Bike17Eco à Descoberta do Nosso Portugal – Travessia em BTT

#1
*** “A verdadeira viagem da descoberta consiste não em buscar novas paisagens, mas em ter olhos novos." (Marcel Proust).

*** Terá sido assim? Nesta já saudosa e única 2ª quinzena de Setembro de 2010, teremos nós descoberto o nosso País? Ou terá sido a nossa própria descoberta, das nossas fraquezas e dúvidas, das nossas virtudes e medos? E da nossa gente lusitana? Caros Betetistas, podemos dizer que foi um pouco de tudo.

***A estória desta incrível descoberta e Aventura (imprevisível à partida no seu desfecho), por parte de alguns atletas e amigos do Bike17Eco, será humildemente partilhada.

A Origem.

*** Surgiu um momento único e celestial no início de Primavera de 2010, em jeito de desafio por parte de alguns dos meus Amigos, destas e outras andanças, Pedro Silva “Trilhos”

,Sérgio “Fugas” e Sónia Pimentinha

, e Pimenta “Saca Saca”


, de efectuar uma Travessia de Portugal em BTT.

*** Seria efectuada em período de férias, no mês de Setembro (2ª quinzena), dado o bom tempo que costuma estar nessa época (ou então não;)) e ser um pouco mais fácil para a malta tirar férias, em 13-15 dias, sem qualquer stress de tempos nem prazos a cumprir mas antes a desfrutar em pleno do nosso Portugal. O objectivo era esse, pedalar todos os dias, fazendo claro os Kms mínimos necessários e com o objectivo de chegar a bom porto, seguindo na medida do possível e razoável as indicações e o trilho marcado da Transportugal, mas sempre com o espírito de férias e não de obrigação em acabar algo, dando-nos a possibilidade de conhecer as nossas aldeias, cidades, gentes de Portugal e estórias por esse país fora.
Os Preparativos

*** Sendo efectuada em quase autonomia total, ponderamos de imediato solicitar a colaboração das forças de segurança deste País, mormente o contacto directo nas Esquadras da PSP ou Postos da GNR, com camaratas, ou Bombeiros, aquando das nossas chegadas, pois três de nós sendo do efectivo da Polícia de Segurança Pública (Eu, o Pedro e Pimenta) , facilitar-nos-ia muito a vida. Acresce que, para além de ficar na memória colectiva o convívio directo que tivemos com todos estas nobres pessoas, não menos importante era também uma grande poupança no orçamento com o alojamento, o que se veio a verificar!). Aliás e sobre esta matéria, quero deixar publicamente as nossas sinceras homenagens e respectiva vénia a todos os elementos Policiais da PSP e da GNR e aos Bombeiros, por esse país fora, que nos receberam como a tradição Portuguesa manda ( o alojamento a civis nunca teve qualquer entrave nas Esquadras ou Postos inclusive pois fomos apanhados a meio do percurso pelo Sr. “Engenheiro” Pedro Cintra, de Setúbal, nobre amigo e companheiro de viagem até Sagres, ganda maluco

que vinha a cumprir a Travessia sozinho, de alforges e seguindo á risca a totalidade do Trilho marcado no seu GPS, mas isto é outra estória a ser contada para a frente…. ) de alma e corações abertos, facilitando-nos a vida ao máximo nos alojamentos, comprovando o brio, dedicação e alma destes Guerreiros e que acredito todos vós Aventureiros terem experiências semelhantes deste saber receber. Bem Hajam.

*** Claro está que eram necessárias também as devidas pesquisas das etapas, planificações pessoais, transportes de bikes e material para levar, preparação física com alguns treinos com as mochilas, etc…. Ficou alinhavado da seguinte forma: seriam 14 dias para mim, o Pedro trilhos e o Pimenta Saca Saca, e a Sónia Pimentinha e Sérgio Fugas acompanhar-nos-iam nos primeiros 3 dias, visto terem outros compromissos e também ser a estreia da Sónia em tão longas distancias em BTT, (mais do que isso e davam em malucos só de nos aturar!). Em Bragança, ficamos no Comando da PSP, já tínhamos efectuado um contacto prévio para marcar os quartos (e que quartos!!!)


Nos 2 primeiros dias (Sendim e Freixo Espada A Cinta), ficaríamos em pensões ( a Gabriela e a Fatibel), dando também algum conforto, depois era o improviso..... A logística não foi esquecida e o Vítor, irmão do Fugas, acompanhado do atleta internacional Manel Xinateiro, tiveram a grande amabilidade de fazer o transporte até Bragança das Bikes na carrinha do primeiro, ao fim do dia - nos autocarros, Alfas, aviões, burras só devidamente acondicionadas (ainda tínhamos por resolver o nosso regresso a casa mas isso é outra aventura!), assunto que foi resolvido com um aperitivo de uma sandes de queijo e um copo de vinho para cada um!


O Material

***Optamos por levar todos mochilas, algumas de 40 Lts em detrimento dos alforges, claro alguns mais carregados do que outros, condicionados pelo número de dias, tirando o Pedro Cintra que vinha com 30 Kgs nos alforges, tentando salvaguardar o equilíbrio dado a natureza técnica do percurso. Fizemos a divisão da ferramenta básica necessária pelos 5, optamos por levar um pneu novo cada um não fosse o diabo tecê-las, barras energéticas, fruta e afins eram comprados no dia a dia nas mercearias, aumentando o peso claro mas, analisando a frio e se pudesse voltar atrás, não teria cometido o mesmo erro pois ao fim de vários dias com um peso mínimo de 10 Kgs ( dou-vos uma perspectiva do antes e depois da minha mochila, já com alguns cortes substanciais, por exemplo o saco cama foi amarrado ao espigão da minha bike)


, todos acusaram um desgaste incrível nas costas e sobretudo no rabo para onde o peso era todo dirigido, já só nos apetecia atirar a mochila fora! Eu comecei a ficar com uma bolha na virilha, de roçar no selim (que também não ajudou por ser estreito para tanstos dias)sempre no mesmo sítio devido ao peso, não foi nada fácil acabar. Foi a poupar ao máximo no peso a levar na mochila, a grama certa meus amigos, tipo mini champoos, mini sabonetes, mini tubos de pasta de dentes, etc....., outros a ter que cortar nos haveres a levar para 14 dias a pedalar, a fazerem contas para não se esquecerem de nada, o Pimenta já tinha sido avisado de que não podia levar o frigorífico com ele! – Tirando uns furos, não houve qualquer avaria grave até ao fim.


