Tu não és um bttista

Não entremos em off-topic. Fiz só um pequeno comentário àquilo que li noutros posts desta thread. Cada um gasta o € onde quer e lhe bem apetece...mas esse pessoal só anda nisto pá mostrar e mais nada. Eu gosto de andar tanto no mato como na estrada...gosto de parar no meio do nada e deixar me estar à sombrinha. Passar em plantações alheias e ir à fruta...parar à beira do rio e dar um mergulho....ver coisas que de carro é impossivel termos noção....
 
Ora ai esta uma excelente resposta ao tópico e concordo na integra com esse pensamento também eu gosto de andar por ai a curtir os trilhos e a explorar a nossa natureza com tudo de belo que ela tem.
 
Olá demorei vários dias a procurar um sitio para colocar este vídio,pode não ser btt mas o espirito é o mesmo,e penso que este tópico é o ideal.

para quem tem aquela arrogançia eu é que sou o melhor,mas que na primeira oportunidade apanha o caminho mais curto,para avançar não se importa de atirar os colegas ao chão,deita o lixo para o chão porque pesa mais 30g no equipamento e faz perder um segundo no classificação onde vai ficar no 399ºlugar,para estes isto não vai dizer nada,bem como tudo o que foi escrito até aqui.

Para todos aqueles que como eu, realmente gostem desta maneira fantástica de estar e sentir a vida,que é o btt e da liberdade que nos dá,pois para muitos isso não é possível,ou melhor para este míudo não era possível até ao pai lutar pelo sonho do filho,já cheguei a ver uma reportagem completa sobre a participação fantástica destes atletas nesta mitica prova,infelizmente não a encontro dem lado nenhum,tenho a esperançã que alguém conheça essa reportagem e a partilhe,contudo fica aqui uma pequena parte desssa reportagem wque encontrei no faceboock,acho que vale a pena ver.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=_M9P71GEeOw#!
 
Olá Zé,já conhecia esse vídeo,é realmente muito impressionante,por muito secos que estejam os nossos olhos no decorrer da visualização vão ficar bem humedecidos.

Abraço
 
Boa tarde a todos!

Sou novato nestas coisas e se calhar a minha opinião até pode mudar daqui a uns meses ou anos.

Não li o tópico todo, apenas algumas páginas na diagonal.... mas de qualquer forma deixo aqui a minha opinião sobre o tópico.

Para mim este tópico não podia ser mais polémico e nunca o vai deixar de ser.
Este problema existe em todos os desportos. Já vi pessoal quase à batatada naqueles jogos de futsal entre amigos das quartas feiras à noite, portanto o mesmo se passa no BTT.

O instinto competitivo está nas pessoas, apenas se manifesta mais numas que noutras e outras conseguem se controlar melhor.

Não vale a pena individualizar atitudes e factos, pois sabemos todos que tudo o que foi enumerado aqui de facto acontece e é bem real.

Na minha MINHA opinião há explicação para isto e pode ser dividida em dois "escalões", mas tem tudo a ver com educação. O meu pensamento segue nesta linha:

Malta "nova" - Reflectem a imagem do País que vivemos - Falta de educação, de valores, desculpabilização pelos erros, facilitismo, conquistas sem esforço suor e lágrimas. É tudo dado e arregaçado! ( Claro que há excepções )

Malta "veterana" lol - Grande maioria dos que se acham prós são apenas frustrados por não terem tido as carreiras desportivas que sonharam e tentam ganhar agora alguma coisa já fora de horas. Encaram estas provas amadoras ( que são ) como se contassem para a classificação do campeonato. ( Claro que há excepções )!

Mas este problema não existe só nas maratonas mas já se começa a sentir nas voltas domingueiras! ISSO AÍNDA É MAIS GRAVE!!!!!!!

Querem melhorar tempos, aumentar resistencia, bater recordes, acho bem, mas FAÇAM-NO SOZINHOS E NÃO NO SEIO DOS VOSSOS COMPANHEIROS E AMIGOS!!!!!!

Boas pedaladas e DIVIRTAM-SE!!!!!!
 
Em 17-12-2009 escrevi neste mesmo tópico!

