Rota Vicentina 2014

#62
Boa tarde,
as vezes que percorri a costa fiquei em parques de campismo, pelo preço, pela localização e porque não é muito fácil arranjar outras alternativas, o inconveniente é o peso extra da tenda e do saco cama mas isso faz parte do desafio, pois ainda faltam 2 semanas para efectivamente percorrer a Vicentina mas já à algum tempo que estou a trabalhar na mesma e a organização meticulosa da coisa também faz parte da diversão :p
 
#63
boa tarde amigo anarciso, obrigado pela dica!
e sim, também gosto da aventura verdadeira... mas essa parte da organização meticulosa... eheheh isso assusta-me!!!
Será que me vou esquecer de algo? ;) gosto de fazer um bom planeamento... mas julgo também que ao percorrer o teu track, onde já tens assinalado os pontos de dormida e refeições... é uma ajuda do best!!
Vai ser a primeira vez que me vou aventurar na navegação por GPS... vamos ver se quando der por mim não estou a chegar ao Porto... :)
Caro anarciso, pedia-te ainda mais um favor, caso tenhas... que me envies um lista daquilo que não nos podemos mesmo esquecer de levar para a aventura!!! Tipo uma check List
Obrigado mais uma vez pela excelente e preciosa ajuda!!
 
#64
Boas pessoal

Estou a pensar fazer o mesmo na 2ª quinzena de Setembro, e tambem seguir as dicas do anarciso e outros companheiros.

Em principio vou fazer a solo, e apenas o 1º dia pedalar o dia todo, os restantes será apenas ate cerca das 13h e aproveitar as tardes, pois a minha esposa irá me acompanhar e ter comigo com o carro nos locais previamente combinados.

A ultima etapa deverá ser Sagres-Lagos... mas ainda falta delinear muita coisa
 
#65
A minha Check List
Roupa:
• 2 pares de Calções (1 vestido)
• 3 Jerseys (1 vestido)
• 3 pares de Meias (1 vestido)
• 2 Tapa cabeça (bandana 1 vestido)
• 1 corta vento (as noites no litoral às vezes são frias)
• 1 Chinelos, para tomar banho e para a noite
• 1 Calção para a noite e dormir
• 1 Tshirt para a noite e para dormir
• 1 luvas
• 1 óculos
• 1 capacete
• 1 sapatos BTT
• 2 bidões de 1 litro para água e isotónico, no quadro da bicla, reabastecer sempre que se passa por um local onde haja água
Nota: Todas as peças de roupa na mochila e nos alforges, vão embaladas individualmente em sacos de plástico com o menos ar possível.
Suplementos e alimentação:
• 6 –Barras bolos da Kelloggs (fruta e fibra)
• 2 Gel tipo bomba para emergência
• 2 Pacotes de gomas
• 3 Doses de isotónico
• 5 Sandes de presunto feitas embrulhadas em papel de alumínio para o almoço e lanche do 1º dia, para os outros dias compra-se de manhã ou à noite num supermercado, acompanhadas de peças de fruta.
Vários:
• 1 Embalagens de pastilhas elásticas
• 1 Escova de dentes (mini)
• 1 Pasta de dentes (mini)
• 1 Mini carregador p/ telemóvel, Mp3, GoPro, máquina de fotos
• 1 Mp3
• 1 Tenda
• 1 Saco Cama
• 1 Almofada (especial, pesa 25g)
• 1 Toalha
• 2 Sabonetes de glicerina
• 1 Creme Assus para a nalga
• 1 Protector solar
• 1 Máquina de fotos
• 1 GoPro
• 1 Mini emb. de creme hidratante para a pele
• 2 Elásticos para manter os alforges junto ao suporte
• 2 Saco de plástico 260l para se necessário embrulhar a bicla
• 1 Rolo de fita de papel para o mesmo
• 10 Fita de serrilha (electricista) para o mesmo
• 2 Pilhas para o GPS
• 1 Carteira com Gito e Documentos
• Guia da Rota Vicentina (está no site) horário dos comboios, contactos dos parques e da Junta de Freguesia do Cercal


Ferramentas e peças suplentes
• 1 Bolsa no espigão do selim com o que normalmente levo para a serra
• 2 Camaras de ar
• 1 Chave multiusos
• 1 Óleo para a corrente
• 3 Panos pequenos para limpeza
• 4 Elos rápidos de corrente
• 3 Desmontas
• 1 Cabo de mudanças
• 1 Pastilhas de travão
 

Pedro Barradas

Well-Known Member
#69
E uns elásticos robustos (os que vêm com as câmaras não são maus) e/ou zip-ties, nunca se sabe se não tens de improvisar uma qq fixação.
EDIT: já vi que tens isso contemplado ;)
 
#72
Maravilha de relato, estava a ler e ao mesmo tempo conseguia identificar cada troço. Esse ultimo troço Sagres-Lagos é durinho, só ontem é que o percorri na totalidade, vai lá vai. Isso quer é as aldeias Históricas para o próximo ano, empeno gigantesco garantido uiiiiiiiiiii
 
#73
Para quem não tem FaceBook!

Rota vicentina – 11 a 14 agosto 2014
Desta vez vou dedicar esta crónica a todos aqueles que não podem, não querem ou
não lhes apetece dar aos pedais…aqueles que sei que não vão ler mais que esta frase,
aos que criticam só porque sim, aos que não veem pra lá do horizonte… aqueles que
não entendem e jamais entenderão esta forma de viver em harmonia com a natureza,
aos que procuram nas fraquezas dos outros as suas vitórias, aos que não ousam…
porque nem sempre pedalar é quando um homem quiser!
Etapa 0:
Esta viagem começou à alguns meses… nem sei bem de onde!
visitas ao forumbtt… conversas com amigos… e surge a ideia final!
Percorrer a rota vicentina de bike, de Troia a Lagos, qualquer coisa como 280 kms em
quatro dias!!
Convites feitos aos colegas habituais do pedal… uns não podem, outros não têm
tempo… outros nem respondem…. Mas a coisa vai-se fazer! O amigo Consta responde
de imediato que alinha, tínhamos era que conjugar bem as datas… para coincidir com
as férias dele e encaixar nos poucos dias livres que tinha no seu regresso a Portugal.
Uma aventura deste calibre não é para todos, garantidamente, e nem todos ousam
fazê-la… ainda assim realçamos o nosso espírito de sacrifício, superação dos nossos
limites, as dores no corpo e o cansaço de longos quilómetros, a falta de treinos e
tantos outros fatores necessários para o sucesso final… O BTT é isto… motivação em
alta e vamos nós, aproveitar uns dias para alinhar azimutes, sobretudo!
Os meses foram passando, troca de mensagens e logísticas afinadas… GPS adjudicado,
tendas para campismo, suportes para transportar algum do material, mochilas
prontas…
o grande dia aproxima-se… o nervoso miudinho apodera-se um pouco da “malta”… a
ultima noite, como sempre, durmir é uma cena que não nos assiste…