As Etapas

***Ficaram, num primeiro tempo, acordadas as 13 Etapas previstas, baseadas na Travessia em Lazer da Transportugal, com os principais gráficos, fizemos umas fichas plastificadas com os pontos de referência das Etapas e que passo a descrever:

*Dia 0, 16 de Setembro – Partida para Bragança na Rede Express.


*Dia 1, 17 de Setembro – Bragança – Sendim (77 Kms, 2367 Mts de acumulado, Dificuldade elevada, Parque Natural de Montesinho; Refega; Aldeia de Caçarelhos (percurso fica mais plano).


*Dia 2, 18 de Setembro – Sendim – Freixo Espada á Cinta (67 Kms, 1571 Mts de subidas e 1295 Mts de descidas, Dificuldade média, Etapa de sobe e desce constante - Urrós; Calçada da Bemposta (800 mts de subida em pedra e degraus); Lamoso; Vila de Alá; Miradouro do Carrascalinho; Lagoaça (lajes de pedra); Descida vertiginosa para Mazouco).


*Dia 3, 19 de Setembro – Freixo – Almeida (76 Kms, 1920Mts de subidas e 1250 Mts de descidas, Dificuldade muito elevada e alguma perigosidade, È a Etapa do Douro – Subida ao Penedo Durão; Poiares a Barca D´alva 15 Kms, 10 a descer em zonas perigosas e com ravinas (Calçada de Alpajares); Barcas D´alva até Castelo Rodrigo são 20 Kms a subir e bem duros; Até Almeida faltam 21 kms).



*Dia 4, 20 de Setembro – Almeida – Alfaiate (54 Kms, 627 Mts em subidas, Dificuldade média (considerada a mais fácil da Travessia, Rota dos Contrabandistas – Desenrola-se no grande planalto para além do vale do Côa ; predominam os bons pisos nesta etapa).


*Dia 5, 21 de Setembro – Alfaiate – Termas de Monfortinho
(86 Kms, 1819 mts de Subidas e 1960 Mts de descidas, Dificuldade muito elevada, É a etapa considerada a mais selvagem, distante e isolada – Segundo a descrição atravessa uma reserva com portão e guarda ( a ter que ver isso); Serra da Malcata , ao Km 15 Fóios é o último contacto com a civilização e a seguir são 70 Kms quase isolados; Serra do Ramiro e Vale feitosa; Rio Erges; Local de perigo e quedas frequentes ao Km 66 numa descida de 6 kms).


*Dia 6, 22 de Setembro – Termas de Monfortinho – Ladoeiro (79 Kms, 1804 Mts em subidas e 1035 Mts em descidas, Dificuldade média, Singletrack junto ao Erges; Subida a Monsanto em calçada muito inclinada; Descida de Monsanto perigosa; Idanha-a-Velha; Subida para Alacafozes (Santuário da Sr do Loureto).


*Dia 7, 23 de Setembro – Ladoeiro – V.V Ródão – Castelo de Vide (98 Kms ( 61 Kms até V. Ródão), 1815 Mts de acumulado, Dificuldade média, Muito rolante na parte inicial junto ao Rio Ponsul até Lentiscais; Srª do Socorro; Monte Fidalgo; Portas de Ródão; Vila Velha de Ródão; Atravessa-se o Tejo em direcção à aldeia de Salavessa; 20 Kms do fim Penedo de Marvão; Parque megalítico dos Coureleiros; Subida da calçada íngreme para Castelo de Vide).


*Dia 8, 24 de Setembro – Castelo de Vide – Campo Maior (81 Kms, 1748 Mts em subidas e 1525 em descidas, Dificuldade média/alta, Atravessa o Alto Alentejo junta á fronteira espanhola sobre a Serra de São Mamede; Descida da calçada de Castelo de Vide ( 3 kms) e Descida empinada para Alegrete; Esperança; Nova barragem do Abrilongo; Pintura rupestre da Lapa dos Gaivões; Serras salpicadas de papoilas e malmequeres a norte de Campo Maior).


*Dia 9, 25 de Setembro – Campo Maior – Monsaraz (102 Kms, 1653 Mts em subidas e 1380 Mts em descidas, Dificuldade média, É a etapa mais longa – Rio Guadiana ao Km 20 na Srª da Ajuda onde existe a ponte internacional que liga Elvas a Olivenza; Barragem do Alqueva; Castelo de Jeromenha; Convento da Orada; Descida do Monte de S. Gens; Subida técnica da calçada medieval para Monsaraz).


*Dia 10, 26 de Setembro –Monsaraz – Pias (74 Kms, 930 Mts em subidas e 865 Mts em descidas, Dificuldade média, Etapa do Alqueva e Alentejo, muito rápida, grandes planícies e herdades – 20 Kms iniciais em alcatrão desde Monsaraz até à Nova Aldeia da Luz (velha está submersa) ; Cromeleque do Xerês; Mourão; Aldeia de Santo Amador, Rio Ardila; Ao Km 30 deixa-se o Guadiana e entra-se no carrossel, sobe e desce constante dos montes até Moura).


*Dia 11, 27 de Setembro – Pias – Albernoa (69 Kms, 985 Mts em subidas e 770 Mts em descidas, Dificuldade média / fácil, Etapa que diagonaliza o país, atravessa o centro do Alentejo em direcção á Costa Vicentina – verdadeira etapa do Alentejo; Rio Guadiana; Ponte do Guadiana; depois da ponte 5 Kms de singletrack ao lado dos carris muito técnico e perigoso junto a uma ravina; Direcção Alentejo profundo, Salvada, Cabeça Gorda, Albernoa).


*Dia 12, 28 de Setembro – Albernoa – Santa Clara (88 Kms, 1718 Mts em subidas e 985 Mts em descidas; Dificuldade média / fácil, Transição da planície para a serraria típica do Algarve, é a etapa das Barragens – Planície a Oeste de Castro verde até a Barragem do Monte da Rocha; Depois entra-se na serra com o carrossel de subidas e descidas; Aldeia de Garvão; Aldeia das Amoreiras; Barragem de Corte Brique; Singletrack para uma cumeada a norte da Barragem de Santa Clara; Fonte de Santa Clara (1892).


*Dia 13, 29 de Setembro – Santa Clara – Vale da Telha (71 Kms, Dificuldade alta, Uma das mais difíceis e trabalhosas, muitas subidas com a passagem para o Algarve em cima da espinha montanhosa de Odeceixe até à Serra de Monchique; Ao Km 24 Espinhaço de Cão (20% inclinação de subida); Rogil; Castelo de Aljezur).