No meu tempo...(confuso), em que o tempo das Bolas de Berlim traziam farinha a mais e creme em fartura, em que o meu Renault 5 (BT-00-13) de cor beije era uma preciosidade típica de um azeiteiro nos dias correntes, em que isto e mais aquilo é que era, etc ,etc...! É que era!!!

Mas calma! Os tempos mudaram, as pessoas mudaram, e com esta mudança de postura, de relacionamento de convívio, de contra informação generalizada entre o Zé da tasca, coitado que vive do rendimento mínimo (sortudo) e do Bancário que acaba por ter um empréstimo a uma taxa baixa e passa os dias a tentar vender produtos ao balcão, para que o chefe não lhe massacre a cabeça, mesmo aos fins de semana porque não cumpriu os objectivos, existe uma grande diferença. Até a palavra diferente é “diferente” do que era à 10 anos atrás.

E o que tem isto tudo a ver com o que acabei de escrever?

Nada! Rigorosamente nada nos dias de hoje! Talvez à 10 anos atrás dissesse alguma coisa, mas hoje não vale nada, não tem nexo(ou tem), não tem valor ou substantivo. Enfim vale o que vale!

Pessoalmente irritam-me os tipos que estão sempre a dizer: “ No meu tempo…blá,blá,blá, wiskas saquetas, ossos para cão…”.
E irrita-me porque se julgam numa classe superior, que são os primórdios de algo e que todos os outros estão errados. Viva a inteligência secular e artesanal, viva os pedais de plataforma, as forquetas rígidas, as rodinhas de apoio. Viva Salazar (neste caso particular, Viva!) Viva a Altis e a Vilar, e porque não as pastilhas elásticas Gorila! viva tudo isto e viva todos os outros que não tiveram isto mas que têm a oportunidade de agora praticar desporto, de conviver, de se auto-promoverem a nível de auto- estima e de se sentirem bem consigo mesmo! Viva!


Nada tenho contra os que compram uma bike toda “xpto” e nem sequer andam, que fazem todas as subidas e descidas à mão, que vão atrás dos outros e tentam ser melhores que os outros. Viva estes, porque enquanto fazem isto estão a elevar o seu próprio ego, a sua própria estima (2ª vez que uso esta palavra), estão a ser próprios e verdadeiros com aquilo em que acreditam.

Estão a ser FELIZES!

Ser “Bttista” não é pertencer a nenhum culto, a nenhuma religião e muito menos a nenhuma seita! Ser “bttista” é como ser “azeiteiro”, só o é quem quer e quem pode. As teorias do tempo analógico e intemporal já se evaporaram com as ondas electromagnéticas. Viva a evolução e a ocupação das pessoas, ora sendo como desporto, ora sendo como hobbie.

Não tenho uma bike toda “xpto”, faço estrada e faço monte e por vezes ate nem faço nada. Gosto das cores, gosto da raposa, gosto de marcas.

Serei azeiteiro?

Fica a minha reflexão realizada em 10 minutos dentro da minha viatura, enquanto aguardo uma encomenda “azeiteira” que mandei vir para a minha montada.

ps: Esta mensagem em nada pretende ofender ou beliscar as opiniões de cada um ou de qualquer um ;)

Jorge Santos ( A evoluir desde 1974)

Pronto! Eu confesso e após 10 páginas de discussão e onde eu fui logo dos 1ºs a comentar!

EU NÂO SOU BTTISTA! Pois ser Bttista da forma que muitos querem fazer parecer é como ser AZEITEIRO! E com esse rótulo eu não me identifico.

Gosto de bikes, gosto da natureza e dos animais. Mas odeio a falsidade e a mentira e a gaganeira de muitos. E neste desporto é o que mais se vê! Por isso e a partir de hoje perante todos e após juramento forista onde mergulhei a cabeça 3 vezes na banheira com água fria e disse a mezinha para estes efeitos. Afirmo novamente! Eu não sou Bttista! Sou apenas um gajo que gosta de andar de bike, sem obrigações, sem competições, sem pertencer a grupos e a grupinhos e principalmente gosto de pedalar sem que me chateiem e sem lideres de treta que se escondem atrás de um teclado para mandar os outros fazer azeite! Por isso não comentarei mais nada sobre este assunto ao que dele advenha!