Etapa 1 – 11AGO14:
São 5h30 da matina, hora de levantar, montar a bike em cima do carro… mochilas no
porta bagagens! Siga buscar o Consta a casa com a respetiva bike… o destino era a
estação rodoviária em Fátima.
Embalámos as nossas montadas, bem acondicionadas com umas esponjas para não
riscarem os “cromados”, enroladas em plásticos pretos, rodas atadas com
abraçadeiras… Tudo pronto para embarcar!!
Despeço-me do meu filhote e esposa… vamos ter tantas saudades uns dos outros, mas
são apenas quatro dias!
Quando demos por nós já estávamos a desembarcar em Lisboa, onde teríamos que
trocar de autocarro para seguirmos viagem até Setúbal.
Apanhamos o Ferry para Troia… a adrenalina subia… estávamos bem perto de dar
“fogo à peça” por aquele Alentejo abaixo (e acima também)!
Eram umas 11h30 quando demos as primeiras pedaladas, já na margem esquerda do
Sado… Afinar a leitura com o GPS, e siga… era a minha primeira vez a navegar com esta
maravilha dos tempos modernos, estava um pouco apreensivo pois devia ter feito um
ou dois troços antes para treinar a navegação. Mas como bom ”tuga” a coisa ia correr
bem certamente… e se não corresse voltava para trás (o que por acaso só deve ter
acontecido umas dezenas de vezes).
Pedalamos cerca de 1h30 até chegarmos ao Carvalhal, tínhamos percorrido uma boa
parte em asfalto até à Comporta, entrámos nuns arrozais onde pedalamos lado a lado
com os canais de agua que irrigam os campos!
Almoço no Carvalhal, uns filetes fritos com arroz de tomate!
A tarde avizinhava-se dura, muito dura… pois tínhamos apenas percorrido cerca de 20
kms, são 2 da tarde, temos ainda que pedalar “apenas” mais 70 kms…
O calor faz-se sentir, pedalamos maioritariamente por asfalto… até Melides, estamos
com 40 mais coisa menos coisa… as retas começam a ganhar formas, as descidas têm
sempre o reverso no final… aparece a primeira subida do dia, que me lembre… em
asfalto, mesmo à saída de Melides! O GPS indica à esquerda, mas ignoro… e continuo a
subir à procura de uma entrada à esquerda que não aparece… o sonoro do GPS avisa
mais uma vez que estou fora do rumo… desço uns metros e lá está um corte bem
camuflado com a caruma e folhas dos pinheiros e chaparros ali da zona… a partir
daqui, começa o sofrimento do dia… um sobe e desce constante!
Entrámos realmente no Alentejo, um calor abrasador naquela meia tarde… a agua
transforma-se quase por magia em chá – não interessa… queremos zarpar, pedalar até
ao mar! Ainda falta…
Chegamos a um lugar calmo, parece perdido no meio do Alentejo – Parral,
encontramos um casal de meia idade à sombra dumas das paredes da sua casa,
comendo melancia, paro quase automaticamente, cumprimento-os, e peço-lhes que
nos deixem trocar o nosso chá por água mais fresca! Respondem-me efusivamente,
trocamos três ou quatro frases, conversa fácil, ficava ali o resto da tarde… donde
somos para onde vamos (gente doida devem ter pensado, certamente). Com uma
simpatia única, a Sra. Diz-nos que a água da torneira não é grande coisa, levanta-se
rapidamente e vai buscar um garrafão de água de “compra”… melhor, traz consigo
duas covetes de gelo, que nos “obriga” a colocar dentro dos bidons! Fico parvo com
estas atitudes, ainda bem que há pessoas assim, que nos fazem sentir bem… mesmo
não nos conhecendo de parte alguma… seguimos viagem mais satisfeitos, com um
sorriso rasgado!
Uns bons kms à frente parámos novamente, tínhamos que comprar mais água…
entrámos numa tasca de mais uma aldeia “perdida” nos montes alentejanos… onde
mais uma vez a simpatia reina!
Passávamos “ao lardo de Sines”, dirigíamo-nos para Santiago do Cacém, onde iriamos
entrar verdadeiramente na Rota Vicentina!
O destino de hoje era Porto Covo, onde iriamos pernoitar no parque de campismo
costa do Vizir.
Alcançamos a barragem de Morgavel, estamos perto… já cheira a mar novamente!
Rolamos agora em asfalto novamente, são quase 20h, o sol já está a cair para o mar… e
nós a pedalar!
Chegámos, finalmente ao camping, onde somos simpaticamente recebidos, trocámos
umas ideias, pagámos logo, pois queríamos sair cedo no dia seguinte! Tudo certo,
montamos a “barraca”, banho retemperador, faísca amarrada à Giant do Consta,
vamos à procura de janta!
Entrámos na rua do comercio de Porto Covo, e não demorámos muito a entrar num
restaurante onde desmontámos logo uma sapateirazita… regada com uma bela
sangria! Jantámos depois… ainda fizemos por ali mais um giro… mas logo recolhemos
ao parque… pois o dia tinha sido bem grande e o seguinte adivinhava-se igualmente
longo!
Etapa 2 – 12AGO14 – Porto Covo – Aljezur:
Acordar… bem, não se pode dizer bem que tenha acordado, pois dormir esta noite foi
uma miragem! Fui dormitando ao longo da noite… não estou habituado a colchões tão
macios… bom, em frente!
A etapa de hoje, teoricamente, seria mais fácil… pois teríamos que percorrer apenas
85 kms aos invés dos 94 do dia anterior…
Arrumámos as coisas… embrulhámos tudo novamente, carregamos as bikes nos super
suportes do LIDL (10 euros bem empregues), mochila às costas e siga… parámos logo
no primeiro tasco para tomar o pequeno almoço ainda em Porto Covo! A hora ainda
quase madrugada (pelo menos por ali) tivemos que esperar que o padeiro chegasse
para que pudéssemos enfardar umas sandochas… mamámos um compal de litro pelos
dois e vamos embora dar aos pedais!
Descemos até ao mini porto de pesca de Porto Covo para subir do outro lado… a fazer
chover logo de manhã!
Circulávamos agora junto ao mar… as vistas matinais agradavam, fomo-nos cruzando e
sendo ultrapassados por alguns amantes do BTT que, certamente aproveitam as suas
férias para dar umas curvas em zonas diferentes!
Rapidamente avistamos a Ilha do pessegueiro, o forte já abandonado que outrora
certamente serviu para defender a nossa costa! Uns metros mais à frente tivemos o
primeiro percalço da nossa aventura… o GPS manda em frente, o caminho seguia à
esquerda, mas o certo é que em frente estava lá um trilho… não demorou mais que 30
segundos e já um homenzinho vinha de braço no ar e telemóvel ao ouvido…
interpelou-nos de forma menos amistosa dizendo que ali não passava rota vicentina
nenhuma, que era terreno particular! Rápida e educadamente lá demos meia volta ao
“cavalo” e fomos procurar a tal dita rota! O Sr. Até pode ter toda a razão do mundo,
que tem! Mas podia pelo menos ser mais educado… ou no limite poderá sempre vedar
o seu terreno à semelhança de outros por ali…
A “corrida” continua, afastando-nos do mar novamente, estradões… e comer kms…
Chegamos a Vila Nova de Mil Fontes onde novo percalço, desta vez com um camarada
GNR… (começo a pensar que este dia seria bastante produtivo…) que me interpela,
estando eu estacionado no meio de um passeio (a servir mais ou menos de rotunda) a
segurar as duas bikes enquanto o Consta “falava para a parede”… “acha que está aqui
bem com a bicicletas passeio a obstruir a passagem? Tem ali o estacionamento…” diz o
GNR. Eu lá respondi que pensava deixar os estacionamentos para os carros que
(aquela hora era muitos a circular) pretendessem estacionar… mas lá encostei as bikes
às escadas duma loja ali mesmo!
Bom, lá seguimos a nossa etapa, um belo e curto single track para sairmos de Mil
Fontes, atravessámos a ponte… e novamente terra batida!
Zarpávamos agora entre Herdades, estradões e mais estradões, areia e mais areia…
umas vezes em cima delas outras ao lado a empurrar, alcançamos Almograve onde
entramos num espetacular single que nos faz desembocar numa ravina para o mar,
uma vista simplesmente fantástica! Estávamos junto ao cabo sardão… faltam cerca de
10 a 12 kms para a Zambujeira do Mar… é cedo, ainda não é meio-dia, vamos pedalar e
vamos almoçar à Zambujeira!
E assim foi, desde o Cabo Sardão até praticamente à Zambujeira do Mar fazemos junto
à costa com vistas soberbas, paragens obrigatórias para fotografar… afastamo-nos
ligeiramente da costa e vão aparecendo quintinhas de turismo rural extremamente
convidativas…
Chegamos à Zambujeira! Almoço num dos restaurantes da zona, com vista privilegiada
para o mar… sai um bitoque e uma mousse de chocolate!
A saída da Zambujeira faz de imediato desaparecer as calorias da mousse… tal é a
inclinação da descida invertida! Tínhamos percorrido uns 50 kms, restavam-nos uns
meros 30 para o destino do dia! O cansaço começa a fazer-se sentir: mãos, braços,
pés… até os calções em contato com o selim!
Alguns troços ainda de areia solta a obrigar atenção redobrada… kms e kms ao longo
dum canal de água que serve de regadio para as culturas ali da zona!
Estavamos prestes a despedir-nos do Alentejo e a dar as boas vindas ao Algarve…
repentinamente o canal de água desaparece numa espécie de caixa/poço… um
estradão convida-nos a seguir por ele… entramos numa zona de mato recentemente
cortado onde um sr. Ainda nos alerta para termos cuidado para não furar os pneus nos
restos de silvas e carrascos que acabara de cortar… e surge uma descida
completamente avassaladora… uma vista fantástica sobre a ribeira de Odeceixe que
serpenteia até se desfazer no Atlântico! Era sem duvida uma despedida do Alentejo
em grande, brutalidade de descida (mal sabia eu o que ia encontrar dali para a frente)
quis, por momentos, não ter peso nas costas nem suporte na traseira da bike…
Se a despedida do Alentejo foi boa, as boas vindas ao Algarve não se ficaram nada
atrás… sai uma subidita em asfalto com uns 4 ou 5 kms até à praia de Odeceixe.
Faltavam apenas uns 10 a 15 kms para terminar a etapa do dia… Continuamos junto a
mais um canal de água durante algum tempo, deixamo-lo depois para entroncar em
estradões que nos levaram até à porta do Parque de Campismo do Serrão a uns
escassos 2 ou 3 kms de Aljezur!
Mais uma etapa concluída com sucesso, sofrimento mas com felicidade… acomodámo-nos, rotina diária de montar a barraca, banho… tempo ainda para um mergulho na
piscina do parque (soube que nem ginjas).
Logisitiva de compras no mini mercado do parque como preparativo do dia seguinte,
pequeno almoço e almoço (umas sandochas de presunto).
O jantar foi igualmente no self service do parque do Serrão, umas lulinhas à algarvia
regadas com uma estupenda sangria! Café e um whisky para a sossega e para ajudar a
dormir melhor… e bora Xonar que o dia que se avizinha vai ser duro…
Etapa 3 – Aljezur – Sagres – Salema:
A noite correu melhor… não fosse a chuvada que caiu desde a 3h da matina até às
seis… ainda tive tempo para recolher as toalhas de banho que tínhamos posto a
secar… o resto do material ficou mesmo ao relento… o que foi um total desconsolo no
dia seguinte! Enfiar a cabeçorra naquele capacete molhado foi assim uma coisa… Os
dois equipamentos que deixara igualmente a secar, fizeram aumentar o peso no
suporte, talvez uns dois kilitos…
