicicleta, o cubo supreende pelo seu funcionamento suave e constante. Já tinha tido a experiência de contactar com alguns cubos de velocidade de gamas mais baixas e a diferença é do dia para noite. Quem testou o Rohloff e o Alfine diz que de facto o Rohloff consegue ser ainda mais suave, mas considero que o Alfine é bastante agradável de utilizar, apenas com um ocasional clique ou choque durante a troca de mudanças. Durante a primeira volta sente-se um ligeiro arrastar do cubo, uma força a empurrar os pedais para a frente, mas à medida que os km vão entrando o cubo fica rapidamente solto, tão agradável nesse aspecto como outro qualquer cubo de gama média.



Atacando os caminhos de BTT, somos surpreendidos também pela rapidez com que as mudanças estão disponíveis. É rápido, eficaz e constante. Engrena parado, engrena enquanto se derrapa numa curva de uma descida mais interessante, passa da mudança mais alta para a mudança mais baixa sem se queixar e relativamente depressa. Digo relativamente depressa porque o manípulo têm a restrição de meter apenas uma mudança de cada vez, algo a que já não estava habituado com os manípulos Rapid Fire da Shimano. Mas, face ao restrito número de mudanças disponíveis, acaba por não ser de todo grave e as vantagens práticas do cubo sobrepõem-se a essa pequena limitação. A capacidade de reduzir sem precisar de mover os pedais é um verdadeiro "game-changer" em zonas muito técnicas ou com transições constantes de ritmo. Caso se pretenda mesmo uma solução para trocar mais do que uma velocidade de cada vez, existe o Twist-shifter Nexus que é compatível com o Alfine. Mais leve e bem mais barato que o trigger Rapid Fire, têm no entanto a reputação de ser um pouco frágil. Penso futuramente adquirir um destes manípulos para testar.



As únicas dificuldades que encontrei com o funcionamento do cubo são as reduções em carga extremamente elevada, constatei isso em subidas acima dos 15% de inclinação. Aí, a embraiagem parece ter dificuldade em re-bloquear após a mudança e requer um ligeiro aligeirar da carga nos pedais para que a passagem se conclua. Um pequeno pré-planeamento de ataque às rampas mais agressivas é necessário para evitar cair nestas situações.

Um pormenor menos bom do cubo é o seu "engagement", a distância que os cranques rodam livres até a transmissão de movimento se efectuar. Nos cubos normais, isto é ditado pelo número de linguetas e rampas dentro do cepo. Informação mais detalhada num informativo post do amigo Bravellir. A título de exemplo, um cubo XTR dispõe de 24 pontos fixos, o que faz com que os pedais rodem um máximo de 15º até começarem a transmitir força. Pelo que me apercebi, o Alfine têm um comportamento irregular, em que o "engagement", além de ser longo, depende da mudança seleccionada e das embraiagens que estão activas nesse momento. O resultado final é que em manobras muito lentas, como por exemplo navegar cuidadosamente entre pedras grandes, o feeling dos pedais acaba por ser um pouco falso devido à sua inconstância.

Em termos dinâmicos, uma vez que o cubo concentra e acrescenta o peso da transmissão quase todo atrás e no centro da roda traseira, o equilíbrio da bicicleta fica ligeiramente alterado. Isto nota-se fundamentalmente em zonas técnicas (onde por vezes se necessita de levantar ligeiramente a traseira para ultrapassar obstáculos), ou na recepção de pequeno salto.

Outro detalhe do Alfine que requer alguma habituação é a remoção rápida da roda, por exemplo para trocar uma câmara de ar. É necessário levar uma chave inglesa 15 para desapertar as porcas e prática a desmontar e montar o sistema de cabo. Embora seja um procedimento simples, requer experiência e atenção às instruções da Shimano para que se consiga fazer a troca rapidamente no trilho. É preciso praticar em casa, para não ser surpreendido quando o azar chegar.

Resta agora falar da grande questão que pende sobre o Alfine, o alcance da sua gama de mudanças. O Alfine não substitui nem de longe nem de perto uma transmissão 3x9 moderna. Com um carreto de 20 dentes, o seu alcance é o equivalente a uma cassete de 12-38t. O que o Alfine nos proporciona é um sistema muito semelhante em termos de capacidade a um sistema sistema 1x9.