Pedalem muito ou produzam "azeite"!
 
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Boa noite.

Nunca comentei nem sequer li uma única vez este tópico.

Hoje por acaso "parei" por aqui e apenas quero dizer que façod as palavras do Josant as minhas.

Eu não sou nem quero ser bttista ou lá o que isso é, eu gosto é de pedalar, se possível com amigos.

Abraços
Rui
 
Artigo de opinião do Sr.António Malvar...Já tem uns anitos...Acho que diz tudo...quem não quiser ler tudo..basta a ultima frase....
10/09/1996 - Felicidade é....

Os ciclistas de montanha, ou melhor, os utilizadores de Bicicletas de Montanha neste país, são uma minoria numa sociedade de costas viradas para os interesses óbvios da expansão deste movimento e que teimosamente ignora ou evita reconhecer as vantagens sociais que advêm duma maior profusão desta modalidade desportiva e ou forma de ocupação dos tempos livres.

Mas não é minha pretensão hoje e aqui aprofundar o lamento procurando as razões e apontar as culpas para este estado das coisas, até porque culpas temos nós também e as razões são bem mais ancestrais do que o que conseguimos apurar.

É sim o meu intento analisar esta minoria que cresce todos os dias e que vai abraçando o movimento das formas mais variadas, algumas até peculiares.
A bicicleta é o elemento comum de entre todos mas a forma de estar é tão diversificada que chego à conclusão que para além da bicicleta o único que é ainda igual em todos é o “ser feliz”.