Bem, lá saímos depois de tudo embrulhado novamente… seguiu-se quase de imediato
uma descida daquelas… a fazer abrir a pestana logo pela manhã (não que fosse
espetacular, mas a inclinação e os calhauzitos e valas e zonas mais arenosas…)
Seguiu-se uma subida daquelas de abrir o pulmão, até ao castelo se Aljezur, por ruas
de calçada… lá em cima a recompensa: uma descida quem nem deu para nos
recompormos e toma lá outra subida…
A manhã prometia, estávamos a cerca de 20 kms da Carrapateira, pedalamos em
estradões e mais estradões… subidas e descidas, nada de especial… entre pinhais e
zonas “carecas” de vegetação mais alta…
Desembocámos, finalmente, na estrada nacional que dá acesso à Carrapateira, 3 ou 4
kms a rolar a bom ritmo! O GPS do Jorge teima em mandar subir… mas desta vez leva-nos novamente a ver o mar bem de perto! Vistas fantásticas!
Pedalávamos agora junto ao mar, ora afastando ora chegando mais perto, num sobe e
desce quase imperceptivel… alcançamos a praia do Amado!
O GPS manda-nos para a esquerda e quase de seguida à direita… aparece uma
mensagem de rota: “Pedonal a pé” olho para o terreno, descampado… com o mar à
minha frente… uma escarpa à minha esquerda… troco umas ideias com o Consta…
chegamos rapidamente à conclusão que teria que ser mesmo por ali por onde o GPS
teimava em mandar… Subir… lá encontramos o inicio daquele risco que minutos antes
tínhamos observado aquando da aproximação à praia do Amado! Era mesmo por ali…
a pé! Sim a pé! Nem teimei… pois o varejo que a carga debaixo e atras do selim
mandavam… era o suficiente para me por às cambalhotas com a minha faísca ali
encosta abaixo… e na realidade não havia necessidade disso!
Lá subimos a penantes. Já no topo um trilho semelhante do outro lado… agora a
descer! Monta novamente a faísca e siga… mas rapidamente acabou a “festa”! Nova
“pedonal a pé” ligeiramente mais “caprichosa”…. Com uma descida igualmente
fantástica… estava maravilhado! A praia de um lado e a serra do outro, fantástico
troço! Duro de se fazer com uns 14 ou 15 kilos “em cima”, mas fantástico!
Seguiu-se uma “**** subida” que não tive sequer coragem de me montar na faísca…
acabara de galgar um banco de areia com pouco mais de 10 metros… o GPS teima em
subir… lá fomos subindo a empurrar as “burras” largos minutos até que a coragem
regressou e lá engatei na bizavó… e enrolei corrente mais um pouco!
Topo da subida, descida curta e corte à direita desce mais abruptamente e novo topo,
curto, que nos põe num sitio onde o caminho desaparecera… o GPS manda para a
esquerda… espreitamos… e lá aparece o caminho… mais parecia uma escarpa… tal era
a inclinação, esta sim era estupidamente abrupta… desencaixo o pé do pedal
esquerdo… pouso no chão (como que a fazer de trem de aterragem) sento-me no
quadro, com a mochila fincada no selim a dar uma posição merdosa para descer… mas
lá fui… agarrado aos meus XT super fiáveis por ali abaixo, naquela que considero a
descida mais perigosa… solta e com uns calhauzitos desejosos de serem “apalpados”
pelo ripado de alguém desprovido de juízo… a meio da descida aparece um trilho
alternativo que oferece uma segurança (pelo menos a mim ofereceu) nem exitei…
montei-me como deve ser e lá fui eu encosta abaixo… até ao vale!
Ahhh GPS do camano…. Manda novamente subir… daquelas que me dão um gozo
especial, uma inclinação enorme mas sobretudo onde temos que escolher a cada
pedalada onde vamos pôr a roda da frente!
A subida parecia interminável, a avozinha nunca tinha sido enrolada durante tanto
tempo… qual Maunça, qual Z da fórnea…
O Consta apita… dizendo que a luz da reserva acabara de acender… tínhamos mesmo
que parar para retemperar forças… ainda faltavam uns kmzitos para pedalar até ao
destino do dia…
Parámos ali debaixo dum Xaparro, das poucas sombras nestes últimos kms! Estava
uma ventosga daquelas, afinal a sombra não era precisa… aproveitei o vento para por
a roupa a secar, pendurada naquela arvore amiga… bastou meia hora e estava tudo
seco!
Uma da tarde, estava na hora de zarpar novamente, tudo arrumado, trouxa às costas e
siga…
Tinhamos percorrido pouco mais de 30 kms, a etapa era bem dura… começava a
pensar que tínhamos ali que fazer novamente até à noite…
Entrámos agora em alcatrão, por pouco tempo é certo, para novamente nos
embrenharmos nos estradões, tínhamos agora o nosso amigo vento, que até ali tinha
sido um aliado empurrando-nos nas costas, de frente… forte…
Vamos descendo, e curvando e descendo… até que o mar se nos depara lá bem em
baixo à nossa frente… uma nova praia… desta vez a da Barriga! Descemos e descemos
e continuamos a descer… por vezes a velocidades não muito aconselháveis para a
carga que trazia, mas não resisto! Varias vezes sobrou bike e faltou caminho… travões
a fundo e regresso ao caminho certo!
Novamente a praia à nossa frente, num cotovelo do caminho… estamos novamente ao
nível do mar, portanto… o GPS manda… Subir…
Tínhamos passado na descida por um inglês que percorria o caminho a pé, notava-se
que não era a primeira vez que andava nestas aventuras… mas fiquei parvo (mais)
quando olho para trás a meio da subida e vejo o “camone” a palmilhar… cada passada
ficava mais perto e mais perto… até que desisto de pedalar por uns segundos, engulo
mais umas goladas de água do bidon… e onde é que já ia o “gajo”??
Viemos novamente a encontra-lo um ou dois quilómetros mais à frente, numa
brutalidade de descida que nos levaria à praia da Cordoama… para mim este é o trilho
do percurso… com uma inclinação estupida… com apenas meio metro de largura, dum
lado o mar (ou a praia) do outro uma escarpa de alguns metros, a sensação de andar
no fio da navalha… adorei descer e largar um bocadito os travões!
Sai duas ou três Alvegas seguidas (ali ao pé de Fátima), uma subidita em asfalto… para
fazer gastar mais uns “litros de gasolina”… sentia-me bem, mesmo bem… engreno a
pedaleira do meio e carrego em segunda por ali acima, para experimentar! Fui
alternando entre 1ª e 2ª até ao topo… chovia torrencialmente, devem ser uns 3 kms a
subir… valeu!
Faltavam apenas uns meros 15 kms para alcançar-mos o cabo de São Vicente, no Km 0
da via Algarviana… onde percorreríamos cerca de 40 até Lagos! Acabaram as subidas
grandes e inclinadas, acabaram igualmente as pilhas… das pernas…. Estradões
novamente, asfalto, descer ligeiramente, a velocidade a aumentar, a vontade de
chegar, a etapa estava ganha…
Foto da praxe no Km 0 e siga… o GPS diz que tem fome… chegamos ao parque de
campismo de Sagres!
Vamos continuar? Vamos pois, se ficarmos 10 kms mais à frente é menos esses que
temos para amanhã…
Parámos na praia do Martinhal, onde deglutimos um hambúrguer e demos eletricidade
ao GPS para continuarmos viagem!
Passado pouco mais de meia hora já estávamos a pedalar novamente… ou melhor… a
empurrar a bikes… arribas acima!
Percorremos alguns metros ali taco a taco com o mar lá em baixo, a paisagem é
simplesmente soberba… nada se compara ao nosso Algarve!
Tínhamos entrado numa zona rochosa, a lembrar a nossa zona… pedra e mais pedra…
desce montado… (as vezes) sobe a teimar com o pedal e com o pneu da frente…
qualquer cascalho já parecia uma montanha…
Afastámo-nos da costa novamente, voltámos a ver praias bem de perto… Zavial,
Barranco… para nos afastarmos novamente…. Entrámos num troço de asfalto que nos
levaria até Figueiras onde parámos… sorvemos uma imperial quase de penalty…
estávamos a uns escassos 800 metros do parque de campismo da Salema – Quinta do
Carriços – onde iriamos pernoitar!
Jantar no restaurante do parque muito bom, o ambiente fantasticamente calmo…
jantámos uma Marisco à Salema (arroz de marisco, diferente… brutal)
Tempo ainda para o whisky da ordem… e siga chonar…
Faltam apenas uns 20 kms, para Lagos!
Etapa 4 – Salema – Lagos:
Levantar cedo, arrumar a trouxa e toca dar aos pedais… fomos a figueiras novamente
procurar um sitio para tomar o pequeno almoço… mas nada… tudo fechado! Só abriam
lá para as nove da matina!
O amigo Batista, que estava de férias em Lagos, fez questão de se juntar a nós… para
esta ultima etapa! Tinha percorrido esta mesma rota na semana anterior mas não teve
tempo para esta ultima etapa…
Encontrámo-nos, tomámos finalmente o pequeno almoço e lá seguimos… em direção a
Budens para entrarmos novamente no percurso.
Umas subidas boas, muito boas para descer… onde tivemos que empurrar novamente
as montadas!
Estávamos novamente no cimo da arriba… toca a rasgar! Burgau… Falésia Dourada…
Praia da Luz! Nova subida para abrir o pulmão… nova troca de posição! Subíamos
agora uns carreiros de down Hill… até alcançarmos o marco geodésico lá bem no alto!
Mais uma fotos, aproveitando umas turistas inglesas que faziam a sua caminhada
matinal e se deliciavam, tal como nós, com aquelas vistas fantásticas…
Fogo à peça que estamos quase lá… Porto de Mós!
Chegámos… estamos a subir a ultima rampa… já dentro de Lagos praticamente!
Largamos o track GPS (finalmente) para seguir o nosso guia Gino Batista que nos
conduz até ao seu apartamento para podermos tomar um duche rápido, arrumar
melhor as mochilas e preparar o regresso a casa.
Abancámos no restaurante Adega da Marina, já depois de termos comprado os
bilhetes da Rede Expressos que nos traria de volta a Fátima!
O cardápio era, sem dúvida, excelente. Optámos por mandar vir um naco de novilho
(sim, eu sei que devíamos ter aproveitado a proximidade com o mar para morfar um
peixinho) que regámos muito bem com umas caneca de cerveja…
Foi uma aventura simplesmente fantabulástica… zero avarias (tirando um furo na
Specialized do Batista quase a chegar à praia da Luz, onde tive que encavar um taco na
roda de tras) zero quedas (tirando um mergulho para a areia que a faísca me obrigou a
dar) um espetáculo mesmo!
Trilhos do melhor, subidas possantes, descidas vertiginosas… o que é que se quer
mais?
venha a próxima…
Um agradecimento especial ao António Narciso do Forumbtt, pelas dicas importantes
e pela disponibilidade constante para ajudar, por ter disponibilizado o track que
seguimos!
Um obrigado do tamanho do percurso ao nosso amigo Jorge Clérigo que desde a
primeira hora disponibilizou o seu GPS para que seguíssemos a rota!
Ao meu companheiro de aventura, meu grande amigo, de hoje e de sempre, Paulo
Constantino, um bem haja do tamanho do mundo, pela sua disponibilidade e desejo
sempre presente de dar aos pedais e de me acompanhar nestas aventuras, estando
longe… abdicou das suas férias em família em troca de 4 dias de aventura em
autonomia total – és GRANDE!
Á minha mulher e filho um agradecimento gigantesco, por mais uma vez me
proporcionar estas aventuras que tanto gosto, é sempre tão bom voltar a casa e ter
dois pares de braços abertos à nossa espera e prontos a abraçar-nos!

