Crónicas de um Bravo do Pelotão por Terras Helvéticas

#21
Boa noite,

Como eu te percebo! Sair ou não sair? Pegar na bicla ou não pegar? Matar ou não matar o vício, eis a questão! Já dizia o ditado: ”parar é morrer”. Por isso, penso que não resta outra solução, senão pedalar!

Referes-te ao Gerês, no início desta crónica, pois, a avaliar pelo fórum, não há dúvidas que está em grande, uma vez que vai ser palco de dois eventos: 1º Btt “Rota do Gerês” e 1ª Maratona Btt do Gerês.

Sei que as saudades de voltas antigas por essas paragens, são muitas! Quiçá consigas deixar a tua estância de férias e num futuro próximo até possamos juntar o útil ao agradável e pedalar novamente nesta bela Serra. Entretanto, acompanharei as tuas crónicas por terras Helvéticas.

Um abraço.
 

AFP70

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#22
Caro amigo Alferes,

É como diz, a eterna questão ir ou não ir...

Relativamente ao Gerês e como ando sempre à procura de alternativas às nossas voltas nessa zona, talvez participe na 1ª Maratona Btt do Gerês a realizar em 02.10.2011, isto se conseguir libertar-me atempadamente dos afazeres da minha estância de férias; a ver vamos...

Será como sempre um prazer rolar com vossemecê, eheheheh....

Um abraço e obrigado por seguir as minhas crónicas,
Alexandre Pereira
 

AFP70

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#23
Subjuguei dois lagos e uma antena sorriu…

Devo ter algum fascínio pelo número três, ou Deus gosta de me provar que “Três foi a conta que Deus fez” uma vez que novamente voltei a rolar após três semanas.

No dia anterior tinha sido Feriado Nacional aqui nas Terras Helvéticas, pelo que para não fugir à regra, a noite foi longa (nem vale a pena falar nos pormenores, o costume…), mas como a abstinência forçada por motivos climatéricos de rolar era muita, este Bravo jurou a si próprio que rolaria independentemente do estado do tempo (claro que já sabia que no dia seguinte iria estar um dia fantástico, daí não querer perder a oportunidade, e até para não ficar com remorsos ou peso na consciência, uma vez que não sabia quando iria voltar a ter um dia soalheiro).

Como a “fome de rolar” era tanta, planeei via Google Earth uma volta três em um, ou seja, visitar os dois lagos em falta, aludidos na crónica Nº05 (Sämtisersee 1.209 mts e Fälensee 1.452 mts) e ainda dar uma saltada ao Hoher Kosten 1.791 mts (antena).

Conforme poderão ver pelo relato fotográfico e respectivos comentários, não se “deve ir ao pote com muita sede” ou ainda na gíria doméstica “não se deve fazer compras com o estômago vazio”.
Sendo um Bravo do Pelotão dos sete costados, como sempre, nada como provar se estes empirismos têm algum fundamento, hehehehe…

Tendo passado pela experiência do primeiro lago, julguei “erradamente” que o objectivo traçado eram “favas contadas”, mas acabei por “pagar as favas” da minha “gula betetistica”.

Tempo quente, sol que não dava tréguas (a torrar a moina), desidratação (esta zona ao invés da outra não possuía pontos de água corrente), kms sempre a subir (em esforço), tudo ingredientes que mais tarde ou mais cedo conduzem aos sintomas de cãibras, neste caso nas coxas.
Como betetista com alguns kms rodados em solitário, levo sempre no camelbak (em português é um must, camelo de volta), entre outras coisas, uns quantos “Ben-u-ron 1000”. Basta tomar um e passado 15 a 30 minutos, a situação fica resolvida.

Nessa altura virei-me para o Hoher Kosten (antena), esta sorriu e deve ter dito qualquer coisa do género “…querias, não querias, mas ainda não é desta que m’apanhas…”. Tive que me resignar ao facto, mas isto não vai ficar assim, já me conhecem, sendo que já se encontra na forja o episódio três (lá está ele novamente, o número) da série [Um Bravo do Pelotão against Säntis].

A ida ao Fälensee como poderão constatar pelas fotos, foi uma “Subida ao Inferno”, mas foi a forma encontrada, para além do objectivo inicialmente traçado, de apaziguar o meu “ego betetista”. Os entendidos (que já passaram por isto), sabem bem do que estou a falar, daquela voz que não pára de nos matracar o cérebro (ir ou não ir). Bem sei que me martirizei, que sofri como já há muito não…, mas tinha de lá chegar e fazer os respectivos registos da praxe (para deleite de quem me segue), uma vez que não sei quanto tempo mais irei ficar por estas paragens.

O caminho faz-se caminhando e é sempre uma surpresa aquilo que encontramos no fim. Neste caso, valeu mesmo a pena (as fotos falam por si).

Dito isto, eis alguns dos registos do dia…

Um dia maravilhoso a convidar para a piscina e este Bravo (crazy) lembra-se de ir para a Serra.


Com a chuva que caiu nestas 3 semanas, julguei que o rio estaria mais alto.


Panorâmica da zona do Ebenalp para aquecer.


O Ebenalp é um óptimo local para a prática de parapente.


Ponto de situação (922 mts) com vista ao destino (2 lagos Sämtisersee e Bollenwees=Fälensee)


Para além de conquistar os lagos, também tinha programado subjugar o Hoher Kosten (restaurante na antena), ler crónica.


E se a moda pega em Portugal. Mesmo assim acho uma boa ideia, que tal pintar as bocas-de-incêndio com trajes alusivos do concelho. Como diria o Fernando Pessa (RIP)...”e esta hein”...


O início do meu calvário...


Cascata engraçada. Foto tirada somente para que tenham noção do grau de inclinação (vejam parte do caminho do lado esquerdo da foto).