Neste momento encontro-me a usar uma combinação prato-carreto 32-18, orientada para terrenos mais inclinados e subidas longas. E ainda assim, a minha mudança mais baixa é apenas equivalente a uma mudança 22-24 de uma transmissão convencional, bastante longe do 22-34 que muitas bicicletas dispõem. Honestamente, é uma mudança que fisicamente me serve bastante bem, face a minha experiência de mais de um ano a usar uma bicicleta singlespeed 32-16 com sucesso em todo o tipo de provas e passeios. Mas admito que não sirva para toda a gente.

Optar por uma mudança ainda mais baixa traz dois problemas para considerar. O primeiro é o esforço mecânico adicional introduzido no cubo. Ao usar uma mudança muito baixa, o binário de entrada aumenta e com isso se reduz a durabilidade do cubo. Usar o Alfine com um prato de frente de 22 dentes é receita ideal para destruir o cubo. Embora a Shimano não mencione limites de entrada, a Rohloff é bastante rígida com esse limite e combinações de pratos que resultem numa taxa abaixo de 2.35 (calculada dividindo o número de dentes do prato, pelo número de dentes do carreto) resulta em garantia invalidada. O segundo problema consiste na curta mudança mais alta. Se optarmos por uma mudança inicial muito baixa vamos ter uma mudança alta muito curta, com pouca velocidade de ponta. É este o principal dilema para quem optar pelo Alfine.

Na minha aplicação, sinto que o alcance é suficiente, quase que parece que a Shimano encontrou o alcance mínimo exequível. Para a minha aplicação pretendida cumpre e é exactamente o que esperava quando adquiri o cubo. Era no entanto bom ter talvez 2 mudanças extra. Uma mais baixa, outra mais elevada, para aumentar a amplitude uns 50%.

E pesos?

Convertendo uma bicicleta para Shimano Alfine costuma resultar num ligeiro aumento de peso, e dependendo da qualidade da transmissão convencional que vamos remover até podemos tirar peso. No meu caso o ganho de peso cifrou-se em perto de 300 gramas.

De qualquer modo, aqui ficam os pesos dos componentes necessários, para que cada interessado possa fazer as suas contas.

Cubo - 1590 gramas - Não confirmado, valores de fabricante.

Carreto de 18 dentes - 60 gramas



Shifter, cabo e espiral - 244 gramas



Kit de montagem (porcas, anel porta-cabos, anel de fixação, anilhas anti-rotação) - 92 gramas



Tensor - 201 gramas



Em suma...

Estou bastante satisfeito com a performance actual do cubo Alfine. É certo que não é bala mágica para acabar com todos os problemas de transmissão. É um pouco curto em amplitude de mudanças, um pouco pesado e tem alguns compromissos de design que penalizam o aspecto prático. Mas penso que nenhum desses defeitos é grave o suficiente para se tornar num obstáculo ao uso em BTT. Com uma escolha criteriosa dos carretos e pratos, pode ser encarado como uma alternativa válida para quem estiver disposto a sacrificar a ajuda das mudanças mais baixas e ganhar bastante na simplicidade e fiabilidade de afinação da transmissão.

Talvez não seja a arma mais adequada para épicos de alta montanha, ou longas tiradas a alta velocidade em estrada , mas para voltinhas domingueiras não compromete. Penso que a verdadeira vantagem do Alfine é a sua relação custo-benefício, especialmente quando comparado com a referência germânica, o Rohloff SpeedHub 14. Fica apenas a dúvida sobre a fiabilidade a longo prazo. Quase todos os relatos apontam para uma durabilidade excelente com a manutenção correcta, mas vou dando notícias.

Especificações



Documentação técnica da Shimano

Cubo Shimano SG-501

Vista explodida/lista de peças
Instruções de montagem

Shifter Shimano SL-500

Vista explodida/lista de peças
Instruções de montagem

Tensor Shimano CT-S500

Vista explodida/lista da peças
Instruções de montagem
 
#3
Boas
De facto, mais uma vez temos aqui uma amostra do que melhor se escreve em fóruns por esse mundo fora.
Relativamente ao cubo, desde há algum tempo que me sinto atraído por ele. Combina mudanças com fiabilidade e com baixo preço, algo de certa forma único actualmente.

No ultimo Sábado tive oportunidade de o experimentar por trilhos da Maia. A primeira surpresa é o tamanho do cubo. Ao contrario do que pode parecer nas imagens, na pratica quase não se distingue de um normal. A seguir vem o peso. Estava à espera de encontrar uma espécie de ancora presa ao centro da roda. No entanto, pegando na bicicleta e analisando, a diferença é mais uma vez mínima.
Umas voltinhas em frente à oficina revelam algo estranho.... a suavidade! É tanta que por vezes parece que não aconteceu nada. Finalmente nos trilhos, e ultrapassando a minha falta de habito em gerir transmissões com varias mudanças (a minha única bike é uma SS), o Alfine abre um mundo novo. As trocas de relação são quase instantâneas, limpas e seguras. Tudo funciona coordenado, de forma lógica, fazendo lembrar a caixa de velocidades de uma mota, mas ainda mais suave e silenciosa. Depois, tal como o proprietário do cubo diz, vem a parte mais incrível. A meio de uma subida ou parte técnica, podemos parar, por uma mudança diferente, e começar a andar imediatamente. Isto abre muitas, muitas portas.