Bem hajam!
Pedro Madrugo
Agosto 2014
 
#74
Para quem não tem FaceBook!

Rota vicentina – 11 a 14 agosto 2014
Desta vez vou dedicar esta crónica a todos aqueles que não podem, não querem ou
não lhes apetece dar aos pedais…aqueles que sei que não vão ler mais que esta frase,
aos que criticam só porque sim, aos que não veem pra lá do horizonte… aqueles que
não entendem e jamais entenderão esta forma de viver em harmonia com a natureza,
aos que procuram nas fraquezas dos outros as suas vitórias, aos que não ousam…
porque nem sempre pedalar é quando um homem quiser!
Etapa 0:
Esta viagem começou à alguns meses… nem sei bem de onde!
visitas ao forumbtt… conversas com amigos… e surge a ideia final!
Percorrer a rota vicentina de bike, de Troia a Lagos, qualquer coisa como 280 kms em
quatro dias!!
Convites feitos aos colegas habituais do pedal… uns não podem, outros não têm
tempo… outros nem respondem…. Mas a coisa vai-se fazer! O amigo Consta responde
de imediato que alinha, tínhamos era que conjugar bem as datas… para coincidir com
as férias dele e encaixar nos poucos dias livres que tinha no seu regresso a Portugal.
Uma aventura deste calibre não é para todos, garantidamente, e nem todos ousam
fazê-la… ainda assim realçamos o nosso espírito de sacrifício, superação dos nossos
limites, as dores no corpo e o cansaço de longos quilómetros, a falta de treinos e
tantos outros fatores necessários para o sucesso final… O BTT é isto… motivação em
alta e vamos nós, aproveitar uns dias para alinhar azimutes, sobretudo!
Os meses foram passando, troca de mensagens e logísticas afinadas… GPS adjudicado,
tendas para campismo, suportes para transportar algum do material, mochilas
prontas…
o grande dia aproxima-se… o nervoso miudinho apodera-se um pouco da “malta”… a
ultima noite, como sempre, durmir é uma cena que não nos assiste…