*Dia 14, 30 de Setembro – Vale da Telha – Sagres (59 Kms, Dificuldade alta Etapa dura (vento) e das falésias – Praia do Canal; Carrapateira perto já do mar; Rola-se nas falésias; Praia do Amado; Ao Km 28 descida mítica (100 mts quase verticais com degraus pelo meio); Lagoa do jardim; Singletrack em Cordoama (Fio Dental); Subida até Torre de Aspa; Fim na praia da Mareta.)


*** Ufa, Preciso de uma pausa depois de tanto pedalar… E Vocês? :roll:

*** Contudo e como vão poder constatar mais adiante nos relatos das etapas efectuadas, não cumprimos na íntegra esta ordem de Etapas, confirmou-se o improviso, o desfrutar da Travessia, a luta mental e física para chegar a bom porto, a surpresa e os imprevistos, resultando num encurtar do trajecto em 13 dias, o não cumprimento total do Trilho com estrada à mistura, boleias de Viteleiras, o aparecimento fortuito do Pedro Cintra pelo caminho, etc…

Continua brevemente com o Dia O ……

Bem Hajam. Sousa “Trepador”


PS. Qualquer azelhice no texto, postagem de fotos, links, respostas a posts, etc.. deste humilde Betetista pseudo cronista, é mesmo da sua Responsabilidade.
 
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#2
Com que inveja eu fiquei ... sois uns sortudos !
um dos meus objectivos é fazer o mesmo, mas por falta de tempo... lá vai ficando por fazer.
Fica o tópico subscrito à espera do resto da Aventura !

Portugal é LINDO !
 
#3
Dia O da Aventura, 16 de Setembro – Partida para Bragança

***Depois de analisar os horários possíveis para sair do Porto, junto à Praça da Batalha, para Bragança, pela Rede Expresso, achamos melhor sair de manhã, no autocarro das 09H15 pois assim chegávamos à hora do almoço a Bragança (hora prevista 12H40), sem stress nenhum, tínhamos assim muito tempo para organizar lá as coisas e aproveitar para conhecer a Cidade, com o seu Castelo imponente.

***Já tínhamos comprado os respectivos bilhetes (12.50€ Preço Regular/ com o Desconto para Militares/F.Seg. deu 10.60€, uma viagem confortável diga-se) pelo que o ponto de encontro com o Pedro Trilhos e Pimenta Saca Saca foi no local de partida. Eu, a Sónia e o Sérgio encontrávamo-nos em Ermesinde. Aí começavam já as peripécias pois a Sónia tinha-se esquecido dos bilhetes em casa, dando conta a meio do caminho apeado para a Estação, toca a dar uma corrida matinal que também não faz nada mal à saúde:eish:

*** As Respectivas Burras e CRUCIFIXOS (Mochilas) ficaram na garagem do Fugas a aguardar o seu carregamento pelo Vítor e Manel, ao fim da tarde, com destino a Bragança.


*** Estava bom tempo, espírito de férias e a dar início à aventura, enfim a boa disposição reinava como não podia deixar de ser.

***O Grande Tema de Conversa durante a Viagem: a nova Suspensão Total do Pedro Trilhos, a SCOTT SPARK 20 modelo 2010. Só a tinha visto na noite anterior quando fui deixar a minha burra na garagem, o Fugas já sabia mas também não se descoseu, andava nos segredos dos deuses por parte do Trilhos, teve que nos aturar um pouco mais do que é habitual até Bragança com planificações futuras de ataques em descidas, saltos de precipícios, etc. …


***Chegada a Bragança pelas 13H00, almoço respectivo no Bragança Shopping primeiro (tudo aderiu ao prato de massa, porque será?), de seguida fomos em direcção ao edifício do Comando da PSP de Bragança, onde fomos recebidos pelos Colegas em geral e o Chefe Valter em particular, a pessoa responsável pela Logística, de forma espectacular e calorosa, e com um misto de “Bragança – Sagres em bicicleta:fpalm: Tá bem está!”, que nos encaminhou para as nossas respectivas suites já solicitadas formalmente por nós.

*** Seguiu-se uma visita longa e apeada pela cidade de Bragança, serviu de relaxamento para as pernas, com especial incidência pelo grandioso Castelo e dentro das suas muralhas o respectivo museu Ibérico da Máscara e do Traje, com um momento de recolha pessoal na Igreja. Uma visita também ao Mercado Municipal, para abastecer de bebidas e fruta para o dia seguinte, serviu também para sentir o pulso do Povo de Bragança.


***Recolhemos até ao Comando e aposentos, aguardando pela chegada da nossa maravilhosa Equipa da Logística ao início da noite, foi um filme dos diabos para arranjar frango no churrasco para todos mas lá conseguimos. Sem o esforço e altruísmo do Vítor e o Manel em nos transportarem as Bikes e Mochilas até Bragança (depois de um dia de trabalho e no dia seguinte eles teriam que se levantar cedo na mesma), teria sido bastante complicado, deixo publicamente a nossa respectiva Vénia e Admiração Amigos:venia: Também fizeram parte desta Travessia.

*** Despedidas feitas do pessoal depois do jantar, era tempo de recolha aos quartos para dar início ao descanso. Amanhã íamos começar a Nossa Travessia.

***Ao longo desta nossa Aventura, quase todos os dias aconteceram episódios caricatos, sempre algo que nos marcou pela diferença, pela negativa ou pelo lado cómico e que fomos tentando apontar no meu famigerado bloco de notas. E neste Dia O, não podia ser diferente. O Pimenta tinha-se esquecido de carregar a maior parte das suas baterias da máquina digital, telemóvel, etc… pelo que ficou como de plantão durante a noite aos carregadores, foi só rir. DEvia andar a passar a ronda:D

*** Amigos amanhã é o Dia da 1ª Etapa, e que Supresa de Etapa, isso garanto-vos!

Bem Hajam. Sousa “Trepador”

Fotos do Dia O: http://picasaweb.google.com/bike17eco2/DIA0Braganca?feat=directlink

Continua….
 
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#6
Dia 1 da Aventura, 17 de Setembro – Bragança / Sendim

***Falei anteriormente em supresas, imprevistos. Bem, aí estava a primeira e com a qual nenhum de nós contava mesmo. Pelas 07H00, ao levantar, espreitamos pela janela, era o Arranque para a Travessia de Portugal, sob uma chuvada torrencial, o dia lá fora estava francamente mau, uma tempestade diluviana:eish:. Incrível depois do dia solarento de ontem. Enfim, deu para testar as coberturas das mochilas do Trilhos, Trepador e Saca Saca e inventar umas à Macgyver para o Fugas e para a Sónia.