- Felicidade para uns é poder pegar na bicicleta e desbravar esses trilhos e caminhos do Portugal esquecido, sozinhos ou na companhia de amigos, contactando as simpáticas e hospitaleiras gentes dessas nossas aldeias mais remotas e ignoradas, num fim de semana ou ao longo das férias, em total esquecimento e numa profunda paz interior.
- Felicidade para uns é poder participar em competições, para conquistar um lugar entre os primeiros, daí: fama, reconhecimento, taças medalhas e dinheiro.
- Felicidade para uns é participar nos passeios que se organizam aos fins de semana em diversos locais do país e assim fazer novas amizades, conhecer outros espaços, outros caminhos, ou simplesmente estar entre os que gostam de andar de bicicleta.
- Felicidade para uns é entrar em competições muito simplesmente para participar sem pretensões a pódios, estar no evento, ao lado dos campeões à partida, competindo consigo próprio, fazer-se chegar ao fim, entrar na mesma volta do primeiro ou ficar à frente do vizinho ou do amigo.
- Felicidade para uns é treinar sem outro objectivo que não seja o de manter-se em forma, pegar na bicicleta e fazer o “ritual” do treino: 1 hora hoje, 2 horas amanhã, todas as manhãs de domingo, etc.
- Felicidade para uns é pegar numas cartas militares e com a bicicleta tentar chegar e passar por onde se planeia sem se perderem, saudavelmente obstinados em se localizarem no mapa a todo o momento e assim passarem horas e dias complemente absortos.
- Felicidade para uns é enfiarem-se por esses caminhos desconhecidos e reconhecê-los para futuramente guiar os amigos e os amigos dos amigos por essas paisagens por eles antes descobertas e preparar guias e roteiros desses trilhos para que muitos outros venham por si só a conhecer esses maravilhosos recantos.
- Felicidade para uns é pegar na bicicleta e com ela aprender e fazer as maiores acrobacias: cavalos, éguas, “bunny hops”, subir pedras, descer escadas, subir escadas, saltos com “tables”, etc.
- Felicidade para uns é domar a bicicleta naquelas descidas técnicas cheias de pedras quase verticais sem pôr o pé no chão, complemente embriagados de adrenalina.
- Felicidade para uns é subir de bicicleta sem desmontar aquela “parede” de piso escorregadio que durante tanto tempo parecia impossível de se fazer, ou fazê-la à frente dos outros do grupo com os pulmões a queimarem e o coração a explodir dentro do peito, mas saboreando o êxtase do sucesso.
- Felicidade para uns é rolar passeando calmamente de bicicleta ao longo das estradas marginais ou das estradas florestais e beber do prazer da brisa da manhã de Domingo na cara, exibindo ou não aquela nova colorida blusa de lycra, ou aquele novo capacete com pala.
- Felicidade para uns é levar toda a família a andar de bicicleta e com eles descobrir uma nova vida em convívio, uma forma mais nobre de ocupar os tempos livres em alternativa à volta saloia de carro, aos centros comerciais, às praias apinhadas de gente e às frustrantes tardes televisivas.
- Felicidade para uns é Ter uma bicicleta de montanha e com isso poder ser reconhecido como um aventureiro, um radical do desporto, um atleta ou como tendo uma forma física invejável..
- Felicidade para uns é comprar a bicicleta mais exótica, construir a bicicleta mais leve, montar a bicicleta mais “high tech” e tê-la imaculada sob uma redoma na sala de estar lá de casa, contemplando-a dias a fio, devorando todas as revistas da especialidade na busca da última criação tecnológica do mais avançado e futurista possível, para montar na sua bem amada. Andar nela não é o mais importante até porque se vai sujar, só se estiver seco, for em bom piso e houver muita gente para a admirá-la.
- Felicidade para uns é pedalar nos grandes charcos e lamaçais destes invernos rigorosos, enterrando-se em lama até à alma num total desprezo pela bicicleta, borrifando-se para centros de pedaleira, cubos, correntes e tanta outra tralha que parece incomodar os outros, e chegar a casa e esquecer-se da bicicleta num qualquer canto da garagem, varanda ou arrecadação.
- Felicidade para uns é poder transportar-se de bicicleta para o trabalho e com uma cara de satisfação ultrapassar os que escolheram ir de carro e que num total desespero esperam impacientes que aquela fila de carros parados na sua frente se mexa, acumulando stress e levando o dobro do tempo a lá chegar.
- Felicidade para uns é saber tudo o que há para saber sobre bicicletas e passar tardes a discutir sobre qual a melhor suspensão, o melhor material de quadro, o futuro das bicicletas de suspensão total ou a actual forma do Tomac, da doença da Furtado e da loucura do Palmer.
- Felicidade para uns é ter uma bicicleta dita barata e levá-la a fazer o que os que as têm ditas caras e sofisticadas não conseguem, e poderem provar que o que verdadeiramente interessa é ter pulmão e pernas.
- Felicidade para uns é ter uma bicicleta dita cara mas que não pareça, sem peças coloridas ou exuberantes mas poder secretamente confidencial com alguns (não assim tão poucos) que aquela bicicleta está avaliada em centenas ou milhares, e daí tirar um imenso gozo.
- Felicidades para uns é viajar de bicicleta indiferentemente de ser em estrada ou em terra em total auto-suficiência durante semanas expedicionando vários países ou regiões engrandecendo o seu conhecimento de outros horizontes, de outros povos e de si próprio.
Felicidade para outros é poder escrever sobre assuntos relacionados com a bicicleta e fazer testes e análises de produtos, de competições e passeios, e recrear em todos uma vontade férrea de pegar na bicicleta e com ela gozar uma ou diversas daquelas formas de felicidade.
Felicidade para mim, e quem sabe, não só para mim, são todas aquelas formas de ser feliz com a bicicleta, um pouco de todas ou um muito de todas.

Neste mundo tão variado da BTT há lugar para todos, sendo cada um feliz à sua maneira, e é errado não respeitar todas aquelas formas de estar porque todas elas são um espelho da felicidade interior de cada um. É errado escarnecer desta ou daquela postura pois isso é ofensivo e não cabe a ninguém julgar sobre qual deve ser o padrão de felicidade que se deva ter com a nossa bicicleta.

Pena é, reconhecer que esta nossa felicidade nem sempre é bem recebida e parece até por vezes ofensiva para quem nas estradas nos dificulta a circulação e não nos respeita, para quem no planeamento urbanístico das vilas e cidades nos esquece, para quem nos dificulta o acesso aos parques naturais sem procurar antes criar condições e formas de coexistência de mútuo interesse, nos rejeita quer directa quer indirectamente em locais públicos só porque nos vestimos e calçamos de forma diferente, que não nos deixa estacionar a bicicleta à porta do café ou restaurante, nos ignora nos meios de comunicação social não fazendo qualquer alusão às nossas actividades, autoridades que querem regulamentar o transporte das nossas bicicletas no nosso carro, Federação de Ciclismo retrograda que não só não protege os nossos interesses como até parece promover esta imerecida marginalização, etc.