Aleluia!!! Cheguei ao topo, pensava eu. (wrong)


Plattenbödelli (1.279 mts). O caminho da esquerda dá acesso à antena. Em frente é a minha sina.


O Hoher Kosten do alto dos seus 1.791 mts a rir-se para mim. “Deves estar maluquinho se pensas que hoje me apanhas, ainda não sabes o que te aguarda”, lá terá ele dito.


Só para que não hajam dúvidas.


O dia não podia estar melhor. Embora fizesse muito calor, a esta altitude corria uma ligeira brisa.


Lago Sämtisersee (1.209 mts) conquistado. Bem pensei cá para comigo “O outro não deve custar nada, é mesmo já aqui ao lado” (wrong again).


Uma panorâmica porque o local merecia.


A caminho do segundo lago.


O Sämtisersee visto da outra extremidade com a antena a piscar-me o olho “Anda m’apanhar”.


Sempre a subir, mas moderadamente.


E o caminho parecia não ter fim à vista.


Dizer que anda ali gente a caminhar.


Pela placa, o Fälensee ficava a ½ hora a pé. Todo contente esfreguei as mãos, mal sabia nas que me ia meter (Welcome to Hell).


O princípio. Se isto é o inferno, então já fui e voltei por diversas vezes em outras voltas.


Parafraseando o Jorge Palma “Pois é, pois é”. Foram cerca de 2,5 kms a subir com a bicla ao ombro em degraus escavados na rocha. Ora muda para o esquerdo, ora muda para o direito. Para os poucos Bravos que me acompanharam na volta Nº43 (vide fotos no site BDP), posso vos garantir que o suplício aqui foi maior.


O pagador de promessas a custo, lá continuava.


“Esta Mer.. nunca mais acaba”, pensava eu.


Como o caminho era mesmo estreito e não desejando “matar ninguém”, lá tinha que ceder a passagem aos muitos caminheiros com que me cruzei. Alguns sorriam tipo “deves ser passado dos carretos”, mas como forma de apaziguar a mente, dizia para comigo “eh pá, o peso que levas na tua mochila é equivalente ao da minha bicla, logo estamos “even”.


Embora não se veja na foto, estavam cerca de 10 pessoas naquele caminho, umas a subir, outras a descer (afinal não sou o único crazy guy).


O lago é já mesmo a seguir.


Lago Fälensee conquistado (1.452 mts).


Panorâmica, como não podia deixar de ser.


Vamos lá ver onde é que este caminho nos conduz (Curiosity killed the cat).


O caminho embora estreito permitia que se rolasse.


Aquela casa é o Bollenwees (restaurante no meio da serra).


A caminho de Fählenalp (quinta agrícola).


Fechar a cancela, please. Pelo menos aqui, quem gostar de queijo, leite, iogurte não passa fome (que não é o meu caso).


A quinta propriamente dita. Ainda me questionei como fizeram para trazer as alfaias agrícolas (tractores e outras). Só mesmo de barco ou de helicóptero. Pena o caminho que se vê ao fundo não ter continuidade, só mesmo a pé.


Vista do lago da outra extremidade.


Cerca de 58 kms em cima dela e 5 kms por baixo dela.


Embora não tenha conseguido ir ao Hoher Kosten (antena), esta volta ficará gravada (à semelhança de outras) na minha memória, pela capacidade que realmente a mente humana tem de superar os desafios físicos.

Não me posso esquecer que por vezes, nada como a experiência para entender o significado da Bíblia.
Realmente a gula é um pecado mortal…

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…


 

AFP70

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#25
Passeio à Borliu com o patrocínio do meu Sponsor…

Sabendo de antemão que esta semana não iria poder andar, uma vez que as condições climatéricas não o permitiam (dizem que Braga é o penico do Minho, acreditem que esta zona é bem pior), eis que recebo da parte do meu patrocinador, um convite à Borliu para um dia de “dolce far niente”.

O meeting point foi marcado para as 07h30 da manhã e daí seguimos para uma visita guiada pelas principais artérias e monumentos de St.Gallen.

Acabei por entender o mesmo, uma vez que a guia somente falava em deutsch, mas ainda deu para “sacar” alguma coisa. Claro que durante esse período tive de ocupar o tempo, e tal qual um “José Hermano Saraiva”, lembrei-me de partilhar convosco alguns desses momentos (até para variar o meu cardápio de aventuras), para que possam conhecer um pouco desta zona alemã e respectiva realidade.

De St.Gallen, seguimos para a cidade medieval de Stein Am Rhein (+/- 75 kms a Norte), cortada pelo rio Reno e zona vinícola da casta “Pinot Noir”. Até agora foi dos poucos vinhos de origem Suíça que realmente apreciei, mesmo bom.

Dito isto, eis alguns dos registos do dia…

“Tonhalle” Espaço onde a Orquestra Sinfónica de St.Gallen dá os seus concertos e recebe visitantes internacionais.


“Waaghaus” Espaço utilizado na Idade Média como armazém. Hoje em dia é palco de concertos, festas intimistas, etc…


Pormenor de rua, com a Igreja de St.Laurent.


Pormenor de janelas na fachada de uma casa. Há (n) delas em todas as ruas, para todos os gostos, umas mais elaboradas e outras com materiais mais nobres.


Mais um pormenor de rua.


Ruas com uma variedade imensa de estilos arquitectónicos.


Uma das janelas que mais curiosidade desperta.


Como constatam, qualquer rua possui janelas avançadas.


Mais do mesmo.


Este restaurante está construído no muro que serviu para separar a cidade entre Católicos e Protestantes.


As bicicletas estão proibidas de circular nas ruas pedonais nos períodos de mais fluxo, mesmo que de braço dado com os respectivos proprietários; vá se lá saber porquê.