Etapa 1 – 11AGO14:
São 5h30 da matina, hora de levantar, montar a bike em cima do carro… mochilas no
porta bagagens! Siga buscar o Consta a casa com a respetiva bike… o destino era a
estação rodoviária em Fátima.
Embalámos as nossas montadas, bem acondicionadas com umas esponjas para não
riscarem os “cromados”, enroladas em plásticos pretos, rodas atadas com
abraçadeiras… Tudo pronto para embarcar!!
Despeço-me do meu filhote e esposa… vamos ter tantas saudades uns dos outros, mas
são apenas quatro dias!
Quando demos por nós já estávamos a desembarcar em Lisboa, onde teríamos que
trocar de autocarro para seguirmos viagem até Setúbal.
Apanhamos o Ferry para Troia… a adrenalina subia… estávamos bem perto de dar
“fogo à peça” por aquele Alentejo abaixo (e acima também)!
Eram umas 11h30 quando demos as primeiras pedaladas, já na margem esquerda do
Sado… Afinar a leitura com o GPS, e siga… era a minha primeira vez a navegar com esta
maravilha dos tempos modernos, estava um pouco apreensivo pois devia ter feito um
ou dois troços antes para treinar a navegação. Mas como bom ”tuga” a coisa ia correr
bem certamente… e se não corresse voltava para trás (o que por acaso só deve ter
acontecido umas dezenas de vezes).
Pedalamos cerca de 1h30 até chegarmos ao Carvalhal, tínhamos percorrido uma boa
parte em asfalto até à Comporta, entrámos nuns arrozais onde pedalamos lado a lado
com os canais de agua que irrigam os campos!
Almoço no Carvalhal, uns filetes fritos com arroz de tomate!
A tarde avizinhava-se dura, muito dura… pois tínhamos apenas percorrido cerca de 20
kms, são 2 da tarde, temos ainda que pedalar “apenas” mais 70 kms…
O calor faz-se sentir, pedalamos maioritariamente por asfalto… até Melides, estamos
com 40 mais coisa menos coisa… as retas começam a ganhar formas, as descidas têm
sempre o reverso no final… aparece a primeira subida do dia, que me lembre… em
asfalto, mesmo à saída de Melides! O GPS indica à esquerda, mas ignoro… e continuo a
subir à procura de uma entrada à esquerda que não aparece… o sonoro do GPS avisa
mais uma vez que estou fora do rumo… desço uns metros e lá está um corte bem
camuflado com a caruma e folhas dos pinheiros e chaparros ali da zona… a partir
daqui, começa o sofrimento do dia… um sobe e desce constante!
Entrámos realmente no Alentejo, um calor abrasador naquela meia tarde… a agua
transforma-se quase por magia em chá – não interessa… queremos zarpar, pedalar até
ao mar! Ainda falta…
Chegamos a um lugar calmo, parece perdido no meio do Alentejo – Parral,
encontramos um casal de meia idade à sombra dumas das paredes da sua casa,
comendo melancia, paro quase automaticamente, cumprimento-os, e peço-lhes que
nos deixem trocar o nosso chá por água mais fresca! Respondem-me efusivamente,
trocamos três ou quatro frases, conversa fácil, ficava ali o resto da tarde… donde
somos para onde vamos (gente doida devem ter pensado, certamente). Com uma
simpatia única, a Sra. Diz-nos que a água da torneira não é grande coisa, levanta-se
rapidamente e vai buscar um garrafão de água de “compra”… melhor, traz consigo
duas covetes de gelo, que nos “obriga” a colocar dentro dos bidons! Fico parvo com
estas atitudes, ainda bem que há pessoas assim, que nos fazem sentir bem… mesmo
não nos conhecendo de parte alguma… seguimos viagem mais satisfeitos, com um
sorriso rasgado!
Uns bons kms à frente parámos novamente, tínhamos que comprar mais água…
entrámos numa tasca de mais uma aldeia “perdida” nos montes alentejanos… onde
mais uma vez a simpatia reina!
Passávamos “ao lardo de Sines”, dirigíamo-nos para Santiago do Cacém, onde iriamos
entrar verdadeiramente na Rota Vicentina!
O destino de hoje era Porto Covo, onde iriamos pernoitar no parque de campismo
costa do Vizir.
Alcançamos a barragem de Morgavel, estamos perto… já cheira a mar novamente!
Rolamos agora em asfalto novamente, são quase 20h, o sol já está a cair para o mar… e
nós a pedalar!
Chegámos, finalmente ao camping, onde somos simpaticamente recebidos, trocámos
umas ideias, pagámos logo, pois queríamos sair cedo no dia seguinte! Tudo certo,
montamos a “barraca”, banho retemperador, faísca amarrada à Giant do Consta,
vamos à procura de janta!
Entrámos na rua do comercio de Porto Covo, e não demorámos muito a entrar num
restaurante onde desmontámos logo uma sapateirazita… regada com uma bela
sangria! Jantámos depois… ainda fizemos por ali mais um giro… mas logo recolhemos
ao parque… pois o dia tinha sido bem grande e o seguinte adivinhava-se igualmente
longo!
Etapa 2 – 12AGO14 – Porto Covo – Aljezur:
Acordar… bem, não se pode dizer bem que tenha acordado, pois dormir esta noite foi
uma miragem! Fui dormitando ao longo da noite… não estou habituado a colchões tão
macios… bom, em frente!
A etapa de hoje, teoricamente, seria mais fácil… pois teríamos que percorrer apenas
85 kms aos invés dos 94 do dia anterior…
Arrumámos as coisas… embrulhámos tudo novamente, carregamos as bikes nos super
suportes do LIDL (10 euros bem empregues), mochila às costas e siga… parámos logo
no primeiro tasco para tomar o pequeno almoço ainda em Porto Covo! A hora ainda
quase madrugada (pelo menos por ali) tivemos que esperar que o padeiro chegasse
para que pudéssemos enfardar umas sandochas… mamámos um compal de litro pelos
dois e vamos embora dar aos pedais!
Descemos até ao mini porto de pesca de Porto Covo para subir do outro lado… a fazer
chover logo de manhã!
Circulávamos agora junto ao mar… as vistas matinais agradavam, fomo-nos cruzando e
sendo ultrapassados por alguns amantes do BTT que, certamente aproveitam as suas
férias para dar umas curvas em zonas diferentes!
Rapidamente avistamos a Ilha do pessegueiro, o forte já abandonado que outrora
certamente serviu para defender a nossa costa! Uns metros mais à frente tivemos o
primeiro percalço da nossa aventura… o GPS manda em frente, o caminho seguia à
esquerda, mas o certo é que em frente estava lá um trilho… não demorou mais que 30
segundos e já um homenzinho vinha de braço no ar e telemóvel ao ouvido…
interpelou-nos de forma menos amistosa dizendo que ali não passava rota vicentina
nenhuma, que era terreno particular! Rápida e educadamente lá demos meia volta ao
“cavalo” e fomos procurar a tal dita rota! O Sr. Até pode ter toda a razão do mundo,
que tem! Mas podia pelo menos ser mais educado… ou no limite poderá sempre vedar
o seu terreno à semelhança de outros por ali…
A “corrida” continua, afastando-nos do mar novamente, estradões… e comer kms…
Chegamos a Vila Nova de Mil Fontes onde novo percalço, desta vez com um camarada
GNR… (começo a pensar que este dia seria bastante produtivo…) que me interpela,
estando eu estacionado no meio de um passeio (a servir mais ou menos de rotunda) a
segurar as duas bikes enquanto o Consta “falava para a parede”… “acha que está aqui
bem com a bicicletas passeio a obstruir a passagem? Tem ali o estacionamento…” diz o
GNR. Eu lá respondi que pensava deixar os estacionamentos para os carros que
(aquela hora era muitos a circular) pretendessem estacionar… mas lá encostei as bikes
às escadas duma loja ali mesmo!
Bom, lá seguimos a nossa etapa, um belo e curto single track para sairmos de Mil