Mas afinal quem pode ainda ignorar que não será o veículo de duas rodas sem motor o meio de locomoção por excelência do futuro das nossas cidades e grandes vilas.
Animem-se pois, estamos aqui para ficar e sejam felizes, cada um à sua maneira, claro está.
António Malvar


12/08/1997 - Neste nosso mundo do BTT


Neste nosso mundo do BTT, existem muitas formas de estar, ou seja, muitas maneiras de se encontrar felicidade. No entanto, o sentimento de que há algo de comum em todos os praticantes e que vai fomentando esta enorme paixão que muitos exibem pelo tema, nunca deixou de me aguçar a curiosidade e de me fazer observar mais analiticamente aqueles amantes do BTT com quem tenho oportunidade de acamaradar nas passeatas de fim de semana pelos mais belos trilhos deste nosso admirável país fora-de-estrada.

Em 1987 tínhamos uma empresa de Desporto Aventura que entre outras coisas fazia passeios de jipe para turistas na Serra da Arrábida e aos fins de semana competia-me a mim a tarefa de deambular com um UMM carregado de ´´aventureiros´´ pelos caminhos sulcados de valas atravessando ribeiras, subindo e descendo trilhos elameados na Arrábida que todos tão bem conhecemos. Ora, foi aí que tomei o primeiro contacto com a BTT. Quase sempre na zona da Comenda, fizesse sol ou chuva, encontrava-me com um punhado de (seriam ciclistas?) tipos vestidos com lycras muito coloridas, com um pedaço de esferovite atada à cabeça e montados numas estranhas bicicletas com umas rodas grossíssimas. Ao cruzar-me com eles acenavam-me um adeus com um sorriso na cara toda salpicada de lama e durante momentos ficava a pensar como poderiam aquelas criaturas estar tão felizes apesar de completamente molhados e sujos de lama até à alma. Estas imagens ficaram-me permanentemente gravadas na memória e foi sem surpresas que três anos depois dei por mim a negociar a minha primeira bicicleta de montanha e ao montar nela pela primeira vez (na Arrábida, claro!) percebi como era maravilhoso desbravar aqueles trilhos por entre vegetação luxuriante com a brisa da manhã na cara, rolando em silêncio, sem o barulho dos motores à minha volta.

Confesso que desde então fiquei apanhado pela BTT, deixei os jipes e dediquei-me de corpo e alma. Tinha descoberto uma nova paixão e dela contagiei todos os meus amigos.

Mas o que faz verdadeiramente um empresário, quadro superior duma empresa, professor, advogado, médico, levantar-se de madrugada ao Domingo, vestir umas roupas justas enfiar um capacete na cabeça e montado na sua BTT passar o resto do dia a chafurdar em lama, ou esvair-se de suor serra acima, ou ainda fazer apostas com os amigos em como é hoje que se vai mandar na tal descida íngreme ?

O que faz verdadeiramente famílias inteiras pegar no carro numa sexta-feira à noite, montar bicicletas no tejadilho e fazer centenas de kms par um qualquer lugar remoto e passar o fim-de-semana a deambular pelos campos, perdidos o tempo e no espaço, atrás de uma centena de outros que se juntaram no mesmo local para um passeio BTT por “não sei onde”, regressando exaustos com as bicicletas imundas ?

Muito dizem-me que é para se manterem em forma, mas quando os vejo frequentar ginásios, piscinas e fazerem o seu jogging a meio da semana, sinto que à uma outra força estranha que os faz sonhar com o fim-de-semana para pegarem nas bicicletas.

Muitos dizem-me que é pela camaradagem, mas quando os encontro na Marginal bem cedo a treinar sózinhos para que no próximo fim-de-semana subam ao Monge e cheguem primeiro que os colegas, sinto que há algo mais que os impulsiona para cima da bicicleta.