***Por esta altura toda a malta pensava:- ainda bem que o Trepador veio carregado com um litro de protector e com o carregador de telemóvel solar, pois podem vir a fazer falta (...)

***Mas, nada a fazer, tínhamos de ser duros, tiramos a foto da praxe frente ao Comando para dar início à nossa viagem.


*** Tomamos antes um bom pequeno-almoço no Pão quente em Bragança, no centro da Cidade.


*** O Pedro Trilhos, exímio navegador do Bike17Eco, carregou o track da 1ª etapa no nosso GPS, um Garmin Etrex Legend HCX, e aí, logo a segunda surpresa do dia: na preparação prévia, ele tinha sacado 2 track´s, o da Travessia em Lazer, que inicia logo em Bragança, um trajecto mais curto e mais directo ( mais para a frente verificamos esta situação com a chegada do Pedro Cintra) e o da Transportugal, que inicia em Rio de Onor, percursos que não são bem iguais, imaginem vocês qual dos dois ele tinha carregado no GPS? Pois é, o 2º:fpalm:, pelo que toca a calibrar o GPS para nos dar o caminho mais curto por estrada até Quintanilha,


o que dava cerca de 25 kms pela estrada, debaixo de chuva, não se tirava partido das paisagens pois o tempo estava compeltamente encoberto,


o frio não nos dava descanso, pessoalmente, não me estava a dar muito bem com esta situação pois estava a acusar o desaste, foi uma manhã bastante difícil digo-vos, safou-me o ânimo dos meus companheiros! Quase só parou de chover quando chegamos ao Vimioso vejam bem.


*** Entrámos enfim no trilho certo junto à Capela da Nossa Senhora da Ribeira, levando logo com uma subida para aquecer, menos mau, ao menos já desfrutávamos dos trilhos e respectivos quadros,


seguindo-se passagem por Paradinha Velha, até à Ponte sobre o Rio Maçãs,


Pinelo, com chegada ao Vimioso, onde a chuva nos deu deu enfim tréguas até ao final da Etapa. O respectivo Almoço, no restaurante Amazónia, Frango assado com vinho maduro tinto (35,50€ / 5 pessoas), nem vos conto o bem que nos fez esta paragem, até deu para secar a roupa.


*** Almas reforçadas, corações cheios, taxa de alcoolemia assim assim… direcção Sendim, com passagem pela Duas Igrejas, aldeia de Caçarelhos, numa mistura de estrada e trilhos.

***Finalmente em Sendim, perguntou-se pela Residencial A Gabriela, sobejamente conhecida pela extrema simpatia das suas proprietárias bem como pela famigerada Posta à Mirandesa,


onde tínhamos feito uma reserva antecipada e que se vai revelar crucial para umas Estórias mais para a frente. Já nos esperava a Dona Lurdes, habituada a estas andanças visto a sua pensão fazer parte da logística da Prova Oficial Da Travessia, que prontamente e simpaticamente nos acomodou e mostrou os nossos aposentos, lavando-nos e secando-nos a roupa. Meu Povo Lusitano ao seu mais alto nível.
(Os Preços : o Jantar na pensão Gabriela em Sendim foi Posta á Mirandesa c/ sobremesa (98€ / 5 pessoas) e que Posta meus amigos,


Dormida e banhos: quarto duplo c/pequeno-almoço, 39,60€ / 5 pessoas. Tem um Local próprio e vedado para guardar as bikes e sítio para as lavar).

***A condição física? Toda a gente se queixava um pouco dos ombros e do pescoço, o peso das mochilas fazia-se reflectir mais nesta zona por enquanto, a Sónia, que tinha tido um problema recente no joelho, não tinha acusado muito o desgaste, estava ao seu melhor nível, depois da sua estreia em monte e numa etapa com estes dados:


O Pimenta, possuidor de uma Hérnia do mais alto calibre na cervical, também não se acusava, nada que uma massagem com a Pomada Musclor, que o Fugas desencantou, não resolvesse e resolveu, a todos! Ah, é verdade, também tínhamos levado FAST RECOVERY para o fim das etapas mais longas, o que nos ajudou na recuperação.

*** A parte mental? Depois de um início tempestuoso, a coisa foi-se bem compondo ao longo do dia, com o aparecimento tímido do sol e paisagens de cortar a respiração. A chegada a Sendim foi uma sensação de dever cumprido e êxito alcançado, sem que houvesse qualquer avaria ou queda.

***Terminou-se o dia com um passeio pela Vila, recolhendo ao quentinho depois, amanhã era outro dia que se adinhava bem durinho, hoje, ninguém vai sofrer de insónias, aposto:xau:

Bem Hajam. Sousa “Trepador”

Mais fotos do Dia 1: http://picasaweb.google.com/bike17eco2/1DiaBragancaSendin#

Continua consoante os turnos o permitirem….
 
#10
Dia 2 da Aventura, 18 de Setembro – Sendim/Freixo Espada a Cinta

***Caros Betetistas, como compreendem, a alvorada não foi fácil. Para ninguém.


Mas ao levantar a persiana e ver o sol a brilhar em todo o seu esplendor, numa etapa que se previa de rompe pernas e de dificuldade média (etapa enganadora, é um sobe e desce constante), mas percorrida em pleno Parque do Douro Internacional, com paisagens e trilhos ímpares como vão constatar, cedo a boa disposição reinou, reforçada pelo bom pequeno almoço servido na Pensão Gabriela. Bem haja Lurdes e familiares pela hospitalidade e boa disposição e ânimo transmitido. Oh Meu Bravo Povo Lusitano, orgulho-me do teu bem receber:clap:


***Nesta etapa e segundo o seu estudo prévio, tínhamos como principais pontos de referência e míticos: Urrós, a Calçada da Bemposta, Lamoso, Vila de Alá, o Miradouro do Carrascalinho, Lagoaça e a Descida vertiginosa para Mazouco.

*** A esta altitude e apesar do sol, não há milagres, o tempo estava bem ameno, pelo que toca a começar a pedalar para aquecer em direcção a Urrós. A Sónia também se sentia bem fisicamente, o joelho só uma ou duas vezes se tinha manifestado.