Aqui, sim, a bicicleta já é rainha e até os transeuntes são informados do trânsito nos 2 sentidos.


Não podia deixar de mostrar esta bicla muito peculiar (HOT VIPER) toda em ferro e com o pormenor do guarda-lamas, associado ao quadro.


Catedral de St.Gallen, barroca, construída entre 1755-1767 e fazendo parte do património mundial da Unesco.


Pormenor interior da Catedral.


Pormenor da cúpula central com ilusão óptica de profundidade.


Biblioteca da Catedral de St.Gallen em estilo Rococó. Possui cerca de 170.000 itens literários. À entrada somos obrigados a entregar telemóveis e máquinas fotográficas, pelo que esta foto não é da minha autoria mas corresponde à realidade actual.


Mais um pormenor de construção.


Igreja de St.Laurent, construída entre 1413-1423.


Mais uma rua em que as bikes são rainhas.


Achei piada a esta forma de sinalização no interior de um túnel movimentado, isto é, a mesma é efectuada via um projector colocado no tecto, evitando-se a confusão de placas sinalizadoras.


Uma boa ideia de negócio para as cidades e esteticamente são atraentes.


No interior possuem tudo para satisfazer as nossas necessidades. Muito higiénicas e pensadas para serem anti-vandalismo. De noite possuem sistema de luz (vermelho/verde) indicadora de ocupação.


Como a viagem foi efectuada de autocarro, retirei esta foto da net, para que possam ter uma ideia da cidade Medieval de Stein Am Rhein.


Casas à beira do Reno.


Panorâmica da zona.


Castelo de Hohenklingen (construído no Séc.XI) a olhar sobre a cidade.


Pormenor interessante.


Rua junto ao rio e castelo em pano de fundo a 961 mts.


Praça Central de Stein Am Rhein.


Praça Central (continuação). A grande maioria das casas apresenta frescos multicolores e muito elaborados, típicos da Idade Média. Turistas QB.


Pormenor de chafariz na Praça Central.


Ao fundo a única porta de entrada conservada da cidade.


Esta é a região da casta “Pinot Noir”, sendo por isso muito promovida e diga-se de passagem, o vinho é mesmo muito bom.


OK, tenho mesmo de sair, de partir, de deixar esta “cidade liliputiana”.


Pormenor interessante, julguei que só em Portugal é que isto acontecia…


Tentativa falhada ( a meu ver) de tirar uma fotografia à cidade de Stein Am Rhein de um outro ângulo isto durante uma caminhada aos vinhedos em que começou a chover torrencialmente.


Mais uma boa ideia. Entrega de papel efectuada através de um equipamento com célula de movimento. Acabou-se o desperdício. Como bom português, consegui após umas tentativas ludibriar o equipamento.


Foi um dia muito bem passado sob o ponto de vista cultural, diferente do habitual, “bem comido e bem bebido” e com muitos momentos hilariantes (efeito dos líquidos destilados).

Eram cerca das 02h30 da manhã quando regressei à base e como diz o povo, no dia seguinte era “dia de pica boi”.

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…


 

AFP70

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#26
“Rira bien, qui rira le dernier”, assim diz o povo …

Se bem se recordam, na penúltima crónica vi-me forçado a digerir o facto de não ter podido alcançar o mítico Hoher Kosten 1.791 mts (vulgo antena), tendo explanado na referida crónica, as razões da dita indigestão.

Tentando imaginar o que me aguardava, procurei preparar-me física e mentalmente para esta aventura (os registos e comentários, falarão por si).

Uma vez que não possuo GPS, toca na noite anterior (sou noctívago por natureza, “rendo” melhor…) a idealizar um track via Google Earth, em que tomei nota numa folha A5 de todos os cruzamentos, das diferentes altimetrias, dos diferentes relevos, dos diferentes prédios etc… (mais pormenorizado era impossível).

Sabendo o sofrimento que me aguardava, queria dar por bem empregue o tempo despendido na prossecução desse objectivo “subjugar o Hoher Kosten” e acabar com o seu sorriso sarcástico.

Gosto de pessoas que lutam por objectivos, em minha opinião só assim vale a pena estar vivo, pelo que desde o dia em que pequei por Gula, muita coisa aconteceu, que eventualmente poderia negar-me atingir o meu “Nirvana”, a começar pelo meu portátil que foi atacado por um “motherfuc…” dum vírus (tive de arranjar forma de mandar vir de Portugal CDs para instalar novamente o Office e o Windows Premium, que passou para Profissional. Nada como ter amigos, já que esta malta daqui só trabalha em alemão, língua que o meu cérebro se recusa a aprender…); a seguir era o Google Earth que se recusava a arrancar ou mesmo a efectuar ligações ao servidor, não conseguindo nitidez nas imagens que me permitissem marcar um track e para finalizar o tempo, sobretudo a chuva que nesta zona da Helvécia, não tem dado tréguas.

Vamos a números:

Hora de saída da minha estância de férias: 09h30
Hora de chegada à minha estância de férias: 20h30
Nº total de kms rolados: +/- 65 kms
Temperatura do dia: entre 27 e 30º
Nº de litros de água ingeridos: perto de 4,5 Lt
Nº de litros de bebida isotónica ingeridos (no meu caso cerveja): 1,5 Lt (os mais experientes nestas andanças, sabem que a cerveja é um bom repositor dos sais minerais perdidos durante longos períodos de transpiração, que foi o caso)
Nº de “Ben-u-ron 1000” tomados: 1 (cãibras nas coxas). Quem rola em solitário, por vezes não tem consciência do grau da taxa de esforço e em grande parte dos casos, rola acima dos limites físicos.

Eis parte dos registos do dia… (restantes encontram-se na página Bravos do Pelotão, ver crónica Nº009)

A caminho de Brülisau (ponto de partida para aceder ao Hoher Kasten). Vejam se adivinham qual é o macho?