Muitos outros dizem-me que é pelas paisagens, pelo desfrutar da Natureza, para conhecer outros locais, mas quando os vejo guinchando de alegria a saltar por cima de valas ou raízes, descendo vertiginosamente pelos caminhos pedregosos, sinto que há uma outra razão para os levar a não perder um passeio de fim-de-semana ou a dar uma volta com os amigos ao fim da tarde.

Outros ainda dizem-me que o fazem pela competição, correndo o país de lés a lés, treinando afincadamente todos os dias para puderem aspirar àquele lugar no pódio, mas quando os vejo a ´´sacarem cavalo´´ e ´´égua´´ ´´saltos em table´´ ´´bunny hops´´ e a fazerem outros truques enquanto aquecem para a prova, sinto que há dentro deles algo mais que os leva a montar naquelas super BTT´s.

Há os que me dizem que é por os outros os desafiaram e que foi um pretexto para se livrarem lá de casa ao fim do dia ou ao fim de semana, mas quando os vejo a escolherem as poças mais fundas do caminho para as atravessar a toda a velocidade com um ar de gozo e prazer sem fim, sinto que há uma outra verdade escondida que os leva a sujarem todos daquela maneira.

Também há os que me dizem que não é por que seja moda, mas sim porque o médico os aconselhou a fazer qualquer coisa, a mexerem-se, a fazer desporto, mas quando os vejo a comprar um capacete a condizer com a cor da bicicleta, e apresentarem-se aos amigos ao fim-de-semana equipados a rigor com um sorrisinho de prazer nos lábios, sinto que pode ter sido o médico, mas há algo mais que os leva a fazer BTT.

E há ainda muitos (mais do que se possa pensar) que me dizem que o fazem porque sempre fizeram desporto, mas que começaram com aquela dor nas costas, foram ao médico e este lhes disse que tinham de parar de andar de bicicleta por causa daquele “princípio” de hérnia discal a menos que comprassem uma suspensão total. Mas quando os vejo exibirem o ´´último grito da moda´´ em tecnologia de BTT´s, e passearem-se secretamente de loja em loja na busca da última invenção fruto duma qualquer chafarica americana que produz acessórios de ´´indiscutível´´ qualidade, para pendurarem na sua BTT, sinto que algo mais os leva a perderem o seu tempo devorando as revistas e as lojas da especialidade.

Todos me dizem que o que gostam é de andar de bicicleta, mas quando os me acompanham nos passeios que fazemos e os vejo a sprintar à minha frente, saltar as pedras no meio do caminho, subir às bermas ´´rélévés´´ dos caminhos, descer escadas, lançarem-se a todo o gás pelas descidas rápidas, puxarem o rabo todo para trás nas descidas mais arrojadas, puxar a bicicleta para cima em qualquer pequena lomba, tirar o pé de apoio, ´´à campeão´´, em todas as curvas. Quando me pedem conselhos sobre suspensões de dupla coroa, quadros em titânio, suspensões totais, rodas em carbono, travões de disco, oito ou nove velocidades, sobre aquele exótico desviador que viram na MBA ou na NET ou aquela barra energética do ´´outro mundo´´ que substitui todas as refeições até ao final da semana. Quando me procuram para que lhes ensine a saltar para subir passeios, usar pedais de encaixe, descer pequenos degraus ou para que serve e como se usa um monitor de frequência cardíaca, sinto que há algo mais por detrás de toda aquela vontade de fazer BTT, há uma força renovada que os atrai e me atrai à BTT, há em nós um frenesim imparável para montar a bicicleta, há em todos nós uma criança que nunca deixámos de ser e ao voltarmos a senti-la redescobrimos que ainda não vivemos toda a nossa infância e como é bom sentir aqueles pequenos prazeres.
É a criança que há em nós que se solta e ao recreá-la sentimo-nos bem e deixamos de lado todas os pergaminhos e mais não somos que um grupo de crianças divertidas.

Na procura dos porquês mais metafísicos fui ignorando o que é tão simples…
Todos fazemos BTT porque isso liberta a criança que há em nós.
 