Relativamente à amplitude de relações, tenho duas coisas a dizer. A primeira é sobre a mudança mais pesada. No setup que aqui vemos, vai ser equivalente a 32-12. Pessoalmente considero esta relação completamente suficiente para um uso geral em btt. Não se esbanja energia com relações demasiado pesadas em épicos, e estando eu habituado a SS, com um pouco de rotação esta anda muito bem, mesmo em estrada com pneus de btt.
Quanto à mais leve, já é mais complicada a avaliação. É equivalente a 32-38. Numa abordagem geral, pareceu-me ser suficiente para btt. A coisa do "quem puxa 32-16 em todo o lado também puxa esta" parece funcionar ate um certo ponto, mas se assim fosse nem fazia sentido ter o cubo com mudanças. Penso que será algo insuficiente para aqueles épicos com mais de 100kms e subidas muito longas e acentuadas em alta montanha. Mais experiencia poderá dar respostas.

:wink:
 
#4
350plus, ainda bem que há gajos como tu aqui no fórum para poder dar testemunhos na primeira pessoa de coisas que a generalidade das pessoas nem sonha em vir a usar... :wink:
 
#5
Obrigado Plus!

Excelente análise, excelente escrita, excelentes conhecimentos. E como já disseram atrás, és uma das mais valias deste Fórum.

Só questiono :-K

O que virá a seguir?

Abraço e parabéns!

Jorge
 
#6
Como utilizador quase diário de cubos Sturmey Archer de 3 velocidades, sempre senti uma enorme curiosidade em transpor o mesmo género de mudanças para o btt no entanto sem oportunidade de o experimentar. Posto isto, excelente análise e transmissão de conhecimento, vai dando noticias sobre o comportamento a longo prazo.
 

ET

New Member
#7
Aqui está um tópico que considero indispensável para o futuro do Btt.

Estes cubos são, na minha opinião, muito práticos no que respeita à manutenção. Daquilo que conheço (muito pouco) e analisando descrição do Plus, depreendo uma grande vantagem que será a ausência de material "pendurado" na bicicleta. É uma boa vantagem comparando com os desviadores que utilizamos.

Outra vantagem será a possibilidade de trocar velocidades quer em andamento, quer parados, quer a deslizar e até mesmo a cair :D

Para mim o peso não é uma desvantagem, não me incomoda a bicicleta ter mais 300 ou 400 gramas.

Quanto às relações concordo com a análise feita: para quem anda de SS até acho que são ralações/relações a mais! :)

Só uma pergunta: e o esticador? É mesmo necessário?

ET
 
#8
ET said:
...Só uma pergunta: e o esticador? É mesmo necessário?
Estava a pensar exactamente no mesmo... :roll:

Deve ser por causa das ponteiras/dropouts do quadro e do esticar da corrente, tal como acontece nas SS's, não?
 
#9
Exactamente. Se o quadro fosse especifico de singlespeed, já não seria necessário esticador. Podes ver aqui a foto da minha:






Plus, só posso dizer uma coisa: Excelente!

Já ando a testar um deste Novembro, como muitos sabem, e não existe nada que eu possa acrescentar a esta análise, a não ser o facto de passado 6 meses o cubo se comportar como se tivesse sido comprado ontem. Durabilidade, aprovada.

Muito bom mesmo. :#1:
 
#10
Não te vou dizer outra vez o que te disse na análise da Kona snake... :p
Dissipás-te as minhas dúvidas quanto ao Alfine...bem...ficou uma...pelo que sei as medidas dos cubos de uma Mtb regular para uma estradista têm comprimentos diferentes, como contornar esse problema de forma a ser adaptável para btt? As anilhas serão suficientes? :|
 
#11
O cubo é de 135mm, standard de btt. As anilhas são colocadas em função da direcção da ponteira, apenas para fixar a posição do eixo, e do lado exterior, mas nada tem a ver com a largura do quadro.


Edit. Vê aqui, anilha verde:


 
#12
Vitorzip said:
Plus, só posso dizer uma coisa: Excelente!