A causadora do meu desassossego.


Capela muito bonita, muito próxima do entroncamento de Plattenbödelli (1.279 mts). Como sabem para chegar aqui (vide fotos da crónica Nº007), tive de voltar a efectuar aquele penoso caminho que dá acesso ao lago Sämtisersee. O lago fica a 1 km deste local.


Caminhos fenomenais a contornar a montanha.


Caminhos a perder de vista. Como calculam, para aceder ao topo tinha de ir rodeando a montanha com o respectivo sob e desce.


Achei a ideia interessante, para quem desejar ser “pastor de abelhas”.


O que é a dor, quando comparada com a beleza das paisagens. Como dizia um camarada, “a dor é efémera, mas estas paisagens ficam eternamente gravadas na nossa memória”.


Panorâmica. Onde está o teleférico?


Pois é, vim detrás daquele morro em primeiro plano.


Água nunca faltou. Se é boa para o gado, mal não me deve fazer…Não se deixem iludir pela perspectiva.


O Ebenalp visto de um outro ângulo.


Início da “anarquização” da ordem estabelecida, neste caso de sinais de proibição ou a revolta de um Bravo. A esta altura, não sabia ainda o que me aguardava. Mais tarde vim a descobrir o que queria dizer a placa BERGLAUF Km 6.


Single fantástico. Afinal BERGLAUF quer dizer Corrida de Montanha, 12 kms para os homens e 8 kms para as mulheres e decorrem nestes trilhos de montanha. Estamos sempre a aprender…


O meu destino (Kamor e Hoher Kasten). Tirei este instantâneo com a finalidade de deixar uma questão no ar (Concurso). Porque será que o tubo que suporta as placas, à semelhança de outros encontrados nesta zona, possui ao seu redor arame farpado? O primeiro user a responder correctamente aqui no Forum BTT (a informação foi-me veiculada por um nativo com quem meti conversa em francês), verá o logo do seu grupo ser promovido na respectiva secção da página Bravos do Pelotão. Não é muito, mas não tenho verba para poder patrocinar uma vinda cá… Vá lá, quem arrisca…


Se até aqui, não tinha sido “pêra doce”, a partir daqui começa o martírio (na verdadeira acepção da palavra), durante cerca de 5 kms, em que passamos dos 1.300 mts aos 1.700 mts.


Curvas para todos os gostos. A partir de certa altura a gravilha passou a asfalto de forma a evitar-se a erosão do caminho. Que me desculpem os Gregos, mas vi-me… para cá chegar.


Já perto do Kamor (quinta ligada à criação de gado a 1.562 mts). Ou seja, vacas para todos os gostos.


Mais um sinal anarquizado. Aquelas montanhas ao fundo já fazem parte do Liechtenstein.


Säntis (antena) ao fundo. Embora estivesse um dia de sol fantástico, havia uma névoa que não permitia grande nitidez nas fotos. Paciência.


Trânsito proibido a quê? Só mesmo para chatear o pessoal. Acham mesmo que depois de todo este sofrimento, não ia prosseguir. “Até podia, mas não era a mesma coisa.”


Não me ocorrem palavras, para descrever esta imagem. Este é daqueles momentos “Zen”.


São cerca de 400 mts a subir, para superar cerca de 100 mts de desnível. Foi exactamente aqui que tive de recorrer ao “Ben-u-ron 1000”.


Sim, vim por ali.


“First shot of the other side”. Aqui um caminhante queria tirar-me uma foto ao lado da bicla. Agradeci e recusei, tendo explicado os motivos, pois os Bravos do Pelotão preferem mostrar os locais por onde vagueiam do que autopromoverem-se.


Afinal, sempre é verdade “Quem ri por último, ri melhor”. E agora, não dizes nada?


É por imagens como esta que não me canso de rolar e eventualmente sofrer. Pena a neblina.


Pormenor do lago Sämtisersee 1.209 mts. Parafraseando o Malato “Já fui muito feliz ali”.


Vejam se adivinham o caminho que segui para o regresso. Não, não é esse. Segui aquele que está à direita do utilizado para a vinda e que se embrenha na floresta. Não fosse eu um “crazy” Bravo do Pelotão, optei por percorrer 1.500 mts para um desnível de 350 mts, do que regressar pelo mesmo.


O outro lado da montanha, com o Reno a cortar a paisagem. Confesso que fiquei um pouco desiludido, enfim.


Restaurante. Não, não foi aqui que me deleitei com a bebida isotónica. Ainda havia muito para andar.


As vistas, convidam à contemplação, daí a grande quantidade de bancos.


Estamos a falar de 5.000 m2 de área e cerca de 400 variedades de plantas, todas catalogadas. Mas não foi por isso que vim cá.


A descer foi com uma “perna às costas”, passo a expressão, em grande parte do trilho, não tivesse eu tirado o curso no trilho das Minas dos Carris (Gerês).


Mais um single soberbo. Adrenalina ao rubro. Embora só, arrisquei mais do que devia e os erros aqui pagam-se caro (Desculpem, não devia dizer isto em público, uma vez que a família pode estar a ler, mas soube muito bem).


O teleférico é quase como as carraças, nunca descola, ou tive sempre sorte no momento do disparo.


Brülisau ao fundo e cruz utilizada como referência ao longo do trilho.


Sempre a descer, nem acredito.


Um último olhar, como quem diz “Adeus e nunca mais cá ponho os pés”, a não ser acompanhado, por convite de preferência.


Mais um single fantástico.