*** Hoje pelo menos ninguém vai gozar comigo, com o meu Protector Solar e respectivo carregador:hahaha:


Alguns dados pertinentes durante esta Travessia: todos os dias abastecíamos em mercearias, em bens alimentares e líquidos, claro está que a mochila não emagrecia no peso mas fomos “salvos” em muitas situações, dado a natureza isolada do percurso e horas madrugadoras no arranque de muitas etapas. Hoje foi uma delas como verão adiante. Também levamos um mapa de Portugal que nos deu muito jeito para traçar destinos e escolhas de etapas.

*** Começamos bem o dia com o nosso expert oficial na navegação, Pedro Trilhos, a enganar-se no percurso, descemos para caramba num trilho até que chegamos mesmo ao fundo do seu poçodoh


o que deu naquilo que os Amigos do Bike17Eco costumam apelidar de PURO BTT, ou seja, andar a desbravar mato com a burra às costas, saltar vedaçõe, etc… Deu para o Sérgio Fugas pôr a conversa em dia com um agricultor que já tinha começado há muito o dia no seu labor.


***Lá voltamos ao trilho certo até Urrós, onde paramos num café para abastecer e para a respectiva ingestão de cafeína, daí entramos num estradão largo e rolante e depois por estrada


em direcção à Bemposta e sua famosa calçada romana. Estávamos todos a desfrutar e muito do percurso e toda a zona envolvente. Um silêncio regenerador pairava por aquelas terras, o ar puro purificava-nos em todo o seu esplendor, o sol aquecia-nos a alma, idílico meus Amigos. Pessoalmente, fiquei completamente fã de toda esta região do Douro Internacional, que não conhecia até á data, só em fotos e relatos longínquos. Contudo também cada vez mais nos apercebíamos do completo isolamento e desertificação destas populações, com o lado bom e mau que isso comporta.

***Entramos num trilho na Bemposta, descendo até à Ponte Romana, aí começava a Calçada. “ Acho que tem 80 Metros de subida”, diz um ilustre iluminado Betetista Não são 80 amigo mas sim 800 Mts. Muito difícil de subir montado para não dizer impossível, só algumas partes. Dava logo ali para registar uma nova patente do Pedro Trilhos: Novo Método para Subir Calçadas Romanas.


*** Depois da Calçada, passamos por Lamoso, entramos novamente em trilhos


, com direito á primeira degustação da amoras da Travessia.


E também ao primeiro furo da Travessia na novíssima máquina do Pedro Trilhos! Não compra Bikes em condições e depois dá nisto:lol:


*** A fome para o almoço já apertava, chegamos a Algosinho, começa a busca para um possível restaurante ou café para o almoço e pelo meu respectivo Tango, famoso néctar que me dá forças supernaturais e que vai fazer também história nesta Aventura. Já sabem qual o desfecho previsível ou não? Encontramos um habitante que nos fez a revelação que não queríamos ouvir: restaurantes e cafés aqui muito próximo não há nada! Não vai haver tangos para ninguém… E como sabem, o BTT abre-nos bastante o apetite, prova feita nesta Travessia em que parecíamos Leões á mesa:cheers:

*** Sem outra opção imediata, fizemos um lanche improvisado, recorrendo ao fundo de maneio da mercearia, no meio de uma rotunda, em que passava um carro de hora em hora talvez, não sendo incómodo para estes Artistas.


*** Barrigas meias cheias, fizemos uma Paragem na aldeia de Ventozelo, onde por sorte “achamos” o café Santa Cruz, mas não havia que comer a não ser umas batatas fritas em pacote, bebemos umas cervejas frescas e conversamos com os nossos concidadãos sobre a nossa epopeia e outras estórias. Aí mais um episódio singular: um deles estava alcoolicamente bem disposto e levou a mal o facto do responsável do café ter perguntado donde nós éramos, “Hás de ter a ver muito com isso, perguntar donde eles são” disse ele ! Ui, Ui, Era a nossa deixa para zarpar:tungas:

***Próximo destino: Miradouro do Carrascalinho perto de Lagoaça. Se alguém sabe as coordenadas do Miradouro, p.f, enviem-nos pois não demos com ele ou então passamos ao lado pois até à Central eléctrica antes de descer para Lagoaça, fomos por estrada. Mais uma curiosidade que ficou registada no Bloco de Notas mas ficamos com um sabor amargo em não encontrá-lo pois as fotos que eu vi era espectaculares…


***Entramos em trilhos antes de Lagoaça, continuando em direcção a Mazouco.


***Finalmente, chegamos a um dos ex-libris desta Travessia, a vista sobre Mazouco, terra de um colega nosso, Rebanda, e de facto ficamos siderados com tamanha imponência e vastidão e acalmia sobre o Douro. Uma retrato de cortar a respiração.


***Fotos da praxe,


A descida era mencionada como vertiginosa, confirmou-se, entretanto surgiu um furo á Sónia que teve que ser reparado antes de prosseguir.

*** Passamos por Mazouco, ainda ligamos ao Rebanda a ver se ele estava por aqui de fim-de-semana mas era negativo, safou-se de pagar o lanche e entramos novamente no trilho para os restantes 10/12 Kms até Freixo. Por esta altura, acusávamos já o desgaste de sobe e desce constante do dia, a Sónia já travava a sua luta pessoal com as dores no joelho.

*** Chegada á Vila histórica de Freixo, com uma subida final dos diabos, onde procuramos a Pensão fatibel e onde fomos bem recebidos pela dona, que fica junto á adega cooperativa de Freixo e que é também posto obrigatório de passagem dos atletas da Transportugal, local da nossa reserva para a noite. Detalhes: Dormida e banhos: quartos excelentes com 3 camas (no nosso caso) sem pequeno-almoço, 42,50 / 3 pessoas. Porém as Bikes tiveram que ficar guardadas dentro de uma carrinha na via pública, frente à pensão, ideia que não nos agradava mas era a única solução possível. Alguém ia ficar de plantão esta noite…. Aproveitamos para abastecer de bens na mercearia que fica a dois passos da Pensão.

*** O Jantar foi no restaurante denominado A Cabana, um mega jantar, prego em prato (posta) com massa (a nosso pedido) e sobremesas (mousse com natas e amoras), (13€ a cada um). Até deu a breca no polegar ao Sérgio Fugas, tal era o apetite da malta. Tango é que nem vê-lo pois não havia groselha mas estão perdoados dada a qualidade.