Já ando a testar um deste Novembro, como muitos sabem, e não existe nada que eu possa acrescentar a esta análise, a não ser o facto de passado 6 meses o cubo se comportar como se tivesse sido comprado ontem. Durabilidade, aprovada.

Muito bom mesmo. :#1:
Notícias excelentes! E essa GT (pelo pouco que se vê...) tá simplesmente fantástica. Sabes que eu e as bicicletas verdes... :mrgreen:

Já agora, como podes ver optei pelo 32-16, fundamentalmente para aproveitar o prato Salsa que tinha extra. Mas inspirado nas boas sugestões e grande ajuda que me deste, arranjei um carreto Nexus de 16t para experimentar umas mudanças um pouco mais pesadas.

Tchivalo said:
Dissipás-te as minhas dúvidas quanto ao Alfine...bem...ficou uma...pelo que sei as medidas dos cubos de uma Mtb regular para uma estradista têm comprimentos diferentes, como contornar esse problema de forma a ser adaptável para btt? As anilhas serão suficientes? :|
Como o Vitorzip já disse, com espaçamento de BTT isto é só montar e andar . O problema que se põe é mesmo fazer o contrário, montar isto numa bicicleta de estrada ou de cross. Aí é preciso maquinar uns componentes novos e recorrer a um shifter especial para drop-bars.

ET said:
Só uma pergunta: e o esticador? É mesmo necessário?
Quase que não era. 32-18 é a "mudança mágica" do quadro BH. A corrente fecha bem e quase sem folga. Quase, porque fiz uma volta assim e a corrente saiu quando um pau foi lá parar. E mesmo que não saísse também nunca seria uma solução a longo prazo. Uma coisa é certa, é tudo muito mais suave e menos barulhento sem esticador.

Assim que voltares ás lides (muito brevemente, espero) eu levo esta geringonça para poderes testar! :wink:
 

ET

New Member
#13
Agradeço a amabilidade. Vou aceitar o fazer o teste, até porque estou a montar mais uma SS com o quadro Giant XTC e este Cubo está a dar-me umas ideias...

ET
 

Alf

Active Member
#16
Epá, conforme prometido e com uma semana de atraso, cá vai o meu comentário (não o podia fazer sem uma atenta leitura):

Este Plus é um verdadeiro senhor. Uma análise fantástica, do aspecto técnico, do aspecto de linguagem, de organização... :clap: Aprende-se sempre qualquer coisa, e não dá para contestar :mrgreen:

Agora só te recomendo uma coisa: cuidado com o binário que aplicas nessa coisa, é melhor começares a tomar uns calmantes antes do treino :twisted:

Parabéns (pela análise, que cubos há muitos) :lol: :wink:

P.S: Tenho a dizer que é uma vergonha ter que vir buscar este tópico à segunda página. Afinal o argumento das cores sempre faz algum sentido... :)
 
#17
Estar na segunda pagina não me surpreende... Afinal este cubo não aparece na Bike Magazine nem nenhuma Specialized de btt vem equipada com ele :lol:

EDIT: afinal vem na Bike, mas não numa bicicleta de btt
 
#18
Antes de mais, parabéns pela excelente análise.
Fiquei bastante impressionado com este cubo. Fiquei também com algumas dúvidas, nomeadamente:

Para BTT, tipo Allmountain, é aconselhável?
 
#20
Lula22 said:
Para BTT, tipo Allmountain, é aconselhável?
Como disse, a durabilidade do cubo a muito longo prazo ainda está para ser testada. Há já muitos casos de sucesso mas nunca nos devemos esquecer que este cubo foi originalmente projectado para bicicletas de cidade ou conforto. Ainda assim, devido ao seu forte eixo de aço, deve dar bastante rigidez extra ao quadro.

O maior problema que encontro para um uso de All-Mountain é mesmo o alcance disponível. Para All Mountain, especificamente aquele feito com bicicletas relativamente pesadas e cursos grandes (porque se pode fazer all mountain com qualquer bicicleta), é fundamental ter mudanças muito baixas disponíveis. A avozinha é essencial para calmamente levar as máquinas de grande curso até aos pontos mais altos. Mas se configurarmos o Alfine de modo a conseguir subir tudo vamos ter uma velocidade de ponta muito curta, que pode não interessar nas descidas.

Uma coisa é certa, nas descidas o Alfine brilha pela facilidade que dá na passagem de mudanças sem necessidade de pedalar ou de ter a roda de trás a rodar. Isso a descer depressa faz grande diferença.