Por diversas vezes no decorrer da volta, mas sobretudo quando iniciei a subida dos famigerados cinco quilómetros, veio-me ao pensamento, abortar a mesma, pois era tanto o sofrimento, o cansaço, a solidão. Fui assolado por várias dúvidas, mas a cada metro, quilómetro conquistado, voltava a ganhar novo alento, e já só pensava na Vitória, na Conquista, na Subjugação do Hoher Kasten.

“No pain, no gain”, para mim BTT é isso mesmo, assim mesmo.

Quando estava lá em cima a contemplar as vistas, esqueci por completo tudo o que tinha acontecido, mas agora imaginem se tivesse desistido…

São estes momentos de sofrimento (voluntários) que nos fortalecem e nos permitem sempre encarar a vida com outros olhos. Obrigado Hoher Kasten.

Cheguei também à conclusão que esta será também por uns tempos a minha última tirada (a ver vamos, sou um mentiroso compulsivo, betetisticamente falando) nesta zona, mas como sempre, já descobri novos trilhos para desbravar noutra zona do Säntis e quando isso acontece começo a sentir uma comichão…

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

 
#27
Boa tarde,

Só me apetece dizer: “muito boa crónica: belas fotos (ou não fosse esse país a Suíça) e excelente texto a acompanhar”.

Mais um objectivo alcançado, não é? Parabéns!

Deixaste a tua marca nessa antena, na medida em que essas fotos serão a prova eterna de tal feito! Não duvido que tenha sido muito difícil! Pedalar em solitário, seja onde for, com esse grau de exigência e com todos os riscos associados é sempre de enaltecer.

O acto desistir é algo que se decide em fracção de segundos; o pensamento que alterna entre a vontade de desistir e a vontade de continuar, esse, pode acompanhar-nos horas a fio, por vezes, quase até à conclusão do objectivo que nos propusemos alcançar.

O cansaço e a dor são dois elementos sempre presentes, pois sem eles, dificilmente se alcança algo, seja no btt seja na vida em geral, no entanto, quando chegamos ao fim, quando estamos no topo da montanha, passam para segundo plano, quase são esquecidos! Esse é o tal momento, que nos faz pensar: “consegui, valeu a pena, venci!”.

Parabéns mais uma vez! Até qualquer dia, cá em Portugal!

Cumprimentos.
 

AFP70

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#29
Amigo Alferes,

Como sempre acertou na "Mouche";)
Durante o decorrer da próxima semana, saberei se consigo participar na 1ª Maratona do Gerês e :cheers:

Um abraço,
Alexandre Pereira
 

AFP70

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#30
Bom dia El Solitário,

A ideia das minhas crónicas não é tornar mais ou menos importante as voltas dos restantes users deste Forum, uma vez que tudo depende dos locais onde nos encontramos (geograficamente falando).

No meu caso encontro-me na Helvécia [como sabem, a passar umas merecidas férias, por tempo indeterminado (ver crónica 001)] assim como poderia estar a realizar as crónicas a partir de um qualquer deserto, e acredito que as mesmas não perderiam a sua beleza, ou interesse.

O objectivo das crónicas, para além de informar é mostrar realidades diferentes das de Portugal. Uma vez que estou cá, aproveito para fazer o que mais gosto, rolar e partilhar, não fosse esse o espírito do grupo Bravos do Pelotão.

BTT, tal como eu e inclusive o El Solitário (o próprio nickname diz tudo), o praticamos, é isso mesmo, definir objectivos de voltas e tudo fazer para os atingir; está no nosso sangue, é o que nos motiva, é o “rush”, é a “comichão”, etc…

Betetistas como nós, padecem deste mal, isto é, mal concretizamos um objectivo, estamos logo a pensar no próximo, pelo que “atingir a meta”, será sempre uma situação temporária…

Por falar em crónicas, sinto falta das suas e das de alguns outros users por quem sinto “grande respeito”, uma vez que se enquadram no espírito que defendo e partilho.

Vá lá :zezus:, toca a definir novos objectivos de voltas e a deleitar-nos como sempre com fotos e textos e lembre-se que nenhuma volta é menor, é tão-somente diferente.

Cumprimentos e venha a próxima,
Alexandre Pereira
 
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AFP70

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#31
Aceitei o convite para posar na Playboy da minha estância…

Já sei o que estão a pensar, mas esqueçam, não é nada disso, apenas me ocorreu porque encarei o facto de ser entrevistado, como algo de trivial.

Há cerca de 3 semanas, o meu “sponsor”, à semelhança do que já vem fazendo desde 2001, informou-me e ao meu camarada de armas (Orlando Gomes), que seríamos alvo de uma entrevista conjunta a ser colocada na revista quadrimestral da estância, a sair oportunamente.

Fruto da minha experiência no passado (sim, já fui figura pública, mas prefiro não dissertar sobre isso…), com pessoas ligadas ao jornalismo, optei por falar o menos possível de “moi-même” e focalizar a conversa no projecto “amador” criado, a saber os Bravos do Pelotão.

Neste momento a revista já se encontra em distribuição na minha estância e em outros locais escolhidos criteriosamente pelo meu “sponsor”.

Foram impressos cerca de 30.000 exemplares nesta 1ª fase, e nenhum visitante sai da estância, sem levar na mão um exemplar (faz parte integrante do pack de marketing da estância).

Como esta é uma estância internacional, nada como promover o que é nacional, mesmo que por carolice, mesmo que a dita revista esteja toda redigida em alemão.

Como sempre e porque não gosto de me autopromover, acabei por substituir a minha foto, pelo logo do grupo Bravos do Pelotão. Queiram desculpar, mas ainda não é desta (se é que tem alguma importância) que ficam a saber quem é o Alexandre Pereira, eheheheh…
Parafraseando o ciclope cegado por Ulisses na Odisseia, quando indagado pelos outros ciclopes sobre quem o teria ferido, este apenas respondeu “Ninguém”, e é assim meus amigos (as), que desejo continuar a ser, pelo que somente me revelo a quem connosco pedala.