Fontes, atravessámos a ponte… e novamente terra batida!
Zarpávamos agora entre Herdades, estradões e mais estradões, areia e mais areia…
umas vezes em cima delas outras ao lado a empurrar, alcançamos Almograve onde
entramos num espetacular single que nos faz desembocar numa ravina para o mar,
uma vista simplesmente fantástica! Estávamos junto ao cabo sardão… faltam cerca de
10 a 12 kms para a Zambujeira do Mar… é cedo, ainda não é meio-dia, vamos pedalar e
vamos almoçar à Zambujeira!
E assim foi, desde o Cabo Sardão até praticamente à Zambujeira do Mar fazemos junto
à costa com vistas soberbas, paragens obrigatórias para fotografar… afastamo-nos
ligeiramente da costa e vão aparecendo quintinhas de turismo rural extremamente
convidativas…
Chegamos à Zambujeira! Almoço num dos restaurantes da zona, com vista privilegiada
para o mar… sai um bitoque e uma mousse de chocolate!
A saída da Zambujeira faz de imediato desaparecer as calorias da mousse… tal é a
inclinação da descida invertida! Tínhamos percorrido uns 50 kms, restavam-nos uns
meros 30 para o destino do dia! O cansaço começa a fazer-se sentir: mãos, braços,
pés… até os calções em contato com o selim!
Alguns troços ainda de areia solta a obrigar atenção redobrada… kms e kms ao longo
dum canal de água que serve de regadio para as culturas ali da zona!
Estavamos prestes a despedir-nos do Alentejo e a dar as boas vindas ao Algarve…
repentinamente o canal de água desaparece numa espécie de caixa/poço… um
estradão convida-nos a seguir por ele… entramos numa zona de mato recentemente
cortado onde um sr. Ainda nos alerta para termos cuidado para não furar os pneus nos
restos de silvas e carrascos que acabara de cortar… e surge uma descida
completamente avassaladora… uma vista fantástica sobre a ribeira de Odeceixe que
serpenteia até se desfazer no Atlântico! Era sem duvida uma despedida do Alentejo
em grande, brutalidade de descida (mal sabia eu o que ia encontrar dali para a frente)
quis, por momentos, não ter peso nas costas nem suporte na traseira da bike…
Se a despedida do Alentejo foi boa, as boas vindas ao Algarve não se ficaram nada
atrás… sai uma subidita em asfalto com uns 4 ou 5 kms até à praia de Odeceixe.
Faltavam apenas uns 10 a 15 kms para terminar a etapa do dia… Continuamos junto a
mais um canal de água durante algum tempo, deixamo-lo depois para entroncar em
estradões que nos levaram até à porta do Parque de Campismo do Serrão a uns
escassos 2 ou 3 kms de Aljezur!
Mais uma etapa concluída com sucesso, sofrimento mas com felicidade… acomodámo-nos, rotina diária de montar a barraca, banho… tempo ainda para um mergulho na
piscina do parque (soube que nem ginjas).
Logisitiva de compras no mini mercado do parque como preparativo do dia seguinte,
pequeno almoço e almoço (umas sandochas de presunto).
O jantar foi igualmente no self service do parque do Serrão, umas lulinhas à algarvia
regadas com uma estupenda sangria! Café e um whisky para a sossega e para ajudar a
dormir melhor… e bora Xonar que o dia que se avizinha vai ser duro…
Etapa 3 – Aljezur – Sagres – Salema:
A noite correu melhor… não fosse a chuvada que caiu desde a 3h da matina até às
seis… ainda tive tempo para recolher as toalhas de banho que tínhamos posto a
secar… o resto do material ficou mesmo ao relento… o que foi um total desconsolo no
dia seguinte! Enfiar a cabeçorra naquele capacete molhado foi assim uma coisa… Os
dois equipamentos que deixara igualmente a secar, fizeram aumentar o peso no
suporte, talvez uns dois kilitos…
Bem, lá saímos depois de tudo embrulhado novamente… seguiu-se quase de imediato
uma descida daquelas… a fazer abrir a pestana logo pela manhã (não que fosse
espetacular, mas a inclinação e os calhauzitos e valas e zonas mais arenosas…)
Seguiu-se uma subida daquelas de abrir o pulmão, até ao castelo se Aljezur, por ruas
de calçada… lá em cima a recompensa: uma descida quem nem deu para nos
recompormos e toma lá outra subida…
A manhã prometia, estávamos a cerca de 20 kms da Carrapateira, pedalamos em
estradões e mais estradões… subidas e descidas, nada de especial… entre pinhais e
zonas “carecas” de vegetação mais alta…
Desembocámos, finalmente, na estrada nacional que dá acesso à Carrapateira, 3 ou 4
kms a rolar a bom ritmo! O GPS do Jorge teima em mandar subir… mas desta vez leva-nos novamente a ver o mar bem de perto! Vistas fantásticas!
Pedalávamos agora junto ao mar, ora afastando ora chegando mais perto, num sobe e
desce quase imperceptivel… alcançamos a praia do Amado!
O GPS manda-nos para a esquerda e quase de seguida à direita… aparece uma
mensagem de rota: “Pedonal a pé” olho para o terreno, descampado… com o mar à
minha frente… uma escarpa à minha esquerda… troco umas ideias com o Consta…
chegamos rapidamente à conclusão que teria que ser mesmo por ali por onde o GPS
teimava em mandar… Subir… lá encontramos o inicio daquele risco que minutos antes
tínhamos observado aquando da aproximação à praia do Amado! Era mesmo por ali…
a pé! Sim a pé! Nem teimei… pois o varejo que a carga debaixo e atras do selim
mandavam… era o suficiente para me por às cambalhotas com a minha faísca ali
encosta abaixo… e na realidade não havia necessidade disso!
Lá subimos a penantes. Já no topo um trilho semelhante do outro lado… agora a
descer! Monta novamente a faísca e siga… mas rapidamente acabou a “festa”! Nova
“pedonal a pé” ligeiramente mais “caprichosa”…. Com uma descida igualmente
fantástica… estava maravilhado! A praia de um lado e a serra do outro, fantástico
troço! Duro de se fazer com uns 14 ou 15 kilos “em cima”, mas fantástico!
Seguiu-se uma “puta subida” que não tive sequer coragem de me montar na faísca…
acabara de galgar um banco de areia com pouco mais de 10 metros… o GPS teima em
subir… lá fomos subindo a empurrar as “burras” largos minutos até que a coragem
regressou e lá engatei na bizavó… e enrolei corrente mais um pouco!
Topo da subida, descida curta e corte à direita desce mais abruptamente e novo topo,
curto, que nos põe num sitio onde o caminho desaparecera… o GPS manda para a
esquerda… espreitamos… e lá aparece o caminho… mais parecia uma escarpa… tal era
a inclinação, esta sim era estupidamente abrupta… desencaixo o pé do pedal
esquerdo… pouso no chão (como que a fazer de trem de aterragem) sento-me no
quadro, com a mochila fincada no selim a dar uma posição merdosa para descer… mas
lá fui… agarrado aos meus XT super fiáveis por ali abaixo, naquela que considero a
descida mais perigosa… solta e com uns calhauzitos desejosos de serem “apalpados”
pelo ripado de alguém desprovido de juízo… a meio da descida aparece um trilho
alternativo que oferece uma segurança (pelo menos a mim ofereceu) nem exitei…
montei-me como deve ser e lá fui eu encosta abaixo… até ao vale!
Ahhh GPS do camano…. Manda novamente subir… daquelas que me dão um gozo
especial, uma inclinação enorme mas sobretudo onde temos que escolher a cada
pedalada onde vamos pôr a roda da frente!
A subida parecia interminável, a avozinha nunca tinha sido enrolada durante tanto
tempo… qual Maunça, qual Z da fórnea…