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Antes de mais discordo daquilo que tu dizes, tu és um BTTetista, tudo o que tu fazes, esta no perfil de um bttetista. E não é por fazeres parte
de um grupo e entrares em competições que vais ser azeiteiro, quem entra nessas coisas entra porque gosta. Eu sou Lider de um grupo e não me escondo por de tras do computador, pelo contrario, ando muito no terreno e faço muita poeira com os outros, infelismente não conseguimos fazer azeite porque senão juntava-se o util ao agradavel. é sempre bom ter um grupo ha mais alegria e mais desafios.

Talvez tenhas tido uma má expriencia, mas não generalizes isso.
Continua a dar umas boas pedaladas.
E não sejas "mauzinho"
 
Não entendo realmente a discusão a partir das primeiras páginas. Filosofias e tudo mais, quando o mais simples é que cada um faz aquilo que gosta mais.
Ninguem é menos que outro porque faz o mesmo percurso sem tirar fotos. E um não é pior se lhe apetece fazer uma corridas a sério. Ou porque anda numa btt de roda fina sem graça, mas a opção é dele e a falta de graça tambem. Ou porque as bikes agora são melhores e o conforto tira o espírito (esta então é demais). Ou porque quem anda em grupo é melhor do os solitários. Ou porque um é mais apressado e não pára no trilho para respirar o ar puro.
E que tal esquecerem essa de antigamente é que era, como se nada houvesse melhor que pedalar num molho de ferros com 20 kilos e uma mecanica falível em tudo o que é componente. A evolução só nos veio dar melhor divertimento naquilo que gostamos e quem assim não pensa é pura hipocrísia.
Eu tambem ando de bike há mais de 30 anos e não tenho saudades dos ferros, pelo que fazia com eles. Tenho isso sim de onde andava com eles e agora já não ando. Evoluí e rendo-me a grande parte das evoluções das bikes. Não posso ter as ultimas grandes bikes de topo mas tenho uma razoável e que me dá imensas alegrias e divertimento (e quedas tambem). Afinal somos mesmo umas crianças que gostávamos do melhor brinquedo possível.
Com barras ou sem elas. Bolachas ou oreos. Água ou isostar. Deixem-se de filosofias, respeitem-se todos uns aos outros e pedalem.
E já agora que são bttistas que saiam do asfalto tambem e que sujem bem esses brinquedos. Eles merecem.
 
Olha,parece que está na altura outra vez de lembrar que:

Pela "sei-lá-quantésima" vez,volto a explicar que o meu texto inicial é destinado aos "corredores de maratonas",cujo objectivo neste desporto é apenas e só correr e treinar,sem perder tempo a divertir-se (não disse que não se divertiam,apenas que podiam divertir-se mais) ou a practicar btt de outra maneira que não acelerar por estradões e alcatrão fora.
A parte em que expliquei como surgiu e se desenvolveu o btt em Portugal serve apenas para explicar como chegámos até aqui,no que respeita a estas vertentes do desporto que todos gostamos.Não serve como ode ao antigamente,nem em lado nenhum eu disse "antigamente é que era bom,embora eu tivesse de afinar os cantilever todos os dias".
 
Este é um daqueles tópicos que está condenado a más interpretações desde o seu inicio, simplesmente pelo titulo não ter sido o melhor em termos de escolha.

Apesar disso e depois de 38 pág. e de #378 posts é deveras impressionante como isto de ser ou não ser "Bettista" continua a ser muito importante para muitas pessoas.

Eu vou apenas dizer o que faço :

- 2ª feira > Fico dormente e desejo apenas que chegue o dia seguinte.
- 3ª feira > Estou no escritório...mas ao mesmo tempo não estou lá.
- 4ª feira > Alto lá!!! Já estou a meio caminho...para a "trip"
- 5ª feira > UUUAAAUUUU!!!
- 6ª FEIRA > Não acredito...está quase...
- SÁBADO > SIGA PARA O MONTE. DE MANHÃ OU DE TARDE... TANTO IMPORTA...VVAAAMMMMOOOSSSS!!!!!
- D O M I N G O > EEEEEEEIIIIIII!!!!!! - 50 KMS ESPERAM-ME, A DAR COM FORÇA NOS CRANKS DA MINHA BIKE!!!!