O principal objectivo desta acção de marketing, para além de dar a conhecer o grupo Bravos do Pelotão, é sobretudo fazer com que pelo menos os nativos em redor da estância, venham convidar-me para rolar e conhecer outros locais e/ou outras “gentes”, pois a estância é frequentada diariamente por vários betetistas nacionais e internacionais. A ver vamos…

Capa da revista


Entrevista

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…
 
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#32
Caiu a primeira Neve no Säntis...

Pois é Companheiros (as),

Esta semana tinha programado "rolar", mas mais uma vez fui traído pelo tempo. No único dia disponível para a prática do meu hobby, começou a chover como já há muito não via... (Welcome to the "penico" da Suiça).

Quem me conhece, sabe que não tenho qualquer problema em andar à chuva, mas aqui na minha estância de férias há toda uma série de questões que me impedem de rolar com tempo de chuva (ossos do ofício).

De qualquer forma e para abrir o apetite para a próxima crónica (sim já está delineado o track, uma vez que como não podia deixar de ser, fui achegado com "comichões betetisticas"), coloco este instantâneo, tirado a partir da minha estância e em que como constatam, caiu a primeira neve da temporada.



A ver vamos, se a mesma aguenta até à próxima semana ou se piora (de preferência), eheheh...

Cumprimentos,
Alexandre Pereira
 
#33
Já agora ficam aqui os links para as minhas experiências ciclistas (btt e cicloturismo) no Suíça e arredores:
Fribourg-Morges (http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=177273)
Les Hautes Combes (http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=189382)
Tour du Pays de Gavot (http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=189450)
Plateau de Retord (http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=195702)
Tour de la Haute Chaine du Jura (http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=210564)
Alpine Tour (http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=220356)
Rhine Route
(http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=387736
http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=387753
http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=387765
http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=387920
http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=390257
http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=390302

Também fiz a Rhone route, mas não tenho o (meu) track (não tinha GPS na altura). De qualquer dos modos a informação existente na página do turismo da Suíça é muito completa (tracks, guias, alojamento, transporte) e tem óptimas sugestões para BTT, cicloturismo e não só (um exemplo que podia ser seguido em Portugal).

http://www.myswitzerland.com/en/interests/cycling.html
 
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#34
Boas Kumbaiala,

Obrigado pela informação disponibilizada. Já estive a analisar a mesma e quiçá qualquer dia não me aventure por alguns desses trilhos.

Digo isto porque a partir de Janeiro 2012 deverei assentar “arraiais” noutra “estância de férias” na zona de Lausanne ou arredores; pelo que de ora em diante continuarei sempre que possível a rolar na zona do Säntis; isto para mais tarde recordar…

Quem sabe se algum dia não rolaremos juntos…, isto se estiver a morar perto dessa zona, mas também não há problema, a Suíça não é assim tão grande, é somente uma questão de disponibilidade e meios…

Cumprimentos betetistas e até qq dia,

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…
 
#35
Na realidade já não estou a viver na Suíça há mais de 2 anos, mas fiquei com vontade de lá voltar por uma semana ou duas para explorar de bicicleta os vários e fantásticos caminhos que o país oferece. Um abraço.
 
#36
Fui até Schwägalp, mas não apanhei boleia do teleférico…

Tendo sido acometido de um violento ataque de “comichão betetistica” durante estas semanas em que não pude rolar, resolvi abordar o meu quintal de eleição (Säntis) de uma forma diferente, ou seja, em vez de o atacar de frente que nem um touro, resolvi abordá-lo de uma forma mais suave, rolando em paralelo.

Em termos de esforço exigido, este foi mais suave, mas em termos de qualidade fotográfica, como adiante constatarão, a coisa não correu lá muito bem, uma vez que apanhei sempre de frente o sol e sobretudo muito nevoeiro nos locais por onde desejava passar.

Saí da minha estância pelas 09h30 e regressei à base por volta das 18h00, tendo rolado 75 kms. Como o tempo aparentemente prometia, saí somente equipado com um jersey de manga curta (BTT Rotas do Marão) e uns calções. Errei na opção, porque neste momento a temperatura já anda abaixo dos 10º, e logo nos primeiros quilómetros senti uma dor gradual e lancinante, provocada pelo vento a tentar furar-me as orelhas (não deu para desenrascar com uns boxers, tal como na crónica 001, ehehehe…); pelo que terei de investir nuns protectores para os ouvidos.

À medida que ia subindo até aos meus destinos (Schwägalp 1.355 mts – Teleférico que dá acesso à Antena do Säntis a 2.502 mts e Kronberg 1.652 mts – Outro teleférico), constatei que o tempo estava a mudar, começando a cair nevoeiro e ficando cada vez mais frio.

Sendo assim e uma vez que um dos objectivos das minhas voltas solitárias é presenteá-los com registos fotográficos com alguma qualidade e nitidez, acabei por abortar a ida ao Kronberg, ficando esta protelada até que as condições atmosféricas assim o permitam. Espero poder lá ir ainda antes das primeiras quedas de neve, a ver vamos…

Eis parte dos registos do dia… (restantes encontram-se na página Bravos do Pelotão, ver crónica Nº011)

Ponto da situação, destino Schwägalp, onde está desenhado o Teleférico.


Para lá chegar, tive de atravessar cerca de 10 kms de floresta.


Uma pérola no meio da floresta.


Acabei por ter sorte, porque no dia 24.09, realizou-se nessas paragens uma prova de BTT e acabei por aproveitar a indicação fornecida pelas placas.


Aspecto da floresta. Trilho em gravilha, sempre a subir, gradualmente.


Só pelo prazer…


Após a floresta, entrada em terreno aberto e Säntis do lado esquerdo.