O Consta apita… dizendo que a luz da reserva acabara de acender… tínhamos mesmo
que parar para retemperar forças… ainda faltavam uns kmzitos para pedalar até ao
destino do dia…
Parámos ali debaixo dum Xaparro, das poucas sombras nestes últimos kms! Estava
uma ventosga daquelas, afinal a sombra não era precisa… aproveitei o vento para por
a roupa a secar, pendurada naquela arvore amiga… bastou meia hora e estava tudo
seco!
Uma da tarde, estava na hora de zarpar novamente, tudo arrumado, trouxa às costas e
siga…
Tinhamos percorrido pouco mais de 30 kms, a etapa era bem dura… começava a
pensar que tínhamos ali que fazer novamente até à noite…
Entrámos agora em alcatrão, por pouco tempo é certo, para novamente nos
embrenharmos nos estradões, tínhamos agora o nosso amigo vento, que até ali tinha
sido um aliado empurrando-nos nas costas, de frente… forte…
Vamos descendo, e curvando e descendo… até que o mar se nos depara lá bem em
baixo à nossa frente… uma nova praia… desta vez a da Barriga! Descemos e descemos
e continuamos a descer… por vezes a velocidades não muito aconselháveis para a
carga que trazia, mas não resisto! Varias vezes sobrou bike e faltou caminho… travões
a fundo e regresso ao caminho certo!
Novamente a praia à nossa frente, num cotovelo do caminho… estamos novamente ao
nível do mar, portanto… o GPS manda… Subir…
Tínhamos passado na descida por um inglês que percorria o caminho a pé, notava-se
que não era a primeira vez que andava nestas aventuras… mas fiquei parvo (mais)
quando olho para trás a meio da subida e vejo o “camone” a palmilhar… cada passada
ficava mais perto e mais perto… até que desisto de pedalar por uns segundos, engulo
mais umas goladas de água do bidon… e onde é que já ia o “gajo”??
Viemos novamente a encontra-lo um ou dois quilómetros mais à frente, numa
brutalidade de descida que nos levaria à praia da Cordoama… para mim este é o trilho
do percurso… com uma inclinação estupida… com apenas meio metro de largura, dum
lado o mar (ou a praia) do outro uma escarpa de alguns metros, a sensação de andar
no fio da navalha… adorei descer e largar um bocadito os travões!
Sai duas ou três Alvegas seguidas (ali ao pé de Fátima), uma subidita em asfalto… para
fazer gastar mais uns “litros de gasolina”… sentia-me bem, mesmo bem… engreno a
pedaleira do meio e carrego em segunda por ali acima, para experimentar! Fui
alternando entre 1ª e 2ª até ao topo… chovia torrencialmente, devem ser uns 3 kms a
subir… valeu!
Faltavam apenas uns meros 15 kms para alcançar-mos o cabo de São Vicente, no Km 0
da via Algarviana… onde percorreríamos cerca de 40 até Lagos! Acabaram as subidas
grandes e inclinadas, acabaram igualmente as pilhas… das pernas…. Estradões
novamente, asfalto, descer ligeiramente, a velocidade a aumentar, a vontade de
chegar, a etapa estava ganha…
Foto da praxe no Km 0 e siga… o GPS diz que tem fome… chegamos ao parque de
campismo de Sagres!
Vamos continuar? Vamos pois, se ficarmos 10 kms mais à frente é menos esses que
temos para amanhã…
Parámos na praia do Martinhal, onde deglutimos um hambúrguer e demos eletricidade
ao GPS para continuarmos viagem!
Passado pouco mais de meia hora já estávamos a pedalar novamente… ou melhor… a
empurrar a bikes… arribas acima!
Percorremos alguns metros ali taco a taco com o mar lá em baixo, a paisagem é
simplesmente soberba… nada se compara ao nosso Algarve!
Tínhamos entrado numa zona rochosa, a lembrar a nossa zona… pedra e mais pedra…
desce montado… (as vezes) sobe a teimar com o pedal e com o pneu da frente…
qualquer cascalho já parecia uma montanha…
Afastámo-nos da costa novamente, voltámos a ver praias bem de perto… Zavial,
Barranco… para nos afastarmos novamente…. Entrámos num troço de asfalto que nos
levaria até Figueiras onde parámos… sorvemos uma imperial quase de penalty…
estávamos a uns escassos 800 metros do parque de campismo da Salema – Quinta do
Carriços – onde iriamos pernoitar!
Jantar no restaurante do parque muito bom, o ambiente fantasticamente calmo…
jantámos uma Marisco à Salema (arroz de marisco, diferente… brutal)
Tempo ainda para o whisky da ordem… e siga chonar…
Faltam apenas uns 20 kms, para Lagos!
Etapa 4 – Salema – Lagos:
Levantar cedo, arrumar a trouxa e toca dar aos pedais… fomos a figueiras novamente
procurar um sitio para tomar o pequeno almoço… mas nada… tudo fechado! Só abriam
lá para as nove da matina!
O amigo Batista, que estava de férias em Lagos, fez questão de se juntar a nós… para
esta ultima etapa! Tinha percorrido esta mesma rota na semana anterior mas não teve
tempo para esta ultima etapa…
Encontrámo-nos, tomámos finalmente o pequeno almoço e lá seguimos… em direção a
Budens para entrarmos novamente no percurso.
Umas subidas boas, muito boas para descer… onde tivemos que empurrar novamente
as montadas!
Estávamos novamente no cimo da arriba… toca a rasgar! Burgau… Falésia Dourada…
Praia da Luz! Nova subida para abrir o pulmão… nova troca de posição! Subíamos
agora uns carreiros de down Hill… até alcançarmos o marco geodésico lá bem no alto!
Mais uma fotos, aproveitando umas turistas inglesas que faziam a sua caminhada
matinal e se deliciavam, tal como nós, com aquelas vistas fantásticas…
Fogo à peça que estamos quase lá… Porto de Mós!
Chegámos… estamos a subir a ultima rampa… já dentro de Lagos praticamente!
Largamos o track GPS (finalmente) para seguir o nosso guia Gino Batista que nos
conduz até ao seu apartamento para podermos tomar um duche rápido, arrumar
melhor as mochilas e preparar o regresso a casa.
Abancámos no restaurante Adega da Marina, já depois de termos comprado os
bilhetes da Rede Expressos que nos traria de volta a Fátima!
O cardápio era, sem dúvida, excelente. Optámos por mandar vir um naco de novilho
(sim, eu sei que devíamos ter aproveitado a proximidade com o mar para morfar um
peixinho) que regámos muito bem com umas caneca de cerveja…
Foi uma aventura simplesmente fantabulástica… zero avarias (tirando um furo na
Specialized do Batista quase a chegar à praia da Luz, onde tive que encavar um taco na
roda de tras) zero quedas (tirando um mergulho para a areia que a faísca me obrigou a
dar) um espetáculo mesmo!
Trilhos do melhor, subidas possantes, descidas vertiginosas… o que é que se quer
mais?
venha a próxima…
Um agradecimento especial ao António Narciso do Forumbtt, pelas dicas importantes
e pela disponibilidade constante para ajudar, por ter disponibilizado o track que
seguimos!
Um obrigado do tamanho do percurso ao nosso amigo Jorge Clérigo que desde a
primeira hora disponibilizou o seu GPS para que seguíssemos a rota!
Ao meu companheiro de aventura, meu grande amigo, de hoje e de sempre, Paulo
Constantino, um bem haja do tamanho do mundo, pela sua disponibilidade e desejo
sempre presente de dar aos pedais e de me acompanhar nestas aventuras, estando
longe… abdicou das suas férias em família em troca de 4 dias de aventura em
autonomia total – és GRANDE!
Á minha mulher e filho um agradecimento gigantesco, por mais uma vez me
proporcionar estas aventuras que tanto gosto, é sempre tão bom voltar a casa e ter
dois pares de braços abertos à nossa espera e prontos a abraçar-nos!