*** Depois do jantar, demos uma volta na vila, procurando também a GNR de Freixo, pois tínhamos necessidade de saber qual era a disponibilidade dos colegas da GNR de Almeida, onde acabávamos a etapa amanhã e onde era a despedida da Sónia e do Sérgio, em nos receber. Falamos com o Soldado Roma, astuto guerreiro que em tempos longínquos trabalhou para os nossos lados, o qual contactou o posto de Almeida e confirmou-nos a pernoita, ficamos ali todos em amena cavaqueira. Bem hajam Caros Soldados pelo altruísmo demonstrado.

***Seguiu-se o recolher obrigatório. Era tempo de reviver em sonhos os dias até lá percorridos. Amanhã esperava-nos uma das etapas mais duras mas também uma das mais bonitas.

Bem Hajam.
Sousa “Trepador”

Dados GPS do dia:


Fotos do dia 2: http://picasaweb.google.com/bike17eco2/2DiaSendinFreixoDeEspadaACinta?feat=directlink#

Continua se não me acabar a paciência até lá:fpalm:
 
#12
Dia 3 da Aventura, 19 de Setembro – Freixo Espada a Cinta / Almeida

***Hoje tínhamos pela frente uma das etapas consideradas das mais duras mas também das mais bonitas. Era a Etapa do Douro por excelência com os principais atractivos, a Subida ao Penedo Durão, Poiares a Barca D´alva eram 15 Kms, 10 a descer em zonas perigosas e com ravinas (Calçada de Alpajares), de Barca D´Alva até Figueira Castelo Rodrigo eram 20 Kms a subir e bem duros, ainda faltavam 21 kms até Almeida.

***E tornar-se-ia ainda mais dura pois algum cansaço físico da malta já era evidente. Sobretudo dado o peso das mochilas. Pessoalmente, já me queixava um pouco das assaduras no traseiro mas não era necessário recorrer ao Halibut, para já. A Sónia também já acusava algumas dores no joelho, nas subidas principalmente, contudo, qual Bravo Guerreira Lusitana, já tinha concretizado 2/3 do percurso, fazendo a sua estreia em trilhos, logo com uma maratona de quase 100 kms no primeiro dia e outra de 66 kms no segundo, não se daria como vencida por esta última dificuldade. De referir que era o último dia para o Sérgio e a Sónia, ficam por Almeida, no dia seguinte o destino de férias era outro, bem mais quente e não tão cansativo.

***Saímos cedo, pelas 07H00 e, como era Domingo, não havia nada aberto para o pequeno almoço, pelo que iniciamos o trilho saindo de Freixo


e tomamos o pequeno almoço nos campos agrícolas, rodeados pela natureza, querem melhor do que isto Amigos? Um agricultor avistou-nos e veio confirmar se estávamos a ter um repasto das suas uvas, saiu descansado. Se fossem amoras, não teria tanto a certeza :cool:


***Optamos por seguir pela estrada até ao topo do Penedo Durão, local do famoso Miradouro (e que local), uma boa subida para aquecer os ossos ressequidos destes Atletas,


a vista melhorava a cada metro percorrido, autênticas telas celestiais, espíritos e almas em plena comunhão com a mãe natureza. Tal era a contemplação que o Pedro Trilhos esqueceu-se de tirar os pés dos pedais de encaixe e espalhou-se ao comprido na estrada :rotfl: Sem consequências Amigos.


*** Já no topo da subida, avistamos os primeiros abutres, existindo naquele local um alimentador oficial de abutres, encerrado provisoriamente,


Contudo, o Trilhos bem nos tentou arranjar o almoço.

*** Ficamos na dúvida quanto ao Miradouro pois não havia mais indicações, logo depois do alimentador, viramos à direita pelo trilho marcado no GPS e a panorâmica do lado Português era a seguinte


***Também já se avistavam os majestosos abutres nos céus, quiçá espreitando a oportunidade de alguns destes Amigos se deixar vencer pelo cansaço.


*** Mas ficamos com a pulga na orelha, voltamos para trás, descemos cerca de 150 metros e aí, sim, demos com o famoso Miradouro do Penedo Durão, com vista para a Barragem de Soucelhe e com a estátua da Nossa Senhora do Douro a contemplar o Rio.


Caros Amigos, é comum dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. E deve ter sido a pensar neste lugar pois conhecemos um dos lugares, em Portugal, com uma das paisagens mais belas e incríveis do MUNDO, sem qualquer tipo de patriotismo exacerbado. Têm de ver e constatar com os vossos próprios olhos, é o que vos aconselho. O êxtase era total.




***Tudo tem um fim pelo que tivemos que retomar caminho, as baterias estavam carregadas ao máximo, entrando novamente no trilho, passamos pela aldeia de Poiares e seguimos a indicação da Calçada de Alpajares, outro dos ex-líbris da Travessia.


***Demos com a Calçada pelo trilho do GPS, uma calçada altamente técnica, o peso das mochilas também não ajudava, mas dava para descer em cima da burra. A paisagem rochosa engolia-nos a cada metro da descida. Porém, não a devemos ter feito na totalidade pois, na descida depois de Poiares, passamos por um placa a indicar a mesma, optamos pela indicação do GPS.


***Acabamos a descida na Ponte Santa Ana, subimos apeados outra calçada e depois era sempre por estrada, em descida bem rápida, quase até à Ponte Almirante Sarmento Rodrigues, porta de entrada para Barca D´Alva, localidade que eu já conhecia, onde chegamos pelas 12H00, mesmo na horinha certa para o reforço do dia. E será que vai ser hoje que vou fazer a estreia do meu TANGO????

*** Não havendo muito por onde escolher, o almoço foi ao calha, no restaurante Bago de Ouro Gourmet, comemos lombo assado, o que deu 33,90 € / 5 pessoas.


E meus amigos, tenho de dar uma nota altamente negativa ao restaurante, as doses eram minúsculas, até os palitos eram contados, não fez jus à boa tradição portuguesa do comer e beber bem. Nem tudo foi mau e passados quase 3 dias, consegui o meu doping habitual.


*** Barrigas a meia gás, tínhamos uma das grandes dificuldades do dia, a subida de Barca D´Alva até Figueira de Castelo Rodrigo. Com o calor a apertar. Optamos por não seguir o trilho e ir por estrada. Chegamos ao Alto da Sapinha, a cerca de 6 Kms de Barca D´Alva e onde existe um Miradouro,


já bastante desgastados fisicamente. A subir notava-se bem mais a mochila. A Sónia também já se queixava bastante do joelho. Para os restantes, eram as mazelas do costume, ai as minhas costas, ai o selim e tal :cry: Até Figueira de Castelo Rodrigo ainda nos faltavam 16 Kms, fora os restantes 22 kms para Almeida. Esta etapa tinha tanto de beleza como de dureza realmente.