Não se deixem enganar pelo tempo solarengo. Começava o nevoeiro a descer.


Casas para alugar para quem procura uma terapia de isolamento.


Esqueçam as comodidades básicas.


A subida continuava.


Novo ponto de situação.


Tenho de passar para o outro lado do monte.


Do lado direito (edifício no topo) o Kronberg 1.652 mts e do lado esquerdo da foto, o caminho de acesso (não vai ser pêra doce…), mas as vistas e descidas subsequentes compensarão o esforço. Me aguarde.


E lá continuei por entre aglomerados de casas dispersas.


Um dos meus instantâneos favoritos, pois recordou-me o Gerês.


Sim, vim detrás daquela floresta.


A subida continua, mas gradualmente.


Parabéns à menina que passou por mim.


Chammhalden Hütte – 1.398 mts, caminho que me iria conduzir ao Kronberg.


A luz ao fundo do túnel. A meta ainda está a alguns kms.


Momento Zen.


Outras hipóteses de voltas para o futuro.


Imaginem esta volta efectuada em tempo de neve.


E se Deus fosse betetista.


A tão almejada Meta.


Welcome to Gerês, not de La frontera.


Mesmo a tempo de ver chegar um.


A estação, como não podia deixar de ser.


Teleférico em pleno voo.


Agora de mais perto.


Sinto-me tão pequeno.


Lista de trilhos pedonais possíveis.


Um último adeus ao teleférico, motivo desta volta.


Tempo de regressar, por um single track fantástico.


E o single lá continua.


E dura…


Dura…cell. (passo a publicidade)


Só para o registo, não é para provar nada…



Estar junto ao Säntis, isto é, na base, é uma sensação indescritível, tal é a monumentalidade da montanha (bem sei que há montanhas mais altas, mas fica o registo). Senti-me como um “alpinista betetista” após conquistar mais um cume. É impressionante ver o teleférico no seu vai e vem (notar que viagem demora 10 minutos para passar dos 1.350 mts até aos 2.500 mts). Claro que quando estamos na base, cria-se uma ilusão óptica de que afinal o Säntis, não é assim tão alto.

Fiquei também surpreendido comigo, uma vez que já não rolava há cerca de um mês e no entanto, após estes 75 kms, cheguei a casa, fresco que nem uma alface… (o acumulado de subida desta volta foi de 2.040 mts, segundo o track desenhado no Google Earth).

Devo estar a ficar como o Vinho do Porto, porque pelos vistos, quanto mais velho (acabei de fazer 41 anos, no dia anterior à volta), aparentemente em melhor forma física, me encontro. Coisas da vida…, ou talvez seja devido a estar em paz comigo mesmo, desde que tomei a decisão de meter esta “licença sabática” à minha própria existência…

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

 
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AFP70

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#37
Com temperaturas perto dos 0º, era suposto acontecer…

Pena hoje não ter podido rolar, porque se tivesse ido, levava com este espectáculo…





A partir de agora declaro oficialmente aberta na minha estância, a época da NEVE.

Claro que o prometido (vide crónica anterior) é devido e oxalá o tempo não piore nos próximos tempos, pois ainda tenho agendada a tal ida ao Kronberg 1.652 mts (Teleférico) e um novo projecto (para vos aguçar o apetite, posso dizer que será algo que me conduzirá a novos limites de resistência física e mental…), mas que somente será apresentado após realização, isto claro se o tempo ajudar, nos poucos meses que por cá conto ainda ficar; caso contrário não passará de uma utopia.

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

P.S: As fotos foram tiradas com o famoso telemóvel da Crónica nº001, eheheheh…
 

AFP70

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#38
Subida ao Kronberg ou o Curtir das Carnes…

O dia hoje apresentava-se soalheiro, convidativo para uma incursão em alta montanha. Como da minha estância, consigo ver o Säntis, tudo me levou a crer que por lá as temperaturas seriam amenas. Errado, esqueci-me do factor altitude.

Vai daí, toca a vestir umas calças (com alças) de Inverno (optei por umas mais finas ao invés das que habitualmente utilizo no Gerês (são mais quentes), um Jersey manga curta e por cima um Jersey manga comprida (Maratona 5 cumes 2010) e para finalizar uma fita recentemente adquirida para proteger os ouvidos do frio e do vento.

Saí às 9h30 e regressei à base pelas 16h30, tendo percorrido cerca de 60 kms.
Altitude mínima 736 mts e altitude máxima 1.652 mts.

Agora, perguntam vocês. Como é que andaste tão rápido desta vez?

Pois, fruto das minhas opções erradas no que toca à indumentária, tive de rolar em permanência, isto para me manter quente.

Estava sol na verdade, mas a temperatura andava entre os 6ºC nos vales e 3ºC na montanha, para não falar do vento que se fazia sentir. Nas zonas de sombra então, nem se fala, tal era o frio. A roupa deixava entrar ar por todos os poros (boa para Portugal, mas aqui não serve). O nevoeiro de montanha ganhou sempre ao sol, por vezes parecia que ia começar a chover (chuva de molha tolos).

Apenas parei para os registos e para meter alguma coisa no bucho.

No meio disto tudo, a fita para protecção dos ouvidos cumpriu muito bem a função (nem frio, nem dor). Acreditem que teria abortado a volta se não a tivesse levado, pois o desconforto era mesmo muito.

Foi uma volta muito sofrida, não tanto pela dureza da mesma (acho que já me habituei a estas duras subidas, subo-as mecanicamente, sem pensar, sempre com os olhos postos na miragem da chegada ao objectivo proposto), mas sim, pela sensação de desconforto, daí a sugestão do título.