Bem hajam!
Pedro Madrugo
Agosto 2014
 
#76
Olá malta,
acabei de ler o relato novamente, já devo ter lido este texto (FaceBook e agora aqui ) umas 5 vezes, é impressionante que ao ler os pormenores consigo identificar o lugar exacto a que te estás a referir.
Boa ideia de partilhar aqui , pelo menos o relato, para quem não tem FaceBook, vou fazer o mesmo em relação ás Aldeias Históricas mo outro tópico.
 
#77
Este ano também fiz esta aventura fantástica aqui fica o meu relato.....

Tudo começou há um ano atrás quando vi a aventura do Pedro Madrugo, ao ler e ver a sua aventura fiquei com vontade de a fazer e assim foi. Convidei os colegas da bicicleta, mas só o mano Luis Grilo confirmou de imediato, no inicio do ano marcamos as férias e começamos os preparativos, das máquinas e das pernas.
No fim de semana da partida haviam distracções (jantarada, feira medieval, etc) mas consegui resistir, e portei-me bem para as pernas estarem em condições.
Domingo de manhã arrancamos para Setúbal e conseguimos apanhar o Ferry para Tróia das 10h00, por volta das 10h30 estávamos a dar "fogo à peça".

Dia 1 7/JUNHO : Tróia - Porto Covo
No primeiro dia tínhamos cerca de 90kms para fazer, começámos a rolar no alcatrão passados alguns kms entramos no meio dos arrozais,onde fizemos alguns kms, para voltar ao alcatrão sempre a rolar a bom ritmo, as pernas estavam frescas e o acumulado era pouco, com +-30 kms tínhamos 1m de acumulado de subida :D .
Chegamos a Melides por volta das 12h30 com +- 45 kms feitos, almoçamos uma açorda de cação deliciosa e até pedimos outra dose, regado com uma cervejinha fresca e uma bela sobremesa para dar força. Estava bom mas tínhamos de nos fazer à estrada.
Depois do almoço começaram as subidas e vimos logo que não deviamos ter pedido outra dose. Por meio do sobrado alentejano eram picadas atraz de picadas, e a segunda parte do dia estava a ser bem dura.
Aproximavamo-nos de Santiago do Cacém onde estava combinado o reforço, uma geladinha patrocinada pelo amigoFilipe Goucha. Dois dedos de conversa e tivemos de nos fazer à estrada, mais umas quantas subidas e chegamos à barragem do Morgavel, já cheira a mar! A partir dai foi sempre a rolar até Porto Covo. Demos banho às burras, fomos guarda-las no Hostel e ainda fomos mandar um mergulho à praia, soube mesmo bem. O jantar foi um óptimo choco frito acompanhado dum branquinho fresquinho, um doce da casa e cama que amanhã o dia era duro. No hostel estavam mais colgegas de aventura, afinal não eramos só nós os “doidos”.

Dia 2 8/JUNHO: Porto Covo - Arrifana

Tomamos o pequeno almoço no hostel, fomos beber café para abrir a pestana e arrancámos com uma paisagem diferente, sempre junto ao mar com a companhia do som das ondas e o cheiro fresco e agradável do mar. Apanhamos alguns troços com areia que nos fazia desmontar e massacrava as pernas, mas a paisagem seguinte era tão boa que nos fazia esquecer a dureza. Chegamos a Vila Nova de Mil fontes e fizemos um desvio do percurso para relembrar anos passados e ir até à praia, depois, uma paragem para beber umas imperiais geladinhas e abastecer de água. A Giant não gostou da paragem e resolveu deixar de meter mudanças atrás, só metia a 1ª e 2ª. O problema não era de fácil resolução e descobrimos uma oficina de bicicletas ali perto, daquelas oficinas de motorizadas e bicicletas de esquina. Ao chegar o senhor estava mesmo de saida, disse-nos logo que não nos podia desenrascar porque tinha de ir ao médico com a esposa, nada feito. Disse que só numa terra seguinte havia mecânico de bicicletas (S.Teotónio). Resolvemos fazer os kms que faltavam até à Zambujeira e daí com o carro de apoio deslocarmo-nos à oficina. Apanhamos alguns troços de alcatrão onde o mano Luis sofria, pois pedalava pedalava e não saia do mesmo sitio. Chegamos à Zambujeira, o carro de apoio já nos esperava, comi uma bela feijoada de chocos com uma boas imperiais, estava mesmo a cair bem. Depois metemos as biclas em cima do carro e fomos procurar a oficina em S.Teotonio, nada, só em Odemira. Finalmente encontramos uma loja de bicicletas, a solução foi trocar o shifter e ficou impecável. De regresso à Zambujeira já eram 17h00 e ainda faltava muito que pedalar. Foi cerrar os dentes e arrancar, apanhando logo umas belas subidas para ajudar a digestão da feijoada e depois entrar Alentejo dentro seguindo durante bastantes kms junto a canais de irrigação, que ajudava a disfarçar o calor. Terminando os canais de água chegamos a uma descida com vista fantástica para Odeceixe, estávamos a chegar ao Algarve. Passando pela praia de Odeceixe voltamos a entrar em estradões até chegar ao parque de campismo do Serrão, o GPS indica final do 2ª dia, mas não era para nós, temos de fazer mais uns 10km até à Arrifana. Descemos para Aljezur e começamos uma subida em empedrado que nos faz abrir o peito e no final do dia as forças já não são muitas, o mano diz: - É mesmo por aí? Chegamos ao topo e ainda faltam uns kms em alcatrão. Finalmente chegamos à Pousada da Juventude de Arrifana pelas 20h00, montadas guardadas na garagem da pousada juntamente com os colegas do pedal de Aveiro e Mealhada um banho quente veio mesmo a calhar. Fomos jantar uns belos petiscos algarvios na Tasca da Arrifana, a comida estava ao nível das paisagens.

Dia 3 9/JUNHO: Arrifana - Sagres
Neste dia o colega Carlos Oliveira da Mealhada resolveu acompanhar-nos, fomos comprar água e almoço (sandes de presunto) pois este dia ia ser duro e fizemos-nos ao caminho. Ao sair da Arrifana encontramos logo as placas da Rota Vicentina, que nos encaminharam para o percurso do GPS, mas antes passamos por umas praias isoladas com umas belas descidas e subidas. De volta à rota e sem ponta de sombra, foi um sobe e desce entre praias desertas e onde só encontrávamos surfistas, até entrarmos na serra algarvia com subidas técnicas e descidas mais ao estilo de downhill, mas a dureza era directamente proporcional à beleza, sem duvida o dia mais bonito até agora. Paramos no sitio do Forno para abastecer de água e beber uma geladinha depois fomos para o passadiço de madeira que tinha uma vista fantástica para comer uma sandes de presunto. Continua o sobe e desce pelas praias com algumas passagens pedonais. Ao afastarmos da costa sem uma sombra o calor aperta e paramos debaixo da única árvore existente que deve ser área de serviço da zona para comer mais uma sandocha. Na praia da Cordoama mais um abastecimento e a respectiva cervejinha para dar força para a ultima subida, durinha em alcatrão. Finalmente algumas arvores e já estavamos a caminho de Sagres, com o farol do cabo S.Vicente à vista, seguimos o track do Carlos que nos levou para uma zona de singles com pedra e arbustos baixos, parecia que estava na serra D’aire. Finalmente chegamos a Sagres, tiramos as fotos da praxe, fomos até Bungalow do parque de campismo e o Carlos seguiu para o seu destino em Lagos (por alcatrão). Ainda deu tempo para mandar uns mergulhos na praia da Mareta com a água bem agradável. Grelhada mista para o jantar rematado com um medronho para ajudar a dormir.

Dia 4 10/JUNHO: Sagres - Lagos

O dia mais curto em kms mas não significa menos dureza, começamos logo a atravessar uma praia a pé e a passar numa zona privada dum hotel, e depois foi andar com biclas às costas, por meio de pedra e mais pedra e arbustos baixos bem aguçados....parecia que andava no PNSAC, a diferença é que tinha o azul do mar sempre por perto com paisagens mais uma vez fantásticas. Passamos por mais umas quantas praias até chegarmos a uma com um rio, o GPS manda atravessar na praia e passar pela encosta de pedra para poder continuar o percurso, o mano Luís não acreditava mas lá teve de ser. Depois mais umas picadas de tirar o fôlego chegamos à bela praia de Salema, paragem para abastecimento e claro imperial fresquinha. Chegando à praia da Luz, começávamos a ter uma visão assustadora do marco geodésico, era para lá que tínhamos de ir. Com uma subida tremenda a pé lá conseguimos chegar ao topo, e a vista compensa. Pedimos a uma "Camone" para nos tirar a foto e siga para Lagos com um azul turquesa do mar a acompanhar os trilhos fantásticos. Chegamos ao destino com um sorriso no rosto de missão cumprida.
Depois foi dar descanço às pernas e muita piscina e praia, saboreando a bela cozinha portuguesa.

Final da aventura, sem problemas físicos, sem furos e apenas a avaria do shifter.
Quero agradecer à minha esposa pelo apoio incondicional quer na preparação quer no apoio logistico durante estes dias, à minha filhota linda que se portou muito bem, ao meu irmão por ter aceite este desafio, ao Pedro Madrugo pelas dicas importantes e ao António Narciso pelo track irrepreensível.

Até à próxima......
 
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#78
Olá Pedro,
correu bem? porreiro, o importante é o pessoal divertir-se, recomendo as aldeias históricas para uma próxima, boas travessias :)
 
#80
Com estas leituras todas, será esta a Rota a seguir para 2017, juntamente com mais 5 amigos, o mesmo grupo, que este ano fez a Via Algarviana, sentido Alcoutim - Sagres.
Neste momento a minha grande duvida são mesmo "os bancos de areia" que têm de ser feitos a pé. São muitos (10, 20 ou mais) e que comprimento têm (+ de 1 km, menos..)?

Se alguém tiver alguns contactos de dormida (bungalow/hostel/pousadas/etc.) e puder partilhar, agradeço desde já, para irmos estruturando a coisa com tempo.

Já sabem, que se tiver mais duvidas/questões, os virei chatear! ;)

Obrigado