*** Qual sinal divino meus amigos, eis que surgiu no horizonte uma “Viteleira”, mesmo feito à nossa medida ,


Milagre este que não podíamos recusar, toca a marchar até mesmo à entrada de Figueira Castelo Rodrigo (localidade que já conhecia), o que nos safou o dia em termos físicos e temporais diga-se de passagem. Ah Bravas Viteleiras deste país!

*** Seguiu-se a subida íngreme até ao Castelo de Figueira, com respectiva visita e vista monumental sobre a planície, aí fizemos um lanche improvisado.


*** Apesar do bónus da “Viteleira”, o cansaço acumulado dos dias anteriores reflectia-se na malta pelo que os restantes kms finais até Almeida foram um pouco difíceis mas, no entanto, ao chegar ao objectivo do dia, a sensação de dever cumprido e de satisfação era evidente


***Direcção Posto da GNR de Almeida,

onde os colegas já contavam com a nossa chegada e nos receberam ao mais alto nível, como não podia deixar de ser, disponibilizando-nos os banhos quentes e lavagem de bikes. Bem Hajam Nobres Guerreiros :) Hoje ia ser a nossa estreia em camaratas.

*** Nem tudo eram rosas. Acabava por aqui a fantástica saga da Sónia e do Sergio, super mega atletas do Bike17Eco, pois o Vita vinha buscá-los a Almeida, amanhã o destino de ferias seria outro, bem mais quente e menos cansativo :cool:
Amigos, para nós, foi um orgulho e prazer imenso acompanhar-vos nesta Aventura, podendo disfrutar da vossa boa disposição e da vossa coragem, testemunhando o vosso ânimo em aceitar juntar-vos a três malucos. Esta Travessia sem vocês não teria tido o mesmo sabor. Bem Hajam :venia:


***Refeitos das emoções fortes, visitamos o Castelo de Almeida,


monumento de configuração singular e que se encontra incluído na Grande Rota das Aldeias Históricas(GR22).

*** Na sequência do passeio, a fome já apertava, o jantar foi no restaurante a Tertúlia, comemos Bacalhau á Brás, 39,50€ / 3 pessoas, estava muito bom, foi aprovado.


*** Corpos fatigados e já enrolados nos respectivos sacos camas, na camarata, era tempo de cada um voar livremente sobre o Penedo Durão.....

Dados do dia do GPS:


Fotos do dia: http://picasaweb.google.com/bike17eco2/3DiaFreixoDeEspadaACintaAlmeida?feat=directlink#

Bem Hajam. Sousa “Trepador”

Continua….
 
#14
Obrigado Feirense e outros colegas que têm deixado as suas mensagens de incentivo,
o trabalho para as crónicas diárias tem sido bastante cansativo :fpalm: - e logo comigo que não consigo ser muito sucinto- mas era imperdoável nos partilhamos isto com vocês todos;)
Sousa "Trepador"
Abç
 
#17
Boas

Tambem fiz neste verao a transportugal e eh sempre bom recordar as paisagens por onde passamos

agora voçes esto muito tenrinhos, a descer aquela fantastica calçada romana a pedantes :lol:

continuem ai na postagem de fotos
 
#18
Olá pessoal!
Eu desci aquela calçada quase toda em cima da burra e digo-vos que com uma mochila com cerca de 10 Kg às costas não é nada fácil, nada mesmo. Pois um pequeno deslize e é a morte do artista. Mas felizmente correu tudo bem e pudemos usufruir da beleza daquela zona, que é fantástica.
Abraços!
 
#19
Dia 4 da Aventura, 20 de Setembro – Almeida / Alfaiates / Penamacor

***E foi assim, com muita pena nossa, que a nossa Aventura deixou de ser composta por 5 Atletas do Bike17Eco e ficamos entretanto os 3 da Velha Guarda, Pedro “Trilhos”, Pimenta “Saca Saca” e a minha pessoapara tentar concluir o nosso périplo. Posso dizer-vos que é uma sensação estranha e um pouco melancólica acordar no dia seguinte e preparar tudo para iniciar a etapa, não contando com os nossos amigos do costume, fica uma sensação enorme de vazio. Mas tínhamos de continuar esta descoberta, por eles também.

***A etapa até Alfaiates prometia o seguinte: 54 Kms, 627 Mts em subidas, Dificuldade média (era considerada a mais fácil da Travessia) , apelidada da Rota dos Contrabandistas, desenrolava-se no grande planalto para além do Vale do Côa e segundo os entendidos, predominavam os bons pisos.


***Analisados todos os pormenores, achamos melhor sair mais cedo desta vez, pelas 06H30, para chegar cedo a Alfaiates, no Concelho de Sabugal. Numa tentativa de ganhar tempo na etapa, ainda era capaz de dar para atravessar a Serra da Malcata, outro local considerado um ex-líbris da Travessia. Logo se veria. O pequeno-almoço foi tomado no Posto da GNR, com o que tínhamos comprado no dia anterior. Saudações madrugadoras à malta, eram horas de arrancar para mais um dia. Bem hajam, caros Guerreiros de Almeida, pela sincera hospitalidade e cortesia demonstrada com estes humildes Betetistas :venia:

***O Físico: depois de três dias intensos, a malta já acusava algum desgaste natural dado o acumular do peso das mochilas. Pessoalmente, já tinha recorrido ao Halibut pois começava ter ligeiras assaduras junto da virilha, fruto da constante fricção no meu selim. Os meus companheiros estavam um pouco melhor do que eu.

***Iniciamos pela Estrada Nacional 332, com tempo excelente para pedalar,


andamos cerca de 11 kms e daí entramos por trilhos,


Confirmava-se o bom piso, sempre rolante, entrando na Grande Rota GR22,


com paisagens diferentes das etapas anteriores mas não menos singulares Amigos.

***Passamos pela Aldeia da Ribeira,


aproximando-nos rapidamente de Alfaiates, vila histórica com 700 habitantes.


***Por volta das 11H, sem darmos conta, chegamos ao primeiro objectivo traçado, Alfaiates, com o seu castelo a receber-nos de braços abertos à entrada da Vila.