Curtir as carnes, significa segundo o dicionário “…suportar sofrimento ou situação penosa = aguentar, padecer, sofrer…” ou ainda “…tornar mais forte, mais resistente = calejar, endurecer…”

Eis parte dos registos do dia… (restantes encontram-se na página Bravos do Pelotão, ver crónica Nº012)

A caminho do Säntis. Este conjunto de figuras faz parte da tradição (imagem de marca) de Appenzell, estando representado em várias peças de arte e inclusive nuns cintos tradicionais que quase todos os nativos usam no dia-a-dia. Recorda-me a moda do final dos anos 80 em Portugal, quando a maioria da malta “Macho” sobretudo das aldeias, utilizava aqueles cintos à Americana (com pinturas, fivelas com cornos, tipo cowboy). Depois dessa moda, a coisa efeminou um pouco, com a moda dos suspensórios. Não questiono, são gostos…


Única ponte existente na floresta a caminho do Säntis. Achei o enquadramento bonito, assim como as cores do Outono.


A famosa cascata. Não se percebe pela pespectiva, mas são mais de 50 mts de queda d’água.


Perto de Schwägalp. Ainda se vêem os vestígios de neve que caiu a semana passada.


Kronberg (1.652 mts) no topo do outro lado do vale, visto a partir de Chammhalden Hütte; e a famosa subida em zig zag.


Outras voltas possíveis. Aqui ninguém passa fome de trilhos…, haja vontade, disponibilidade e assim o tempo o permita.


Um singletrack faluloso, com direito a pontes e sempre com indicações.


Zona do single mais complicada, mas nada que o “Je” não conseguisse ultrapassar. Dir-se ia que estávamos nas “Américas dos Norte”


Só por este single, valeu a pena o sofrimento até ao momento, mas mais me aguardava.


Langälpli (1.364 mts), início da penosa subida de 800 mts para vencer 200 mts de desnível (à la patte)


Vista dos 1.530 mts e Säntis (antena) ao fundo. O pior já passou.


Vistas do vale.


Restantes kms até ao destino final.


Rolando por cima das nuvens. É bem visível a diferença de clima.


Parece mais difícil do que realmente foi.


Vista do lado oposto. O caminho parece uma mini pista de aterragem.


Como o tempo estava constantemente a mudar (nuvens, nevoeiro, névoa), este foi o melhor shot que consegui do Säntis.


Prova cabal da minha ida ao Kronberg (1.652 mts), através da minha fiel amiga.


Conseguem ver o teleférico?


Foi com o pensamento neste momento que ultrapassei todas as vicissitudes.


Este “perro” ainda vai fazer história nas próximas fotos. Ao fundo o caminho por onde tenho de passar. Aqui a perspectiva sugere que o monte acaba, tal é o grau de inclinação.


Capela de St. Jakob (1.450 mts). Descer esta escadaria não foi “pêra fácil”, mas o material vs piloto portaram-se à altura.


Já estou habituado a que os “caminhantes” olhem para mim com aquele ar de que só “um gajo que não bate bem da telha, é que vêm para aqui de bicla”. Pois, nesta descida em gravilha, o “perro” lembrou-se de se atravessar à minha frente, toca a domar uma égua sendo que por pouco não estava aqui para contar esta crónica.


Vou passar por detrás daquele monte ao fundo.


Com esta foto de perfil, conseguem compreender melhor a cena do cão. “Audaces fortuna iuvat”.


Gostei deste enquadramento.


Para variar, mais do mesmo. Uma casa na pradaria, não, digo na montanha.


Pena a neblina, mas consegue-se ver ao fundo o Kronberg e a meia encosta, a capela de St. Jakob. Estamos a falar de um desnível de 350 mts em 2 kms, daí o gozo, mesmo muito técnico (e eu que nem gosto nada, eheheh…).


Agora, em terreno aberto e com “solinho”.


Não, não são os socalcos do Douro. Lá ao fundo (por cima da casa), o Hoher Kasten (já lá fui muito feliz).


Não me canso destes trilhos.


Como diz o adágio “Depois de uma descida, na pior das hipóteses vem uma subida”, pois aqui está ela.


Passagem por uma extensa floresta, diga-se de passagem, mesmo muito fria e escura.


À saída da floresta.


Parque de campismo de Eischen (1.035 mts). Cada caravana está acoplada a uma casa em madeira. Porque não aplicar a medida em Portugal em vez de se investir em avançados?


O chamado dois em um (No Inverno é uma pista de ski e no Verão serve de pasto às “baquinhas Suiças”).


Para acabar em beleza, entrei num single que mais parecia uma floresta tropical, tal era o emaranhado de árvores e arbustos.


O single estava coberto por todo o tipo de folhas (afinal estamos no Outono) e parecia ter sido pintado, tal era a profusão de cores.


Entrada “triunfal” em Appenzell.



Tal como frisado anteriormente, à parte o frio, esta volta é espectacular (foi a cherry no top of the cake, eheheh…), pois consegue conciliar singletracks de uma beleza ímpar, descidas técnicas como há muito já não fazia e de cortar a respiração, tal era o grau de inclinação; assim como variedade de relevo, ora em campo aberto, ora no interior de floresta, um must mesmo.

A seu tempo veremos, mas julgo que para este ano, esta foi a minha última incursão em BTT à zona do Säntis, uma vez que a partir da próxima semana começa a cair neve a sério.

Não sei por onde irei andar de ora em diante, mas com certeza não os irei decepcionar…

Cumprimentos betetistas e até uma próxima crónica…

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

 
#40
Que chapas mais brutais,Alexandre és um sortudo por poderes desfrutares paisagens desse calibre,como diria alguém,"que inveja que eu tenho de ti"!!!!!!!!!!!!!!!!

Mencionas regularmente o Gerês,pois eu estive à pouco(02/10)na maratona e presenciei paisagens também brutais,mas essas aí são de excelência.......

Abraço

JAndrade
 
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