Conclusão = SOU FELIZ!!!

Curto muito e com um prazer intenso. Não vou a provas nem a maratonas...mas não condeno quem vá.

SÓ CONDENO QUEM NÃO ANDA DE BIKE A CURTIR UNS TRILHOS Á MANEIRA!!!!!!

Mai nada.

Podem continuar a criticar as "castas" do btt...enquanto eu vou olear a minha corrente.
E lá vou eu para Valongo curtir á brava...sózinho...ou acompanhado.
O que interessa é que EU sei que a vida é curta para se fazer pequenas observações, quando na realidade é o MUNDO QUE NOS OBSERVA.

MEUS AMIGOS (bettistas ou não) fiquem bem...e ainda melhor numa descida a pique.
 
É como falar de sexo... daqui a pouco vão dizer que antes é que era bom. Agora já não é... que antes as mamas descaídas e flácidas é que eram as puras! Agora as firmes e à base de silicone já não prestam.. Por favor isto dá para rir.


Cada um faz o que quer da vida, logo, de um hobbie faz o mesmo. O limite só existe se nós o impormos.

É curtir e pedalar.
Se em 5 kms curto à maneira, tb pode haver dias que a fazer 50kms curto ainda mais.
O inverso pode ser tanto ou mais válido.

É preciso é tirar o gozo que se pretende de uma actividade lúdica, desportiva como é o BTT e as 2 rodas a pedal.
Que me interessa se a bicicleta csutou 100 ou 1000? Anda na mesma, proporciona-me um "esquecimento" dos problemas do dia à dia, logo é para isso que serve.
Quando assim não é...deixa de ser hobbie. Deixa de ser diversão. Deixa de interessar-me seja para o que for.

Vejo por aqui bicicletas que nem devem sair da garagem de tão "puras" que estão.
Se o gozo do dono é tê-la impecávelmente limpa e afinada em cima de um suporte...que me interessa ou que direito tenho eu de criticar?

O que importa é o que cada um faz com a sua...
 
Ninguém é bttista...nem eu...

...após uma intensiva :pesquisa: por este mundo que é a internet não consegui encontrar a definição para tal palavra que começa por 3 consoantes,logo ,(passo a publicidade)como é que ao fim de tanto tempo e páginas se discute sobre uma palavra que não tem definição,a não ser que tenha aquela que cada um bem mais entender e achar que é,no meu caso e dando a importancia que dou a este tipo de discussões só tenho uma observação a fazer e pelo conhecimento que tenho,já tem direitos de autor:

"...façam o favor de ser felizes..."

Abraços,

Fernando A.

...a pedalar em criança...com muito tempo de paragem na sua juventude...e com mais frequencia desde Fev. de 2008 ;) ...e com um filho que pratica XCO(abreviatura de cross-country olimpico)
 
Este é um daqueles tópicos que está condenado a más interpretações desde o seu inicio, simplesmente pelo titulo não ter sido o melhor em termos de escolha.
Repito o que disse uns post's atrás pois parece-me que o pessoal ainda não entendeu que foi apenas pela escolha do titulo que se anda aqui a discutir o sexo dos anjos.
Nem toda a gente entendeu a mensagem que o autor do tópico quis passar, no entanto todos a comentam, sem seguir o seu verdadeiro raciocínio.

Leiam com calma e por partes o texto inicial...e depois leiam novamente, até perceberem de uma vez por todas onde o autor quer chegar com a sua conversa. O texto está muito bem escrito e o seu autor tem todo o mérito de ter aberto um tópico que já vai nas 38 páginas com mais de 45000 visualizações e 380 comentários.
Se calhar o seu objectivo foi alcançado e o título "Tu não és um bttista" está a demonstrar que foi muito bem escolhido porque a idéia é despertar a curiosidade sobre o tema e acho que isso foi alcançado com muito sucesso.

...e humildes tambem,ganhavam muito mais...
Por falar em humildade,
o Sr. António se fosse um pouco mais humilde em explicar o XCO se calhar muita gente ganhava mais a nivél de informação.
Mas se é feliz assim...
 
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