***Quem não é para comer, não é para pedalar, era tempo de recarregar as baterias no Snack Bar Ronda, com colas e sandes de fiambre e mistas com fartura, situado numa praça da vila, junto à estrada nacional 233, local onde existe também um multibanco e uma mercearia.


***Era tempo de aquecer os ossos ao sol e descansar as costas e rabos nos bancos do povo. Qual olho de águia inveterado, eis que o Pimenta repara nos nossos jerseys:



Bem me parecia que alguma coisa não batia certo, o Trilhos já tava cheio de moral a pensar que tinha ganho a forma :#1: E eu que fiquei ainda mais a nadar no roupão :lol:

*** O Pedro Trilhos, astuto estudioso de mapas e GPS, colocou as cartas na mesa a ver se queríamos ganhar tempo : até Fóios, porta de entrada da Serra da Malcata, e por estrada, tínhamos cerca de 18Kms, a maior parte em subida, não ia ser fácil. Depois de Fóios, teríamos que atravessar a Serra da Malcata, que era referenciada como o último contacto com a civilização, seguindo-se muitos Kms em perfeito isolamento. Chegar a Monfortinho hoje, ganhando uma etapa quase de descanso, seria muito difícil – tínhamos reservado em Monfortinho três quartos nas Colónias de Férias da PSP para o dia 21- contudo Penamacor ficava relativamente próximo da saída da Serra, era uma boa opção.

*** Penamacor será, retomamos a estrada,


direcção Fóios, com passagem pela Aldeia Velha e Aldeia do Bispo,


Altura em que, após uma paragem junto a uma antiga discoteca,


para o Trilhos experimentar Outra Nova técnica, a de vestir dois calções sobrepostos para tentar suavizar as dores no dito cujo, colocou a máquina fotográfica em cima de um muro, só dando conta 3 ou 4 kms depois de uma subida bem puxadinha. Sem outro remédio, lá teve que voltar para trás. :mad: Eu e o Pimenta ainda oferecemos os nossos préstimos mas ele estava em grande forma e “dispensou-nos”. Não nos fizemos rogados Amigos e lá esperamos pacientemente deitados na berma da estrada quais lagartos ao sol :pipocas: a praticar descanso.


***Regressado o Pedro Trilhos da bruma, lanchamos ali mesmo na berma, retomando o caminho até Fóios, onde chegamos pelas 14H30.


*** Local para almoçar em condições em Fóios não havia (ou não encontramos) pelo que por volta das 14H50, entramos finalmente na Reserva natural da Serra da Malcata, em busca do Lince Ibérico, com grande entusiasmo de todos e em particular do nosso Homem da "GreenPeace" oficial, Pedro "Trilhos".




***Mal entramos nas suas profundezas, demos logo com este cenário, deixando o Pedro à beira de um ataque de nervos :evil:


***Minha impressão desta Serra: se calhar tivemos azar no local em que resolvemos atravessar a Malcata, junto à fronteira com Espanha, mas o piso era na sua maioria francamente mau, até comentamos que parecia a Serra de Valongo em 2ª versão, com muita pedra solta, com trilhos de sobe e desce constante, a perder de vista e algos monótonos,


com muita pouca sinalização, sendo muito fácil alguém perder-se ou desorientar-se nesta imensidão (factos confirmados pelos Bombeiros de Penamacor na nossa pernoita). Confesso-vos que assusta um pouco. E o ganda maluco do Pedro "Sr. Engenheiro" Cintra que há de cá passar sozinho mais tarde :doente: (outras estórias a serem contadas Amigos...) Mas as panorâmicas tinham este aspecto, entre outras, beleza sui generis.


***Andamos bastante e parecíamos que não saímos de sítio, com descidas fulgurantes e perigosas e autênticas paredes, o sol também já mostrava a sua timidez, até que chegamos à uma intersecção em que o GPS indicava a descida para a Estrada Municipal 569. Aproveitamos para descansar e fazer o respectivo lanche, na cuca de algum Lince aparecer e dar as boas vindas a esta malta. Iniciamos a descida a todo o gás e tivemos mais uma supresa, 3 kms de autêntico trilho de pó, deixado pelos camiões de terraplanagem. Em algumas partes parecia gelo tal era a altura do pó acumulado.


Saímos da Serra da Malcata em Safurdão, eram 18H e muitos,


com direito a mais um furo do Trilhos.


*** Até Penamacor, eram 12Kms por estrada, local onde chegamos já ao cair do dia e bastante desgastados claro. Já nos encontrávamos no Distrito de Castelo Branco, impressionante só de pensar nisso Amigos.


*** Ainda tínhamos de resolver as dormidas, subimos para a Vila - que mania que estes Lusitanos tinham de construir as povoações no alto -e contactamos os Bombeiros Voluntários de Penamacor, na pessoa estimosa do Bombeiro Leal, ilustre Combatente da Paz e adepto do BTT, e explicado que foi a nossa aventura do dia e restantes, como vai ser regra nesta Aventura, solicitou autorização superior para nos acomodar nas camaratas do Piquete, que foi concedida de forma altruísta. Aproveitamos para conversar com o mesmo sobre as nossas aventuras e desaventuras, foi aí que ele nos indicou terem salvo uns dias atrás uma pessoa que esteve perdida na Serra da Malcata (porque será?). Tivemos direito a duches e lavagens de bikes com alta pressão. Bem Hajam, Ilustres Combatentes da Paz deste meu País, pela vossa dedicação e altruísmo :venia:


*** Já era tarde e tínhamos de tratar de jantar antes que fechassem as portas. As compras na mercearia foram feitas quanto antes para o dia seguinte.

***O jantar foi no café restaurante O Jardim, comemos Carne de Porco, 21€ / 3 pessoas, mais uma vez o tacho aprovado.

***Resumindo o nosso dia, tinhámos ganho muito terreno, ultrapassando a Serra da Malcata, a custo do cabedal é verdade, mas amanhã eram só 40 kms até Monfortinho, local onde poderíamos fazer uma espécie de etapa de descanso, e bem precisávamos Amigos.

*** A noite passada na Camarata do Piquete dos Bombeiros deu razão ao Pedro "Trilhos", que trouxe consigo uns tampões para os ouvidos. Tivemos direito a Sinfonia de Mozart em Requiem a noite toda :assobio: Mas que eu saiba, eu não ressono quando estou a dormir.... Que eu saiba!

Dados GPS do dia:


Fotos do dia: http://picasaweb.google.com/bike17eco2/4DiaAlmeidaPenamacor?feat=directlink#

Bem Hajam. Sousa “Trepador”

Continua.....